A imagem rodou o mundo desde quarta-feira. Ao final do jogo contra a Chapecoense na Arena Condá, vencido pelo Nacional por 1 a 0, um torcedor tricolor chegou ao extremo da imbecilidade: sem qualquer sinal de humanidade em relação à tragédia que vitimou 71 pessoas e deixou centenas de pessoas desamparadas, dois boçais imitaram um avião. Ignorâncias do tipo não são incomuns em desastres aéreos ligados ao futebol – vide o que acontece a Manchester United ou Torino com certa frequência. Os uruguaios, entretanto, trataram de se contrapor. Agiram rápido e com firmeza para assinalar sua postura.

Primeiro, o Nacional enviou cartas à Chapecoense e à Conmebol pedindo desculpas pelos indivíduos. “Fazemos chegar ao presidente nosso mais íntimo e profundo sentimento de vergonha e solicitamos encarecidamente que aceite nossas mais intrínsecas manifestações de desculpas, diante do horroroso e repudiável gesto cometido por dois indivíduos de nossa instituição. Lamentavelmente, muitas mentes doentias canalizam sua irracionalidade aos cenários esportivos, e todos os clubes, não só em nosso continente, se veem confrontados com este verdadeiro flagelo, por mais esforços se façam por combatê-los. É muito difícil encontrar as palavras adequadas, apelamos à vossa indulgência para compreender a nossa inquietação e aceitar nossas desculpas”, escreveram os tricolores, ainda relembrando as homenagens massivas ocorridas no Parque Central durante o confronto pela Libertadores 2017.

Além disso, o Nacional não se restringiu apenas às palavras para demonstrar sua oposição à postura idiota de ambos os indivíduos. Os dois eram sócios do Bolso e acabaram expulsos pelo clube. Os dirigentes também comunicaram a decisão às autoridades, passando os dados de ambos, para que não tenham autorizada a entrada em eventos esportivos. A princípio, não voltarão mais ao Parque Central.

Na próxima quinta, a Conmebol vai julgar o episódio através de seu comitê disciplinar e avaliará quais as punições cabíveis ao Nacional. A Chapecoense, por sua vez, entrará com uma ação para que a decisão da entidade continental aconteça antes do jogo de volta (marcado para a próxima quarta-feira) ou para que o reencontro seja adiado. Com base no regulamento, a diretoria dos catarinenses solicita a exclusão do Bolso por conta dos dois boçais.