Em 29 de novembro de 2016, a Chapecoense sofreu um dos piores golpes que o destino poderia lhe oferecer. Em meio ao drama, como um adulto a consolar uma criança cujo choro é justificadamente incontrolável, o Atlético Nacional deu à Chape o presente merecido: o título da Copa Sul-Americana e a consequente vaga na Copa Libertadores da América. O tempo passou. E um ano e quatro dias depois, em meio aos derradeiros minutos da última rodada do Campeonato Brasileiro, a Chape passou por outro drama, para chegar a um final feliz – e que seria impensável, há doze meses e quatro dias: voltará à Libertadores, chegando à fase preliminar.

Curiosamente, o início do jogo na Arena Condá deu a entender que o Coritiba é que sairia feliz. Aos 14 minutos, Kléber se valeu de um fortíssimo chute, no ângulo direito de Jandrei, para colocar o Coxa na frente, e aparentemente livrar o alviverde paranaense do rebaixamento. A mesma alegria que a torcida a lotar o Barradão sentiu, já no final do primeiro tempo, quando Carlos Eduardo fez 1 a 0 em cima do Flamengo. Enquanto isso, a tensão sentida na Ilha do Retiro, com o 0 a 0 entre Sport e Corinthians, alcançava níveis inimagináveis.

Porém, a rodada seguia. Também nos últimos minutos da etapa inicial, Elicarlos igualou o placar para a Chape. Paralelamente, até, a expectativa de chegar à Libertadores crescia, já que o Botafogo sofria o empate do Cruzeiro, e o Bahia apenas empatava com o São Paulo. Mas ainda era necessário esperar – e jogar – 45 minutos para dizer o que poderia acontecer.

E nas etapas finais, o Sport arranjou sua salvação, diante de um Corinthians tranquilo e campeão, com o gol de André que manteve o Leão na primeira divisão. Como o Avaí continuava (e continuaria) no 1 a 1 com o Santos que o condenaria ao cadafalso da Série B, a tensão ficava entre Coritiba e Vitória. E parecia pior ainda para o Leão baiano, já que a virada do Flamengo veio no final da partida – graças ao gol de Rafael Vaz na jogada de Vinícius Júnior, aos 31 minutos. Na Arena Condá, nada, pelo menos por enquanto.

Até aquele segundo. Em que simultaneamente, foi marcado um pênalti para os visitantes da Gávea, e a Chape chegou perto da área. Vieram os momentos. Diego cobrou, acertou, e pelo menos por alguns segundos, fez do Vitória o rebaixado derradeiro. Porém, se o torcedor do Leão se achava derrotado, ainda voava a bola rumo à área do Coritiba. Apodi escorou, Túlio de Melo completou para o gol vazio, e o Coritiba estava rebaixado. E o Vitória, salvo. E acima de tudo, vinha uma nobre justiça pelas linhas tortas do destino: pelo 1 a 1 entre São Paulo e Bahia e pelo 2 a 2 entre Botafogo e Cruzeiro, a Chape ganhava outro consolo. Não em meio à tristeza, como há um ano e quatro dias. Mas em meio àquela gostosa ansiedade de última rodada: o consolo de voltar à Libertadores.

O resto é simbolizado na volta olímpica tão honrada quanto galhofeira, típica do clube simpático que a Chape sempre foi: Jakson Follmann guiando o carrinho-maca, a levar vários jogadores, além de Alan Ruschel e Neto. Os três que representavam o arco do destino. Da Libertadores à Libertadores, com várias escalas.

(Ah, sim: o parêntese válido para o 4 a 3 do Atlético Mineiro no Grêmio se justifica pela espantosa fragilidade atleticana, ao ficar três vezes atrás no placar diante de um Tricolor já com a cabeça – e os principais membros – no Mundial de Clubes. E pela falta de energia elétrica. E pela chuva, que tornou ainda mais engraçado o jogo. E por manter o Atlético Mineiro esperando um título do rival interestadual Flamengo, para poder entrar na Libertadores.)