Claudio Ranieri começou sua empreitada na Ligue 1 sem muito sucesso. O Nantes tinha uma tabela pouco afável nas primeiras rodadas. Primeiro, visitou o incensado Lille de Marcelo Bielsa, e não resistiu diante da ofensividade dos anfitriões – curiosamente, desde então os Dogues não venceram mais. Depois, os auriverdes receberam o Olympique de Marseille, outro gigante que investe alto nesta temporada, e acabaram derrotados em casa. As interrogações sobre o italiano, que o acompanham durante boa parte da carreira, logo pintaram entre os torcedores franceses. Mas logo os Canários se recuperaram. E, cinco rodadas depois, o Nantes de Ranieri já ronda a zona de classificação à Champions, na sexta posição do campeonato.

O Nantes somou 13 dos últimos 15 pontos disputados. Tudo bem que a sequência na competição foi bem mais digesta ao clube. Tiveram um pouco mais de trabalho contra o Lyon, no Stade de la Beaujoire, mas o empate por 0 a 0 já satisfez os anfitriões. De resto, foram quatro vitórias dos Canários. Bateram Troyes, Montpellier, Caen e Strasbourg. Neste domingo, a equipe de Ranieri visitou o Stade de la Meinau e viu o Strasbourg sair em vantagem. Contudo, conseguiu a virada rapidamente, com dois gols antes dos 25 do primeiro tempo – um deles, em chutaço de Léo Dubois. E depois segurou na raça a vitória por 2 a 1, com direito a bombardeio do time da casa e bola espetacularmente salva em cima da linha durante os acréscimos da etapa final.

Como outros times de Ranieri, o Nantes aposta fortemente em sua defesa. São apenas cinco gols sofridos, terceiro melhor no quesito. Em compensação, o ataque produz pouquíssimo. Foram cinco gols marcados em sete rodadas. Exceção feita ao triunfo deste domingo, todas as outras vitórias aconteceram pelo placar mínimo. Há outros traços de Leicester neste início de trabalho. Os Canários têm o menor percentual de posse de bola entre os 20 participantes da Ligue 1 e é o time que menos troca passes. Em compensação, aposta fortemente nas bolas longas e em sua precisão nas poucas finalizações. É uma equipe de ações diretas e verticais, que joga pouco em sua intermediária.

Durante a janela de transferências, o Nantes ganhou uma série de reforços interessantes, mesmo sem gastar tanto em contratações. Entre os novatos estão o goleiro Ciprian Tatarusanu, o zagueiro Nicolas Pallois, o volante Andrei Girotto, o ponta Yassine El Ghanassy e o atacante Kalifa Coulibaly. Juntam-se a uma base razoavelmente preservada em relação à temporada passada, quando o time já beirou a zona de classificação à Liga Europa, terminando a Ligue 1 na sétima colocação. O desafio de Ranieri será justamente arredondar o elenco e recolocar os Canários no cenário continental, como foi costumeiro por décadas, com 21 participações até 2001/02.

O próprio estilo de Ranieri, de certa forma, alude às melhores lembranças do Nantes. A verticalidade era um traço característico do timaço de Jean-Claude Suaudeau, responsável por levar os Canários à conquista da Ligue 1 em 1994/95, com números marcantes. Aquela equipe, entretanto, por mais que não tivesse tanta posse de bola, apresentava um jogo belíssimo como toques de primeira e ataques fulminantes, que acabavam rendendo muitos gols. Em outros tempos de futebol, talvez o italiano não conseguia reproduzir à risca este ideal. De qualquer forma, o respaldo e a confiança que recebe da diretoria já são suficientes para realizar um bom trabalho na Beaujoire. Em uma temporada na qual a disputa pela Champions também subiu de nível na Ligue 1, o Nantes tenta se meter entre os possíveis candidatos.