Vencedores e vencidos são colocados em lugares opostos na história. Aos que triunfam, a glória de serem lembrados eternamente. A satisfação do nome escrito em uma galeria seleta, dentre os melhores. Aos que sucumbem, resta a incerteza da memória – e a bondade daqueles que também podem vê-los como infelizes para sempre, aqueles que chegaram tão perto do topo e caíram de uma altura maior do que todos os outros derrotados. A antítese entre ganhadores e perdedores, no entanto, foi subvertida pela Ponte Preta.

A Ponte Preta saiu derrotada da final da Copa Sul-Americana. E é óbvio que a decisão foi sentida pelos pontepretanos, a poucos gols do primeiro título de seus 113 anos, o maior feito de um clube do interior do Brasil. O revés por 2 a 0 para o Lanús ficou marcada tanto pela superioridade do Granate em La Fortaleza quanto pela falta de forças da Macaca. Também pela festa fantástica dos argentinos, que deram um espetáculo tanto visual quanto sonoro, sem parar de cantar por um segundo. Olhando para trás, mesmo assim, a equipe campineira pode sentir orgulho.

Foi uma campanha acima dos limites. Vélez Sarsfield e São Paulo, donos do continente em outras épocas, foram surpreendidos pela Ponte. Do rebaixamento no Brasileirão, o clube ficou a um triz da Libertadores. A limitação do elenco se transformou em trunfo, diante da raça empreendida pelos comandados de Jorginho. Os pontepretanos fizeram o impossível uma, duas vezes. Na terceira, faltou gás e repertório para bater um adversário que não é brilhante, mas é muito eficaz.

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Afinal, o sucesso do Lanús na Argentina não é à toa. O Granate ficou entre os quatro primeiros na tabela nas últimas três edições da liga. O Torneio Inicial de 2013 entra nesta conta, com o time seguindo até a rodada final com chances de colocar as mãos na taça. Além disso, desde 2008, são cinco participações em sete possíveis na Libertadores, contando já a presença garantida no próximo ano. Mais do que qualquer outro compatriota neste período.

Algo importante para esse alto nível é a consciência do time de Guillermo Barros Schelotto sobre suas virtudes e os seus defeitos. Sabe dar o bote quando preciso, mas também se retrancar. Tem sua imagem esculpida à semelhança de Santiago Silva, seu nome mais tarimbado. Time e artilheiro não são primores técnicos, ainda que consigam superar as limitações com trabalho árduo.

O título da Copa Sul-Americana ajuda a retificar o Lanús como muito mais do que apenas um time de bairro da província de Buenos Aires. A Copa Conmebol já não era mais prataria isolada em sua sala de troféus, acompanhada pelo Apertura de 2007. O troféu de 2013 dá mais brilho a esses primeiros passos, assim como reforça a regularidade recente com um selo que faltava – sua parte na  de eternização dos campeões.

De volta ao Brasil, a Ponte Preta não conta com essa marca de referência. Não faz tanta falta assim. O título seria excelente, ainda que os 113 anos de história da Macaca foram escritos sem louros. Um dos passados mais ricos do futebol brasileiro, apesar disso. Os nomes dos brasileiros que disputaram a final não estarão em um livro de ouro. Mas a lembrança de quem viveu essa campanha tratará de fazer jus à epopeia.