O Napoli ajudou a Juventus poucas horas antes do compromisso dos líderes da Serie A. Visitando o Sassuolo, os celestes não passaram do empate por 1 a 1. De qualquer maneira, a Velha Senhora precisava fazer a sua parte. E não seria simples a sua missão ao encarar o Milan, mesmo com o apoio da torcida no Estádio Allianz. Os rossoneri foram melhores em boa parte do tempo. Mas ao final, a qualidade do elenco juventino pesou. Douglas Costa e Juan Guillermo Cuadrado saíram do banco para bagunçar a partida e, com a ajuda de Sami Khedira, garantiram a suadíssima vitória por 3 a 1. Resultado gigante, rumo ao heptacampeonato, apesar de todo o cansaço que pode pesar nas pernas às vésperas do duelo com o Real Madrid, pela Liga dos Campeões.

A Juventus entrou em campo escalada no 3-5-2, com o retorno de Giorgio Chiellini ao miolo da zaga. Além disso, Gonzalo Higuaín e Paulo Dybala formavam a dupla de ataque. Do outro lado, o Milan estava composto no 4-3-3, com trinca ofensiva alinhada por Hakan Çalhanoglu, Suso e André Silva. O grande interesse, de qualquer maneira, estava em Leonardo Bonucci. Pela primeira vez o zagueiro retornava a Turim desde sua saída da Velha Senhora e não foi bem recebido, com muitas vaias e xingamentos vindo das arquibancadas.

Antes que a bola rolasse, um belo momento no Allianz Stadium. A torcida juventina aplaudiu Emiliano Mondonico, histórico técnico italiano que faleceu nesta semana e que, entre outros trabalhos, marcou época no rival Torino. Já nos primeiros minutos, a Juve mostrou quem mandava. Primeiro Gianluigi Donnarumma realizou grande defesa em chute de longe de Higuaín. Pouco depois, porém, não teria o que fazer. Dybala recebeu na faixa central e também soltou o pé, no cantinho, estufando as redes. Depois de ser ignorado por Jorge Sampaoli, o argentino demonstrou bem por que não deve ficar longe da seleção.

Todavia, o Milan logo começou a controlar o duelo. Dominava a posse de bola e aparecia mais no campo de ataque. Passou a criar chances. Na primeira grande oportunidade, André Silva cabeceou para fora, mesmo em ótima posição. Mas os rossoneri insistiam, principalmente pelo alto. Acabariam marcando o gol aos 28, justamente com o personagem da noite: Leonardo Bonucci. Çalhanoglu cobrou escanteio pela esquerda e o zagueiro se antecipou à marcação, vencendo Gianluigi Buffon. Não apenas comemorou contra o ex-clube como fez um gesto interpretado como se mandasse os torcedores bianconeri “lavarem sua boca”.

A Juve tentou responder no fim da primeira etapa, sem assustar. Já no segundo tempo, Douglas Costa entrou na ala direita, no lugar de Stephan Lichtsteiner. Mesmo que os juventinos tivessem mais a bola, acabavam travados pela defesa rossonera. E quando partia ao ataque, o Milan era bem mais agressivo, especialmente pela qualidade de seus pontas nos chutes. Çalhanoglu carimbou o travessão, enquanto Suso exigiu duas defesas de Buffon. Era uma grande atuação dos visitantes.

Donnarumma só voltou a trabalhar aos 29. Higuaín saiu na cara do gol, mas parou em defesaça do goleiro. O árbitro, de qualquer maneira, flagrou o impedimento. Era o sinal de que a Juve voltava a crescer, encontrando as brechas. E as alterações de Massimiliano Allegri pouco antes, com as incursões de Juan Guillermo Cuadrado e Rodrigo Bentancur, valeram demais. O segundo gol saiu aos 35 minutos, a partir de uma boa jogada de Douglas Costa. Sami Khedira recebeu na ponta esquerda e cruzou na medida para Juan Guillermo Cuadrado cumprimentar de cabeça. Após três meses parado por uma pubalgia, o colombiano precisou de míseros 20 minutos para se provar essencial. Já aos 42, caberia o terceiro da Velha Senhora. Douglas Costa mais uma vez iniciou o lance, Dybala recebeu dentro da área e serviu Khedira, que não perdoou e fechou a contagem.

O resultado vale ouro à Juventus na luta do Scudetto. O time chega aos 78 pontos, agora quatro de vantagem sobre o Napoli. Ao contrário dos celestes, demonstram ainda mais força nesta reta final da competição, logo se refazendo do tropeço contra a Spal na rodada passada. Já o Milan lamenta a derrota, em uma noite que merecia mais, até porque seus dois principais concorrentes por um lugar na próxima Liga dos Campeões venceram. Os rossoneri agora têm 50 pontos, a sete da Lazio (com um jogo a mais) e a oito da Inter. Para celebrar, apenas o tropeço da Roma, mas que já está a dez pontos. Finda-se a série invicta do time de Gattuso na Serie A, que durava desde dezembro.