Mohamed Salah saiu machucado da final da Champions League, aos 30 minutos do primeiro tempo. Em seu lugar, entrou Adam Lallana, retornando de lesão. Um jogador de características diferentes. Gareth Bale entrou aos 16 minutos do segundo tempo, logo depois de Sadio Mané empatar a partida. Fez 2 a 1, de bicicleta, e aproveitou a segunda falha de Loris Karius na partida para fechar o placar. Estes foram os principais problemas do Liverpool em Kiev: elenco curto e falta de um goleiro confiável. Nenhum deles surpreende quem acompanha o clube, e todos eles já poderiam ter sido corrigidos. 

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O Liverpool não teve gastos exorbitantes com Jürgen Klopp. Em duas temporadas completas, investiu £ 250 milhões aproximadamente, a maioria em Virgil Van Dijk, que custou £ 80 milhões. E vendeu jogadores por valores parecidos. Nesse processo, montou uma excelente equipe titular, capaz de chegar à final da Champions League. No entanto, não há muito talento além dos 11 primeiros. O cobertor é curto demais e qualquer problema pode ser decisivo – como foi em Kiev. Isso atrapalhou um rendimento consistente na Premier League, por exemplo. E fez com que Klopp terminasse a partida contra o Real Madrid sem fazer as três substituições. 

Não havia muito o que fazer mesmo. Solanke poderia ter entrado para reforçar a presença na área adversária. Lallana e Can, os que entraram, voltavam de lesão. Lallana, o escolhido para o lugar de Salah, tem apenas 12 jogos na temporada. Disputou 16 minutos de bola desde o começo de abril. Embora o Liverpool tenha sofrido com problemas físicos, o que também é sintoma de um elenco curto, o único jogador de ataque fora de ação para a decisão foi Alex Oxlade-Chamberlain. 

Mesmo em condições normais, não haveria muita opção. Isso foi uma escolha consciente de Jürgen Klopp. No começo da temporada, além de Chamberlain, pelo menos ainda havia Coutinho, que pode atuar no meio-campo ou no ataque. Com a saída do brasileiro para o Barcelona, o elenco ficou desfalcado e, apesar de receber € 120 milhões na transferência, os Reds decidiram não buscar reposições durante a janela de inverno. Pelo preço inflacionado, pela primeira opção não estar disponível ou por não poder atuar na Champions. 

Não são motivos absurdos, mas o Liverpool assumiu o risco de não ter a quem recorrer quando precisasse. Na semifinal contra a Roma, não havia mais jogador de meio-campo disponível quando Chamberlain saiu para a entrada de Wijnaldum. E nunca houve muito o que tirar do banco de reservas para modificar o ataque. Na decisão contra o Real Madrid, Lallana teve que entrar no lugar de Salah, modificando o estilo de jogo da equipe. Klopp armou um 4-4-2, com Mané e Firmino à frente. Não houve mais escape pelos lados, e o Liverpool mal conseguiu passar do meio-campo. 

O outro grande pecado esteve debaixo das traves. Karius não começou a falhar neste sábado. Entre alguns momentos raros de brilho, é inseguro desde que chegou, dois anos atrás. Foi contratado por Klopp por ser um goleiro jovem e de potencial, para brigar por posição com Mignolet. Mas não se desenvolveu como se esperava. E nem dá para criticar a escolha para a final. Entre o alemão e o belga, Karius era realmente o que estava em melhor fase e havia assumido a titularidade sem grandes contestações no meio da temporada.

Mas dá para criticar o fato de que esses dois eram as únicas escolhas de Klopp. O papo mais forte do mercado do Liverpool para a próxima temporada já era a contratação de um goleiro de primeiro nível, como Buffon ou Alisson, mesmo antes da final. Por que essa busca não começou muito tempo atrás? Em nenhum momento de suas passagens por Anfield até agora, Karius e Mignolet indicaram que poderiam chegar ao nível que um clube com as pretensões do Liverpool precisa. 

O Liverpool deve corrigir esses dois problemas nos próximos meses. Naby Keita já está confirmado para o meio-campo, a especulação é forte em torno da chegada de Nabil Fekir e mais jogadores devem ser contratados. Com as falhas de Karius, simplesmente não dá para imaginar um cenário em que o clube não vá forte atrás de um goleiro. Mas, em Kiev, pagou um preço muito alto por ter negligenciado essa questões por tanto tempo.