Dos 23 confrontos já realizados pela primeira fase da Copa do Brasil, apenas seis terminaram com o mandante se classificando. Algumas eliminações causaram surpresa, como a sofrida pelo Santa Cruz diante do Fluminense de Feira. Entretanto, nenhuma queda ocorrida até o momento tem tanto impacto quanto a do Botafogo. Os alvinegros possuem motivos para ficar na bronca, especialmente pela expulsão de Rodrigo Pimpão por reclamação. Ainda assim, precisam de autocrítica ao se despedirem do torneio diante da modesta Aparecidense, quando contavam a vantagem do empate na visita a Goiás. Nem de longe lembrou o time consistente da Libertadores 2017, tomando a virada por 2 a 1 no segundo tempo. E um dos carrascos dos botafoguenses foi uma figurinha carimbada do futebol brasileiro: o veterano Nonato, autor do primeiro gol.

A carreira de Nonato é mais do que suficiente para render uma recheada biografia. O ídolo do Bahia na virada do século rodou o mundo nos últimos 20 anos. Passou pela Coreia do Sul e pelo Japão, embora seu cantinho preferido esteja ali no coração do Brasil, entre o Nordeste, o Norte e o Centro-Oeste. A Aparecidense é o 17° time profissional do veterano no país, todos divididos entre as três regiões. Teve os seus momentos principalmente no Bahia e no Goiás. Nos últimos tempos, porém, o paraense assumiu o gosto pelas equipes das divisões inferiores e do Campeonato Goiano. Já são nove clubes diferentes do estado no currículo do medalhão.

Nonato, inclusive, tem sua pontinha no último Prêmio Puskás brasileiro. Participou da consagração de Wendell Lira no Goianésia. Desde então, passou por Nacional-AM, Ouvidorense e Anapolina, até aportar na Aparecidense. O faro de gols do camisa 9 já vinha funcionando no Goianão, chegando a anotar o seu contra o Goiás. São quatro tentos em apenas seis partidas. E não deixaria passar a oportunidade diante do Botafogo. Mesmo um tanto quanto “volumoso”, o matador preserva o seu senso de posicionamento e a capacidade nas finalizações. Pior para os alvinegros.

Rodrigo Pimpão abriu o placar no primeiro tempo com uma pintura, por cobertura. No entanto, Nonato recolocou a Aparecidense no jogo logo após o intervalo. Com a complacência da defesa, que não marcou direito o senhor de 1,76 m e uns quilinhos a mais, ele apareceu no meio da área para concluir de cabeça. E depois da expulsão discutível de Pimpão, recebendo o vermelho direto no que mais pareceu excesso de autoritarismo do árbitro, os goianos terminaram de fazer o serviço. Mais um gol de cabeça, assinalado por Gustavo Ramos. A pressão dos cariocas nos minutos finais pouco adiantou, sem estragar a festa que se formou no acanhado Estádio Annibal Batista de Toledo.

A classificação diante do Botafogo se torna o momento de maior relevância nacional da Aparecidense – superando a desastrada e antiética tentativa do massagista Esquerdinha salvar a campanha na Série D de 2013. Algo justo, para um clube que se acostumou a fazer boas campanhas no Campeonato Goiano nos últimos anos. Nonato, por fim, recoloca seu nome nas manchetes do país. Considerando a longevidade do paraense, todavia, dá para duvidar que esta será a última vez. Pela capacidade dentro da área e pela persistência em seguir em frente, vez por outra o atacante pode experimentar seus brilharecos. O desta terça serviu para frustrar um dos clubes mais tradicionais do país.