Casillas foi excepcional contra o Espanyol, apesar de jogar pouco (Foto: AP)

O paradoxo de Casillas: recorde individual e banco no Campeonato Espanhol

Ao mesmo tempo em que completou um Campeonato Espanhol inteiro sem entrar em campo pelo Real Madrid no último sábado, contra o Betis, Iker Casillas chegou a 592 minutos sem levar gols, recorde da sua carreira, na vitória por 1 a 0 que colocou o seu time nas semifinais da Copa do Rei, na última quarta-feira.

Esse paradoxo na carreira do melhor goleiro espanhol da história começou em janeiro do ano passado, quando ele sofreu uma lesão na mão e o então técnico José Mourinho decidiu trazer Diego López, do Sevilla. A desculpa oficial era reforçar a posição enquanto o capitão se recuperava, mas houve muito de política nessa contratação, uma forma de mostrar que ninguém é insubstituível no Real Madrid e sublinhar o comando do português nos vestiários.

O primeiro semestre excepcional de López impediu que ele recuperasse a titularidade absoluta com Carlo Ancelotti, que substituiu Mourinho e decidiu pelo caminho mais político. O primeiro joga o Campeonato Espanhol e o segundo na Copa do Rei e na Liga dos Campeões. Por isso, o último jogo de La Liga de Casillas foi em 20 de janeiro de 2013, contra o Valencia, exatamente 38 rodadas atrás. “Iker é tão titular quanto Diego López”, garantiu o treinador italiano.

Pelo menos no discurso, Casillas está satisfeito com a situação e não pensa em sair do Santiago Bernabéu, apesar de ser especulado em todos os times do mundo que precisam de um goleiro. “Até eu acho chato esse debate. Estou feliz com o meu desempenho individual e contente por superar uma marca pessoal. Eu gosto de jogar sempre, como todo mundo. O que tenho que fazer é treinar o melhor possível e desfrutar de quando consigo jogar porque é um prazer”, disse.

No minuto 519 dessa sequência, um antes de ele igualar o recorde individual anterior, Pizzi teve uma chance clara de gol, mas carimbou Casillas. No fim da partida, ele executou uma defesa sensacional, cara a cara com Córdoba, que está sendo comparada àquela da decisão da Copa do Mundo de 2010, diante de Arjen Robben.

Entre setembro e outubro do ano passado, Victor Valdés foi titular da seleção espanhola duas vezes seguidas, contra Chile e Bielorrússia. Casillas precisa manter a forma para impedir que Vicente del Bosque volte a duvidar da sua capacidade de defender o gol da atual campeã do mundo no Brasil, em junho. Se o Real Madrid for à final da Copa do Rei e da Liga dos Campeões, ele tem mais 11 jogos para fazer isso.

Olha a defesa dele no mano a mano com Córdoba, no final do jogo:

E a da final da Copa do Mundo da África do Sul, contra Robben: