O clima no Estádio Independência na noite desta quarta-feira estava como nos mais vibrantes da grande campanha do título inédito da Libertadores no ano passado. O time, no primeiro tempo, correspondeu a toda essa energia e foi elétrico no ataque. No entanto, conseguiu apenas um gol e, com o passar do tempo, naturalmente, desacelerou o ritmo. As arquibancadas no Horto, na medida do possível, seguiram empurrando a equipe, mas do outro lado havia um oponente de qualidade e que teve sucesso em segurar toda a sinergia do time e da torcida do Galo. O empate em 1 a 1 classificou o Atlético Nacional, e agora, dentre os seis brasileiros que começaram a competição, resta apenas o Cruzeiro na Libertadores.

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A força com que o Atlético Mineiro atacava e com a qual a torcida o empurrava nesses avanços trazia recordações do time de superação do ano passado. E era justamente disso que o Galo precisava nas cirscunstâncias em que estava. Não é segredo que a equipe não vinha bem ultimamente, e Levir Culpi simplesmente não teve tempo suficiente de implementar o que deve pretender para o time. A massa nas arquibancadas parecia entender essa necessidade do atual campeão da Libertadores e, portanto, fez seu papel.

As coisas poderiam muito bem ter dado certo e nós estaríamos aqui falando de mais uma classificação emocionante do Atlético na Libertadores. Mas faltou organização ao ataque mineiro e maior participação de jogadores-chave, como Jô e, principalmente, Ronaldinho Gaúcho.

O primeiro tempo do Galo foi o melhor da equipe na partida. Era nele que o resultado deveria ter sido construído. Especialmente nos primeiros 35 minutos, o ritmo do Atlético Mineiro envolvia o Atlético Nacional, que não conseguia entrar definitivamente no jogo. Desta maneira, Fernandinho inaugurou o placar aos 20 minutos, com um bonito chute da entrada da área. Foi só nos dez minutos finais da primeira etapa que os verdolagas pareceram acordar e, enfim, deixar Victor preocupado.

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A segunda etapa foi ainda mais equilibrada. Os colombianos não estavam mais acuados como no princípio, e o Galo, até mesmo pela questão física, não conseguiu manter o ritmo frenético dos primeiros 45 minutos. Pouco depois da metade do segundo tempo, vendo que seu time não esboçava uma melhora para buscar o segundo gol e garantir a classificação, Culpi mexeu na equipe, tirando Diego Tardelli, que fazia bom jogo, e Pierre, para a entrada de Guilherme e Réver, nesta ordem. O atacante reclamou publicamente da alteração após o jogo, e de fato não merecia ser sacado, o que, no entanto, não lhe dá o direito de criticar o treinador recém-chegado como criticou.

As mudanças acabaram não surtindo efeito. O jogo não mudou de condição, e perto do fim, aos 43 minutos, Jefferson Duque, que havia entrado no decorrer da partida, encontrou um gol após rebote de Victor. Apesar da posição clara de impedimento, não tem como colocar a eliminação toda na conta do bandeirinha. O Galo, afinal, não fez por merecer a classificação às oitavas de final. Houve, sim, melhora em relação às partidas anteriores, mas não suficiente para superar o Nacional.

A partir de agora, a curto prazo, Culpi precisará lidar com Tardelli, atleta importante para os objetivos do time na temporada. Embora não viva grande fase recente, o atacante tem potencial para ser novamente um dos melhores do Atlético. A médio prazo, a missão será encontrar os atletas em melhores condições, para então definir o melhor time titular. Com o passar do tempo é que poderemos avaliar o trabalho do novo técnico. Atribuir a eliminação a uma ou outra opção técnica ou tática de Culpi seria injusto. A queda de hoje foi sendo “construída” nos últimos meses. Não há necessidade de uma grande mudança no clube, mas os ajustes precisarão ser feitos com o decorrer do Brasileirão. Por sorte, há a parada para a Copa do Mundo. Quem sabe depois disso vejamos no Atlético Mineiro uma equipe mais semelhante àquela vencedora de 2013? Os torcedores já mostraram que sua parte, de reviver aquela aura, eles podem fazer.