Há exatos 30 anos, o Grêmio conquistava a maior glória de sua história. A Libertadores é especial para os Tricolores, levantada por duas vezes entre o sangue de Hugo De León e as mãos de Adilson. Ainda assim, aquele 11 de dezembro de 1983 é único para os gremistas. Era a imposição dos gaúchos sobre o Hamburgo, os representantes da Europa; sobre o planeta, simbolizado pelo Mundial Interclubes.

O talento sob as ordens de Valdir Espinosa era evidente. De Mazaropi a Tarciso, o Grêmio possuía uma equipe tarimbada para ser campeã. Para ocasião, ainda ganhou as adições de Mário Sérgio e Paulo César Caju – em uma estratégia um tanto quanto arriscada, mas que acabou dando certo. No entanto, coube ao garoto Renato, promessa criada na Azenha, decidir aquela final. Foram dois gols do atacante, um deles já na prorrogação, para dar a vitória aos tricolores, fazê-los os melhores do mundo.

Daquele momento, Renato partiria para a eternidade no Olímpico. Por mais que tenha alcançado seus outros grandes feitos – ainda menores do que aquele de Tóquio – no Rio de Janeiro, o ‘Gaúcho’ seria sempre o xodó Portaluppi para seus conterrâneos. Um título enorme o suficiente para alçá-lo ao posto de maior ídolo da história gremista.

E o feito do Grêmio não se mede apenas pela vitória, mas também pelo tamanho de seus derrotados. Ainda que seu presente não dê pistas disso, aquele Hamburgo foi um dos maiores esquadrões da história do futebol alemão. Diante do declínio do Bayern de Munique de Franz Beckenbauer, os Rothosen foram um dos herdeiros do trono. Não por menos, até mesmo o Kaiser chegou a vestir a camisa do clube no fim da carreira, como mero coadjuvante.

hamburg

A maior façanha daquele Hamburgo foi resgatada pelo Bayern de Heynckes e Guardiola. Foram 36 partidas consecutivas de invencibilidade entre janeiro de 1982 e janeiro de 1983, mais de um ano sem serem derrotados na Bundesliga, recorde quebrado apenas 30 anos depois pelos bávaros. Uma sequência que serve de recorte para a hegemonia dos hamburgueses, três vezes campeões e três vezes vices na Alemanha em um intervalo de seis anos, entre 1979 e 1984, além de vice da Copa da Uefa em 1982.

Um timaço comandado por Ernst Happel e que, em 1978 e 1979, chegou a conquistar a Bola de Ouro com Kevin Keegan. O astro inglês já não estava no time em 1983, vendido Southampton três anos antes. Ainda assim, a qualidade sobrava. Uli Stein era o goleiro, um dos maiores ídolos da torcida. Felix Magath, o cérebro no meio-campo, com dez anos de clube. E Horst Hrubesch, o encarregado de balançar as redes, eternizado pelos gols decisivos com a seleção alemã na final da Euro 1980.

Na caminhada rumo ao título da Liga dos Campeões 1982/83, o Hamburgo deixou para trás Dynamo Berlim, Olympiacos, Dynamo Kiev e Real Sociedad. Seu maior desafio, todavia, estava guardado para a final. O adversário era a Juventus, com uma equipe que servia de base para a seleção italiana campeã do mundo em 1982, mais as adições preciosas de Michel Platini e Zbigniew Boniek. Ainda assim, a Velha Senhora amargou a derrota por 1 a 0 em Atenas, golaço de Magath logo aos nove minutos do primeiro tempo.

A maior conquista do Hamburgo em território internacional pararia por ali. Por mais que os alemães tenham se empenhado em Tóquio, prevaleceu a superioridade do Grêmio naquela tarde de dezembro, os gols mágicos de Renato no triunfo por 2 a 1. Um momento para os tricolores guardarem eternamente. E que pode ser visto na íntegra. Confira os 120 maiores minutos da história gremista no vídeo: