Italy Soccer Serie A

O Milan merece os parabéns, mas nada parece superar a competência da Juve

Ignore os quilométricos 34 pontos de distância que agora separam os dois times na Serie A. Milan e Juventus fizeram um clássico no San Siro no qual o que importou foi o peso das camisas, não a fase dos times. Os rossoneri esqueceram que vivem uma temporada torturante, encarando de igual para igual os líderes do campeonato. Foram melhores durante boa parte do tempo e poderiam muito bem ter vencido. No entanto, a Vecchia Signora não é tão dominante na Itália à toa. Algo demonstrado pelo poder de decisão da equipe neste domingo. A Juve aguentou o sufoco atrás e, graças aos seus homens de frente, venceu por 2 a 0.

A derrota, é lógico, não é o resultado que os milanistas queriam. Mas eles podem sair de cabeça erguida. A equipe de Clarence Seedorf fez o que se espera de um clube com tanta tradição. Não quis muito saber qual era a sequência recente de invencibilidade da Juventus e se impôs em Milão. Trabalhou muito bem a bola com Riccardo Montolivo. E tinha ótima movimentação pelos lados do campo, com Adel Taarabt e Kaká. Não abriu o placar por centímetros.

Primeiro, porque Gianluigi Buffon é um grande goleiro. Foram várias boas defesas do veterano, que não precisa ser plástico para ter uma noite espetacular. Basta seu posicionamento impecável. Depois, porque mesmo quando o camisa 1 estava batido, a defesa apareceu para ajudar. O melhor exemplo veio em um chute de Kaká, que Leonardo Bonucci mudou a trajetória rumo às redes. O Milan era intenso, como poucas vezes. E, mesmo sem Mario Balotelli, Giampaolo Pazzini tinha boa participação no comando do ataque.

Mas não pense que a Juventus era só suor. Os visitantes queriam um momento, o bote certeiro. Ele quase veio quando Lichtsteiner chutou à queima-roupa e Abbiati fez uma defesa espetacular, com o joelho. E se concretizou realmente já no fim do primeiro tempo. A defesa rossonera deu mole, sim, mas os homens de frente da Juventus têm muitos méritos, principalmente Claudio Marchisio. Com a dura missão de substituir Arturo Vidal, o italiano não dava a mesma presença física ao meio-campo, mas contribuía com inteligência. Arquitetou uma troca de passes rápida, que terminou com a conclusão de Fernando Llorente.

O segundo tempo foi mais equilibrado. O Milan seguia com mais domínio do campo, mas não encontrava tantas brechas para ameaçar o gol de Buffon. Do outro lado, a Juventus continuava na espreita. Bastou se descuidarem de Tevez por um momento para que o craque soltasse um míssil de fora da área, sem chances para Abbiati. O artilheiro da Serie A, com 15 gols. Um gol que foi chave para fazer os anfitriões desmoronarem. Seedorf até tentou mudanças rápidas no time, sem efeito. Com duas bolas na trave, de Pirlo e Pogba, a Juve esteve mais próxima do terceiro gol do que o Milan do primeiro, também carimbando o poste com Robinho no fim.

Ainda restam 12 rodadas, 36 pontos a se disputar. Mas, com 11 de vantagem sobre a Roma, nem uma hecatombe parece ser suficiente para derrubar a Juventus, ainda mais com toda essa competência. A hora agora é de olhar para o Milan. São 17 pontos de distância da zona de classificação para a Liga dos Campeões, mas só seis para a Liga Europa. Uma meta mais modesta para o clube sete vezes campeão continental. Ainda assim, um primeiro passo importante para uma equipe que tem evoluído muito nas últimas semanas. Não custa sonhar.

Formações iniciais

Milan Juventus

Destaque do jogo

Fernando Llorente. O atacante não fez mais que a sua obrigação ao marcar o primeiro gol e também perdeu uma boa oportunidade no primeiro tempo, antes de Abbiati realizar grande defesa. Mas não é só a capacidade de balançar as redes que torna o centroavante importante para a Juventus. O espanhol brigou por espaços e abriu brechas para os companheiros. Mais do que isso, também se aplicou sem a bola, dificultando a saída de jogo do Milan. E ainda garantiu o alívio quando a Vecchia Signora tomava pressão no primeiro tempo.

Momento chave

O milagre da defesa da Juventus, aos 26 minutos. O ataque do Milan fez boa trama e Kaká recebeu a bola com liberdade na área. Primeiro, Buffon espalmou o chute cruzado do camisa 22. Com o goleiro batido, o brasileiro teve a segunda chance, mas Bonucci afastou em cima da linha. Poderia ter aberto o placar para os rossoneri, que pressionavam naquele momento.

Os gols

44’/1T – GOL DA JUVENTUS! Após bola espanada pela defesa do Milan, a Juventus troca passes com liberdade na área. Marchisio e Tevez participam da jogada, mas é Lichtsteiner quem vai à linha de fundo e cruza para Llorente arrematar de pé direito.

23’/2T – GOL DA JUVENTUS! Tevez recebe livre na intermediária. O atacante resolve soltar a pancada e a bola toca o travessão antes de entrar, indefensável para Abbiati.

Curiosidade

Juventus e Milan são os dois times que mais finalizam na Serie A: são 17,2 chutes de média dos bianconeri e 17 dos rossoneri. Não é coincidência o jogo movimentadíssimo deste domingo.

Ficha técnica

MILAN 0×2 JUVENTUS

Milan_escudoMilan

Christian Abbiati, Ignacio Abate, Adil Rami, Daniele Bonera e Urby Emanuelson; Riccardo Montolivo (Keisuke Honda, 25’/2T) e Nigel De Jong; Adel Taarabt (Robinho, 30’/2T), Andrea Poli (Riccardo Saponara, 8’/2T) e Kaká; Giampaolo Pazzini. Técnico: Clarence Seedorf.

Juventus_escudoJuventus

Gianluigi Buffon, Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Martin Cáceres; Stephan Lichtsteiner (Simone Padoin, 39’/2T), Claudio Marchisio, Andrea Pirlo, Paulo Pogba e Kwadwo Asamoah; Carlos Tevez (Sebastian Giovinco, 47’/2T) e Fernando Llorente (Pablo Osvaldo, 45’/2T). Técnico: Antonio Conte

Local: Estádio San Siro, em Milão (ITA)
Árbitro: Marco Guida (ITA)
Gols: Fernando Llorente, 44′/1T; Carlos Tevez, 23′/2T.
Cartões amarelos: Bonera (Milan), Pirlo e Marchisio (Juventus)
Cartões vermelhos: nenhum