O momento de instabilidade social e política e de violência nas ruas vivido pela Venezuela tem assustado os jogadores. Apesar de, a cada dia, os protestos contra e a favor do governo do presidente Nicolás Maduro estarem mais violentos, o Torneo Clausura do Campeonato Venezuelano tem prosseguido, com algumas partidas sendo realizadas em locais que têm sido palcos para protestos, e dois incidentes recentes envolvendo jogos motivaram a associação de jogadores do país a enviar um pedido de cancelamento da sétima rodada da competição.

No domingo, o Deportivo Táchira, que fica na cidade em que se iniciaram os protestos, recebeu o Atlético Venezuela, mesmo tendo pedido para que a data da partida fosse trocada, por causa dos protestos marcados para o dia. A solicitação não foi aceita pela Federação Venezuelana, e o clube decidiu realizar o duelo com portões fechados. Ainda assim, o jogo teve que ser finalizado antes mesmo dos 90 minutos, por causa de explosões nos protestos nas ruas próximas ao estádio.

No mesmo dia, Estudiantes de Mérida e Lllaneros também tiveram problemas em decorrência das manifestações. Com os protestos violentos nos arredores do Estádio Metropolitano, em Mérida, as pessoas presentes no jogo tiveram que permanecer no palco da partida por algum tempo após o apito final.

Confira aqui o texto de solicitação da Associação Única de Futebolistas Profissionais da Venezuela para que a sétima rodada do Venezuelão seja cancelada

Uma série de protestos que teve três mortes logo em seu primeiro dia e vem crescendo gradativamente, tanto em número quanto em violência, de fato, complica a realização de eventos esportivos. Quando logo no primeiro final de semana desde que as manifestações se iniciaram dois incidentes já são registrados em partidas do Campeonato Venezuelano, é muita irresponsabilidade da federação recusar-se a cancelar a rodada seguinte. Tudo bem que existem alguns compromissos comerciais a serem respeitados, mas está claro que não há como garantir a segurança dos torcedores ou até mesmo dos atletas, que se deslocam de ônibus para os jogos. Se há um limite aceitável para a manutenção de partidas sob risco de violência, esse limite certamente já foi ultrapassado na Venezuela. Não há sentido manter a realização de um evento se sua segurança não pode ser garantida.