Carlos Vela nunca foi aquilo tudo que se esperava. A promessa das seleções mexicanas de base nunca explodiu no Arsenal. Pouco importa. Por mais que tenha frustrado a muitos que apostaram em seu futebol, o atacante se tornou um bom jogador. Não é o craque de um gigante da Premier League, mas é o protagonista de um clube médio de La Liga, a Real Sociedad. O suficiente para ser o melhor jogador mexicano da atualidade. Porém, que não estará na Copa de 2014.

Os problemas de Vela passam pela desorganização que tanto atrapalhou La Tri nas Eliminatórias. O jogador entrou em rota de colisão com Jorge Vergara, presidente do Chivas Guadalajara e membro da alta cúpula da Federação Mexicana de Futebol. A relação com o dirigente contaminou também o trato de Vela com outros membros da seleção. E isso, somado à pressão de render muito – tanto pela fama na Europa quanto pela audácia de peitar o cartola – fizeram o atacante encontrar diferentes motivos para recusar seguidas convocações.

Obviamente, a resistência contra Vela também tem sua parcela de razão. O atacante protagonizou alguns episódios de desobediência, tanto fora de campo como dentro, ignorando as instruções de alguns técnicos. O fato é que sua última aparição pela equipe nacional aconteceu em 2011, mesmo chamado para as Olimpíadas e para a reta final das Eliminatórias desde então.

Nesta segunda, o descarte de Vela foi confirmado. O técnico Miguel Herrera tentou fazer uma última aproximação, sem êxito: “Notamos que não havia compromisso, desejo de defender a seleção. Você compreende isso, mas não compartilha. Vejo Zlatan incomodado porque não vai à Copa, os colombianos desesperados por Falcao. Mas cada um toma sua decisão e não sou eu que julgarei”, declarou Herrera. Já na nota oficial, a federação afirma que “Vela se manifestou que não está 100% do ponto de vista mental e emocional para enfrentar o Mundial”.

Ao que tudo indica, não há inocentes nessa história. Vela deve estar mesmo fazendo birra para servir a seleção, depois de todos os problemas que teve. Assim como a federação também tem suas exigências sobre o atacante, para não trazer para dentro da concentração um ‘exemplo de indisciplina’. O problema é que as duas partes perdem com tamanha intransigência. Vela, por ficar de fora de um Mundial que poderia marcar sua carreira. E o México, por não ter disponível a melhor opção disponível para seu ataque. Um problema que poderia ser resolvido se ambos resolvessem abrir mão de parte de seus orgulhos.

É claro que Vela não é o craque que carregará sua seleção nas costas rumo à final do Mundial. Mas o atacante pode fazer a diferença, ainda mais considerando a péssima fase vivida pelos mexicanos e o grupo equilibrado no qual estão – em teoria, disputarão a segunda vaga do Grupo A contra Croácia e Camarões, tentando atrapalhar o Brasil na liderança. Por puro orgulho, nenhuma das duas partes ganha. E a torcida mexicana, no centro dessa queda de braço, fica sem o ídolo e sem tantas esperanças de uma campanha consistente na Copa.