A semana é significativa ao Nacional de Montevidéu. Na próxima segunda-feira, completam-se 100 anos da morte de Abdón Porte. E, mais do que um dos maiores ídolos do Bolso, o meio-campista também pode ser considerado um mártir tricolor. Em 5 de março de 1918, o capitão tirou a sua própria vida no centro do gramado do Parque Central. Multicampeão, El Indio foi um dos símbolos do time durante a década, assim como fez parte da seleção uruguaia campeã da Copa América de 1917. Entretanto, o craque não suportou as consequências de seu declínio. Aos 25 anos, ouvia as vaias da torcida que antes o aplaudia e foi relegado ao banco de reservas. A depressão o afligia. Então, depois de seu último jogo, ao saber que definitivamente não seria mais titular, Porte tomou uma decisão extrema. Entrou no estádio vazio e deu um tiro no peito. Deixou uma carta ao presidente, declarando seu amor ao Nacional.

Desde então, a torcida tricolor exalta a história de Porte em todas as partidas, enquanto um dos setores do Parque Central leva o seu nome. E o clube aproveita a data emblemática para relembrar a antiga lenda. Vestirá uma camisa especial na rodada deste domingo, pelo Campeonato Uruguaio, na visita ao Progreso. O vermelho escuro faz referência ao sangue do meio-campista. Já nas costas, logo abaixo da gola, há um selo especial. Melhor maneira de prestar tributo ao próprio passado e à memória de quem desejou honrar o Nacional até o seu último dia.

Na próxima segunda, data exata do centenário, publicaremos uma matéria sobre o assunto. Abaixo, reproduzimos o poema escrito por Abdón Porte em sua carta derradeira:

“Nacional, ainda que em pó convertido
e em pó sempre amante.
Não esquecerei um instante
o quanto te amei.
Adeus para sempre”.