É certo que há poucas possibilidades de algum país asiático – ou a Austrália – avançar às oitavas de final da Copa do Mundo. A tendência é que no mínimo Coreia do Sul, Irã e os australianos fiquem pelo caminho. A esperança do continente em uma boa campanha recai sobre o Japão, que nunca tieve tantas armas para corresponder a essas expectativas.

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A começar pelo banco de reservas, o Japão tem nomes importantes, e profissionais acostumados aos grandes desafios costumam ajudar dentro de campo. O técnico italiano Alberto Zaccheroni, 61 anos, está no país desde 30 de agosto de 2010 e já comandou a seleção em 55 partidas, com 33 vitórias, 11 empates e 11 derrotas (60% de aproveitamento, o seu melhor na carreira).

Zaccheroni já deve ter alertado seus jogadores de que a estreia no Grupo C, contra a Costa do Marfim, é o jogo mais importante da chave. Vencer a partida aumenta exponencialmente as chances de classificação do Japão, pois os africanos são os adversários diretos na briga pela segunda vaga – a primeira deve ser da Colômbia, mesmo sem Falcao García.

Se empatar, o Japão precisará superar a Grécia e poderá jogar mais defensivamente diante da Colômbia – o setor mais carente do time, diga-se de passagem –, talvez se dando ao luxo de empatar. Entretanto, é evidente que o caminho nipônico não será tão fácil assim. Palpites fora, a situação dos principais jogadores não é das melhores.

Temporada ruim

Apesar do elenco recheado de atletas jogando na Europa (são 12, mais da metade na Alemanha), os principais jogadores da equipe não tiveram boa performance em seus clubes em 2013/14. Veja um balanço das temporadas de alguns deles:

Shinji Kagawa (Manchester United): foram 30 jogos na temporada, 23 como titular, mas apenas 14 na Premier League. Kagawa não foi prestigiado por David Moyes, tanto que atuou os 90 minutos apenas cinco vezes na liga inglesa. O meia não anda satisfeito com seu desempenho e pode até querer compensar na Copa do Mundo.

Keisuke Honda (Milan): somando as temporadas por CSKA Moscou e Milan, o habilidoso meia disputou 41 partidas, apenas quatro começando na reserva. Na Serie A do Calcio, são 14 jogos, 12 como titular, e um gol. O momento do Milan, assim como o dos Red Devils, não esteve bom em 2013/14, mas Honda ficou mais presente em campo.

Yuto Nagatomo (Internazionale): o desempenho do lateral é esplendoroso. Mesmo com a campanha sem sal do time de Milão, Nagatomo esteve presente na maioria dos jogos. Dos 38, ele participou de 34, apenas dois começando na reserva. Tem mais: Nagatomo só não jogou os 90 minutos em cinco oportunidades e ainda marcou cinco gols. É peça importante no esquema de Alberto Zaccheroni e o que chega mais “animado”.

Eiji Kawashima (Standard Liège): é verdade que o Campeonato Belga não é lá essas coisas, mas é de suma importância para o goleiro ter ritmo de jogo. E foi isso Kawashima conseguiu com a camisa do vice-campeão belga: são 47 partidas na temporada, todas como titular. É goleiro de confiança, com experiência (31 anos) e acostumado a grandes jogos (56 convocações).

O Japão tem outros bons valores que poderão aparecer na Copa do Mundo. Hiroki Sakai (Hannover 96) é titular absoluto em seu time, assim como Gotoku Sakai (Sttutgart) – não, eles não são irmãos. Yoichiro Kakitani, cuja carreira polêmica já foi destrinchada na coluna, também pode ter alguma chance de entrar em campo. Se o Japão vai atingir as oitavas de final ainda é um mistério, mas o país tem time para brigar por uma das vagas do Grupo C.

Curiosidades

- Em 1998, na primeira participação, todos os jogadores e o técnico atuavam no  futebol local. O Japão perdeu os três jogos, para Argentina, Croácia e Jamaica, mas apresentou ao mundo Hidetoshi Nakata, então com 21 anos, e Shinji Ono, que tinha 18 e teve boa passagem no Feyenoord – o atacante brasileiro Wagner Lopes, com 29 anos, atual comandante do Criciúma, também estava lá.

- Em 2002, em casa, com Nakata no Parma e Ono no Feyenoord, o Japão foi treinado pelo francês Phillipe Troussier e tinha outros dois jogadores no exterior: Junichi Inamoto e Yoshikatsu Kawaguchi, que não eram protagonistas em seus times na Europa. A campanha terminou nas oitavas de final, com derrota para a Turquia.

- Na Alemanha 2006, Zico treinou os japoneses, com seis jogadores no exterior. Shunsuke Nakamura, na época no Celtic, era a grande estrela do time, ao lado de Nakata e em menor escala Naohiro Takahara. A seleção ficou na primeira fase.

Realidade australiana é oposta

Coitado de Ange Postecoglou. O jovem e promissor técnico da Austrália está comandando a seleção exatamente no momento de substituição de gerações. E se isso já é motivo de preocupação no Brasil, imagina-se que o problema é muito mais grave para os australianos. O país participa da Copa do Mundo ininterruptamente desde 2006, mas a queda de experiência é latente. Veja detalhes das últimas duas campanhas:

Copa do Mundo 2006

Eliminação: oitavas de final (1 a 0 para a Itália, com gol de pênalti duvidoso nos acréscimos)
Média de idade: 27,9 anos
Destaques (idade na época): Mark Schwarzer (33), Lucas Neill (28), Tim Cahill (26), Brett Emerton (27), Mark Viduka (30), Harry Kewell (27), John Aloisi (30) e Mark Bresciano (26).

Copa do Mundo 2010

Eliminação: fase de grupos (terceiro lugar, desvantagem para Gana no saldo de gols)
Média de idade: 28,4 anos
Destaques (idade na época): Mark Schwarzer (37), Lucas Neill (31), Tim Cahill (30), Brett Emerton (31), Harry Kewell (31) e Mark Bresciano (30) – Viduka e Aloisi não foram chamados.

No Brasil 2014, Ange Postecoglou percebeu que não poderia continuar contando com os velhinhos da seleção e deixou alguns de fora, como Lucas Neill, que até tentou voltar ao país para jogar e estar apto fisicamente, sem sucesso.

Com os mais experientes de fora, a Austrália só terá alguns veteranos no time, com Mark Bresciano, aos 34 anos e sem o mesmo vigor de outras épocas, o mesmo acontecendo com Tim Cahill (34) e em menor escala Matt McKay, de 31. A jovem seleção australiana, com média de idade na casa dos 25,7 anos, ainda terá Chile, Holanda e Espanha no Grupo B. É, não dá para ir melhor do que três derrotas.

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