Na madrugada desta quinta-feira, o ex-árbitro Armando Marques não resistiu a um quadro de insuficiência renal que o levou a ser internado na terça-feira, e, aos 84 anos, morreu no Hospital CER Leblon. Um dos árbitros mais renomados de seu tempo, Armando Marques apitou duas Copas do Mundo (1966 e 1974) e decisões de campeonatos nacionais e estaduais, mas acabou mesmo lembrado pelo erro crasso que cometeu na final do Campeonato Paulista de 1973, entre Portuguesa e Santos, quando errou a contagem dos pênaltis e declarou o Peixe campeão, mesmo com a Lusa tendo ainda a chance reverter a derrota. A confusão acabou posteriormente dividindo o título entre os dois, mas essa não foi a única grande polêmica do árbitro segundo ele próprio.

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Em 1971, Palmeiras e São Paulo chegaram à última rodada do returno do Paulistão com chance de ficarem com a taça. O Tricolor liderava a competição com 34 pontos e precisava apenas de um empate, enquanto ao Alviverde, com 33 pontos, apenas a vitória interessava. Depois de Toninho Guerreiro ter inaugurado o placar, o Palmeiras foi atrás do resultado e chegou a empatar o jogo com Leivinha, de cabeça, o que acirraria ainda mais o jogo. Mas não para Armando Marques. O árbitro viu a cabeçada do palmeirense como um toque de mão e anulou o gol, revoltando os jogadores do Palmeiras, que acabou perdendo o jogo por 1 a 0 e viu o São Paulo levar a taça pela segunda vez consecutiva.

Dulcídio Wanderley Boschilia, árbitro que bandeirava aquele jogo, correu para o meio do campo validando o gol. Em entrevista à TV Cultura em 1994, Dulcídio comentou que Armando não concordou com a decisão e que ambos ficaram sem se falar por três anos. Boschilia conta que, dez anos após o gol anulado de Leivinha, Armando Marques – que estava irredutível momentos após o jogo – disse que aquele havia sido o maior erro de sua carreira.

Os dois discutiram porque o auxiliar havia reiterado em entrevista depois da partida que havia corrido para o centro do campo porque o gol havia sido legal, o que revoltou o árbitro: “Você é um colega desleal”, teria lhe dito Armando, que sempre se manteve genioso. Árbitro de grandes jogos, vilão para alguns clubes e linha dura. Assim será lembrado Armando.

Confira o gol de Leivinha e a entrevista com Dulcídio Wanderley Boschilia: