Luis Suárez não precisa de muito tempo em campo para deixar claro como seu sangue é quente. É um jogador com a emoção à flor da pele, a todo instante. A raça que o faz se entregar a cada lance. A vontade que o torna individualista em muitos momentos – ainda que, na maioria deles, Luisito resolva. Mas também a competitividade que o leva a cometer loucuras para vencer a qualquer custo. Pelo bem e pelo mal, como a Copa deixa bem claro.

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Em 2010, Suárez protagonizou um momento épico a partir de um impulso. Enfiou a mão na bola para salvar a cabeçada certeira de Dominic Adiyiah. Em prantos após ser expulso, viu sua sorte mudar com o pênalti perdido por Gyan Asamoah, que abriu o caminho para que a Celeste chegasse às semifinais. Entretanto, o lance salvador também teve seu custo. Luisito foi punido, como deveria. E fez falta na partida contra a Holanda, quando os uruguaios tiveram uma boa atuação, mas poderiam ter ido além com a presença do atacante.

O impulso de Suárez, outra vez, pode mudar o destino do Uruguai em uma Copa. A mordida do craque em Chiellini foi infantil. Assim como a expulsão de Marchisio, abalou o psicológico dos italianos, mas não dá para dizer que foi decisiva a ponto de garantir a classificação. Não contra uma Itália improdutiva no ataque, que acabou pagando caro após o gol de Godín. Para sua sorte, Luis Suárez não foi pego pelo árbitro. Mas dificilmente passará impune pela Fifa, pode avaliar as atitudes antidesportivas, percebidas durante os jogos ou não.

Suárez quis provocar, desestabilizar o zagueiro italiano. Era um lance no qual não interferiria tão diretamente nos rumos da partida, como naquele toque de mão. Mas deveria ter consciência que, ao exagerar na dose dessa maneira, poderia prejudicar o Uruguai mais à frente – ainda mais para quem já era reincidente em mordidas, e por duas vezes. Era o desespero de tentar algo para quem estava jogando muito, mas não conseguia passar por Buffon e acabaria eliminado da Copa.

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A Fifa costuma punir com rigor atitudes do tipo, ampliando o gancho a jogadores flagrados pelos árbitros em agressões. O caso de Daniele De Rossi, em 2006, é o mais emblemático nos últimos tempos, com o volante pegando quatro jogos de gancho por uma cotovelada. A diferença é que o árbitro viu o lance sobre McBride e expulsou o italiano. Ainda assim, é difícil de acreditar que a Fifa deixe passar o lance impune e acabe abrindo um precedente – tanto para protestos quanto para lances do tipo.

O Uruguai sabe que a vida sem Suárez é muito mais difícil. Sem ele, perdeu para a Costa Rica. Com ele arrebentando, venceu a Inglaterra. E em outro jogo no qual Luisito amedrontou os defensores, superou a Itália. A falta de raciocínio do craque tem muito mais contras do que prós, diferentemente de 2010. E, em uma partida difícil contra a Colômbia, talvez antecipe a volta da Celeste e de Suárez para casa.