FORTALEZA – Desde a saída de São Paulo para Fortaleza, ficou claro: os mexicanos estão em toda parte. Os brasileiros, é claro, são maioria. No aeroporto, muitas camisas amarelas, muitos torcedores viajando para os mais diversos lugares do Brasil. No aeroporto de São Paulo, as nacionalidades uniformizadas são muitas. Além dos brasileiros, mexicanos, colombianos, chilenos, sul-coreanos, russos (um deles com uma enorme bandeira da Rússia cobrindo a mochila) e americanos, vestidos das mais diversas formas de representar a bandeira do país e suas estrelas.

FUTEBOL NA VEIA: Está viajando? Então saiba onde rola a picardia na Copa

E para Fortaleza, onde a seleção brasileira joga. Mas muitas camisas verdes (e algumas vermelhas) do México. No hotel, aqui pela manhã, mais camisas mexicanas. Os brasileiros soltam as cornetas, buzinas e fazem barulho desde cedo aqui na capital cearense, mas não se vê um mexicano triste. Todos eles parecem confiantes.

Na rua, muita gente já parece estar celebrando às 9h da manhã. Conversando com a guia, ela conta que muitos costarriquenhos estavam por aqui até domingo. “Eles disseram que era a chance deles virem um jogo de Copa. Nas outras, era muito longe e muito caro para ir”, descreve Débora. De fato, em 1990, a primeira copa da Costa Rica, o torneio foi na Itália. Em 2002, no Japão e Coreia do Sul. E em 2006, foi na Alemanha. Em 2010 o país não chegou à Copa.

“Eles combinaram antes do jogo que iriam comemorar se ganhassem, que também comemorariam se empatassem e, bom, se perdessem, teriam que comemorar também”, ela contou, rindo. Débora diz que conversou com um grupo que tinha 500 costarriquenhos. A cidade estava mesmo cheia de uruguaios, que até ficaram bravos quando os brasileiros, no estádio, passaram a gritar olé na vitória da Costa Rica. “O estádio estava muito cheio de azul, mas eles não gostaram dos brasileiros terem começado a torcer pela Costa Rica. Teve até algumas brigas no estádio”, conta Débora.

A cidade já se prepara para a chegada dos alemães, que jogam no sábado aqui em Fortaleza. Já se vê alguns alemães, provavelmente aqueles que não estiveram em Salvador nesta segunda-feira, mas ainda é raro os ver circulando por aqui. Grécia e Costa do Marfim também irão  jogar por aqui, mas esse é um jogo que as pessoas que trabalham com turismo lamentam. Afinal, nenhum dos dois deve trazer muitos turistas. Afinal, brinca Débora, com a crise no país europeu, eles têm que se preocupar com outras coisas além de viagens para o Brasil. Os marfinenses também não geram tanta expectativa de encherem a cidade, mas devem ser maioria no jogo no dia 24, a próxima terça-feira.

VEJA TAMBÉM: Seguidor de Hendrix leva o blues e o rock and roll às ruas de Salvador

Há também a expectativa pelos jogos da fase de mata-mata. Fortaleza receberá o jogo entre o primeiro colocado do Grupo B, que tem Espanha, Holanda, Chile e Austrália, e o segundo do Grupo A, justamente o do Brasil. Os mexicanos certamente esperam estar nesse jogo. Depois, nas quartas de final, se o Brasil passar pelas oitavas, jogará novamente por aqui. E a cidade espera poder ser tão marcante na campanha brasileira como foi na Copa das Confederações.

Nesta terça-feira é dia de Brasil e México e a impressão é que os mexicanos, mesmo em clara minoria, como não poderia ser diferente, farão barulho no Castelão. A empolgação está grande, a expectativa também. Um enorme navio de Cruzeiro que trouxe cerca de três mil mexicanos está ancorado no porto. O México pode até perder em campo, o resultado mais provável. Mas fora de campo, não há como perder. Estão aproveitando muito a Copa, brincando com os brasileiros, comemorando e cantando junto, com seus chapéus mexicanos, cantorias e bigodes. Mais do que tudo, eles parecem saber que futebol é mais do que um esporte e Copa do Mundo é muito mais que um torneio de futebol.