São 46 minutos do segundo tempo e o árbitro, incrível!, deu apenas dois de acréscimo. Sem muito tempo para enrolar, Barcos limpa a jogada da intermediária e cruza na área. Rhodolfo, sem marcação desvia de cabeça… para fora!

Não, não foi isso o que aconteceu. A finalização de Rhodolfo foi certeira, entrou no canto esquerdo de Guzmán. O Grêmio arrancou um importante empate fora de casa contra o Newell’s Old Boys, provavelmente o melhor time não-brasileiro da Libertadores 2014. Aliás, não foi apenas importante, foi fundamental. E o melhor jeito de entender quão fundamental foi esse ponto no Coloso del Parque é imaginar que a cabeçada de Rhodolfo foi meio metro mais para a esquerda e foi para fora.

Então, voltemos ao primeiro parágrafo. A bola saiu, no último suspiro gremista. O Newell’s venceu por 1 a 0 com um gol de Maxi Rodríguez em falha de Marcelo Grohe (que não deve ser condenado, pois tinha crédito após um punhado de boas intervenções na partida). Com isso, gremistas, leprosos e o Atlético Nacional passaram a dividir a liderança do Grupo 6, com 7 pontos cada. Brasileiros e argentinos estariam se classificando pelo saldo de gols, mas o Tricolor viajará para Medellín como se fizesse uma final, no mesmo Atanasio Girardot e contra o mesmo Atlético Nacional do jogo que deu o bi da América em 1995.

Façamos as contas. O Nacional uruguaio está virtualmente eliminado e, mesmo em casa, o Newell’s é favorito para o confronto platino. Se essa tendência se confirmar, os argentinos iriam a 10 pontos. Se o Atlético Nacional, também um dos times não-brasileiros mais fortes dessa Libertadores (sim, é nesse nível a dificuldade do grupo do Grêmio), vencer os gaúchos na Colômbia, igualaria os 10 pontos dos rosarinos.

Assim, os gremistas precisariam, na última rodada, vencer o Nacional na Arena (tarefa supostamente fácil) e torcer para haver vencedor no Newell’s x Atlético Nacional. Só que um empate convenientemente classificaria os dois. Ou seja, o Grêmio tem obrigação de arrancar ao menos um ponto em Medellín para não depender de uma combinação de resultados para se classificar. Situação delicada…

Vendo esse cenário fica evidente como o gol de Rhodolfo foi importante. Ele dá uma margem de erro ao Grêmio, deixa o time em condição de continuar como dono de seu destino mesmo se perder na Colômbia, pois continuaria dependendo apenas de uma vitória em casa contra o lanterna Nacional.

É um grande mérito tricolor. O Grêmio é, até agora, o clube brasileiro que tem jogado um futebol mais consistente nessa Libertadores. Não é apenas pelos pontos (o Atlético Mineiro também tem 8 e o Atlético Paranaense pode ir a 9 nesta quinta), mas pela capacidade de conseguir os resultados que precisa diante de oponentes duríssimos.

Seria uma pena se esse bom futebol ficasse na berlinda, com a classificação ameaçada, por causa de alguns centímetros. Mas o desvio de Rhodolfo teve a direção certa, e o Grêmio dá pinta de que conseguirá a classificação.