O Leicester de 2015/16 não voltará mais. Claudio Ranieri saiu, N’Golo Kanté e Danny Drinkwater foram vendidos, Craig Shakespeare também não teve vida longa, outros destaques não rendem mais o que se viu na temporada histórica. Ainda assim, as Raposas são capazes de espasmos. E um deles aconteceu nesta terça-feira, no Estádio King Power, em grande estilo. Atuando como o velho campeão, o Leicester derrotou o Tottenham. Fez um primeiro tempo grandioso, resgatando algumas virtudes daquela campanha. Sobretudo, porque contou com o brilhantismo de Jamie Vardy e Riyad Mahrez. Quando os dois ídolos resolvem mostrar o que sabem, não há o que os segure. Assim aconteceu com os Spurs, que até reagiram e poderiam ter empatado na segunda etapa, mas viram o time de Claude Puel celebrar o triunfo por 2 a 1.

Daquela equipe titular de 2015/16, sete jogadores estiveram na escalação desta terça. E o Leicester jogou como o verdadeiro anfitrião no Estádio King Power. Teve minutos iniciais muito bons, pressionando o Tottenham e criando oportunidades. Vardy era quem mais incomodava. Justamente ele, o autor do gol que abriu o placar, aos 13 minutos. Marc Albrighton deu ótimo lançamento para o artilheiro, se projetando em velocidade às costas da defesa. Então, o camisa 9 teve seu lampejo de genialidade. Levantou voo e, de primeira, deu um belíssimo toque com o bico da chuteira, encobrindo Hugo Lloris. Verdadeira pintura.

O Tottenham responderia na primeira etapa. Não fazia sua partida mais consistente, mas passou a atacar mais. Tinha dificuldades para encontrar espaços na defesa do Leicester, especialmente pelo trabalho de Wilfred Ndidi e de Vicente Iborra à frente da zaga. Além disso, esbarrou em outro protagonista do título em 2016: Kasper Schmeichel. O dinamarquês fez duas excelentes defesas evitar o empate. Abriu o caminho para que o Leicester, buscando os contra-ataques, ampliasse a diferença. Mahrez fez uma jogadaça pela ponta direita e, depois de passar pela marcação, acertou um belíssimo chute cruzado, na gaveta de Lloris.

Na volta do intervalo, exceção feita a uma oportunidade com Shinji Okazaki, o Leicester caiu de rendimento, enquanto as alterações deixaram o Tottenham bastante ofensivo. Heung-Min Son, Fernando Llorente e Erik Lamela (de volta ao time após 13 meses) entraram em campo. O problema é que a pontaria também não ajudou os Spurs, com oportunidades claras desperdiçadas pela equipe. O gol de honra saiu só aos 34, em passe do próprio Lamela para Harry Kane (em posição irregular) finalmente superar Schmeichel. As tentativas no fim, porém, pouco valeram aos londrinos para evitar um maior prejuízo. O impacto do tropeço já se nota na tabela.

Com apenas uma vitória nas últimas cinco rodadas, o Tottenham corre o risco de terminar a rodada na sétima colocação, caso Liverpool e Burnley vençam os seus jogos. Além disso, já são oito pontos de distância para o Manchester United e a diferença para o líder Manchester City pode chegar a 16. A Liga dos Campeões, cada vez mais, se torna prioridade no Norte de Londres – tanto em se contentar com a briga pelo G-4 quanto por aquilo que pode ocorrer nas oitavas de final do torneio continental. O Leicester, por sua vez, respira aliviado. Também não vem bem nas últimas rodadas, mas o triunfo já serve para deixar as Raposas provisoriamente em nono, sete pontos acima da zona do rebaixamento. E com as esperanças de que Vardy e Mahrez possam reaparecer com tal frequência em grande nível, como fizeram tão bem na epopeia inigualável.