Três grandes, três duelos, três favoritos e três quedas. Se o equilíbrio (como sempre) foi a marca registrada dos quatro confrontos das quartas de final da Liga MX, não deixa de ser curioso, contudo, o fato de os três grandes ainda restantes (o Chivas caiu já na primeira fase) na competição terem dado adeus ao torneio azteca logo na primeira lista de corte.

É claro que, como apontado na coluna da última semana, não havia favoritos destacados e nem mesmo espaço para se considerar surpresa qualquer que fosse o vencedor, graças ao intenso nível de competitividade da Primera División. Ainda assim, a queda teve um toque de crueldade para os três clubes da capital federal. Todos terminaram seus confrontos de ida com a grata sensação de dever cumprido e com grandes expectativas de avançar. E as quedas foram duras.

Um América capaz de sair de uma desvantagem de 3 a 1 para o Santos Laguna para um categórico 5 a 3 na partida de ida deixou esperançosos seus torcedores quanto a possibilidade de alcançar seu 12º título nacional, isolando-se como o maior vencedor do país. A queda em Torreón foi dolorida pelo fato do conjunto de Coapa segurar a derrota mínima que lhe dava a vaga até os 38 da segunda etapa.

Os requintes de vexame não ficaram restritos ao Azteca. Mesmo arrancando um empate nos acréscimos contra o Pachuca em Hidalgo, os Pumas de UNAM caíram em casa no jogo da volta, incapazes de segurar o ímpeto do jovem atacante equatoriano Enner Valencia, autor de um hattrick em pleno estádio Olímpico.

Para fechar, um Cruz Azul embalado pela conquista da Concachampions arrancou um empate dos atuais campeões nacionais, León, em Guanajuato, mas, mesmo abrindo dois gols de vantagem em casa, cedeu o empate e viu o fim do sonho de encerrar o jejum de 17 anos.

O que as eliminações dos três gigantes da Cidade do México têm em comum é, mais do que apontar uma má fase dos clubes da região (aliás, bem longe disso), mas a dificuldade que os favoritos encontram de se impor no futebol azteca. Desde que os “torneios cortos”, que dividem em duas a temporada local, foram instituídos, em 1996, apenas em cinco oportunidades o melhor clube da fase regular ficou com a taça. Isso em um total de 36 edições. Falando exclusivamente dos torneios a partir de 2000, somente duas vezes o Superlíder levou a melhor na Liguilla. Tanto que ficou famoso o termo de “Maldição da Superliderança”, que impediria os times que mais pontuam de vencer a Liga MX.

Mais do que uma maldição, entretanto, a preocupação tem de ser analisada mais a fundo. A dificuldade dos favoritos se confirmarem perante outros clubes pode ter reflexos diretos nos resultados da seleção nacional, bem como no desempenho dos próprios clubes em competições extracontinentais.

Mesmo reinando em absoluto nos torneios interclubes da Concacaf, vale lembrar os resultados pífios obtidos nos Mundiais de Clubes ou mesmo em Copas Libertadores, onde, apesar de ser uma pedra no sapato de clubes de centros tradicionais, os times aztecas costumam esbarrar em adversários como o inexpressivo Bolívar, que superou o León na edição atual da disputa da Conmebol. Na seleção, ainda é bem nítida a memória que os tricolores tiveram para avançar até a Copa do Mundo de 2014, por muito pouco não sendo eliminados pelos modestos panamenhos no hexagonal decisivo.

Um torneio disputado e equilibrado é ótimo para torcedores, anunciantes, dirigentes e clubes como um todo, mas a falta de confirmação do favoritismo e as dificuldades de se impor contra rivais menos tradicionais podem, sim, reverberar em todo o futebol local. Toluca, León, Pachuca e Santos têm tradição e qualidade para estarem nas semifinais. Mas as eliminações dos grandes e as dificuldades que os melhores clubes encontram para alcançar o título podem apontar não só equilíbrio, mas um sinal preocupante para todo o futebol mexicano. Um sinal de que faltam clubes realmente fortes e capazes de brigar de igual para igual com qualquer rival estrangeiro.

Curtas

México

– Seleção do site Mediotiempo das quartas de final do Clausura: Alfredo Talavera (Toluca), Jonny Magallón (León), Aarón Galindo (Toluca), Paulo da Silva (Toluca) e Daniel Arreola (Pachuca); Luis Montes (León), Ribair Rodríguez (Santos), Antonio Ríos (Toluca) e José María Cárdenas (León); Enner Valencia (Pachuca) e Édgar Benítez (Toluca); T: Gustavo Matosas (León);

Costa Rica

– Depois de sete torneios de ausência, enfim o Saprissa retornou à decisão da Primera División. Com uma vitória sobre a UCR, os Morados farão da decisão do Campeonato de Verano um sensacional tira-teima frente ao arquirrival Alajuelense, que eliminou o Herediano nas semifinais. Mais do que um simples “Clásico Nacional”, a final apontará o maior campeão costarriquenho, já que atualmente ambos dividem o posto, com 29 conquistas cada;

El Salvador

– O Dragons aproveitou o tropeço do Santa Tecla, que perdeu em visita ao Isidro Metapán, empatou com o vice-lanterna Luis Ángel Firpo e garantiu a quarta e última vaga para as semifinais do Clausura da Liga Mayor, juntando-se a FAS, Isidro e Juventud Independiente, que já haviam se classificado. Com o empate, o Firpo, dez vezes campeão nacional, confirmou sua queda para a Segunda División depois de 32 anos na elite;

Guatemala

– Depois de aplicar um categórico 4×1 no duelo de ida, o Municipal garantiu vaga nas semifinais da Liga Nacional com novo triunfo fora de casa sobre o Suchitepéquez. Os rojos irão enfrentar o Xelajú, que eliminou a Universidad SC. Mesmo também garantindo seu passe, o Comunicaciones não brilhou como o rival, superando o Coatepeque com duas vitórias mínimas. O destaque ficou por conta do líder da fase regular Heredia, que goleou o Halcones por 6×1 no sábado e tentará desbancar o atual tricampeão nacional para alcançar a decisão;

Honduras

– Já saiu o campeão hondurenho da segunda parte da temporada! E sem muitas novidades. Após dois Clássicos Nacionais sem gols marcados na decisão, o Olímpia superou o rival Marathón nos pênaltis e alcançou seu 28º título da Liga Nacional, o quinto nos últimos seis torneios disputados;

Panamá

– Mesmo rebaixado, o Río Abajo segue surpreendendo e sonhando com a taça na Liga Panamenha: o pequeno clube da capital do país impôs um 3 a 0 no duelo de ida das semifinais do Clausura sobre o tradicional Árabe Unido, líder da fase regular e maior campeão nacional, que agora terá de vencer pelo mesmo placar para garantir vaga na decisão. Na outra perna, Chorrillo e Plaza Amador disputam um “Clásico del Pueblo” a partir dessa terça para decidir quem avança;

Jamaica

– Com uma vitória sobre o Sporting Central Academy, o Waterhouse chegou aos 65 pontos em 33 jogos e manteve a ponta e uma vantagem de nove pontos para o vice-líder e atual campeão da National Premier League, Harbour View, que superou o August Town. Após bater o Rivoli United, o Tivoli Gardens alcançou 45 pontos e assumiu a quinta posição, enquanto o Portmore perdeu para o Humble Lions e segue na zona de rebaixamento, com 33 pontos;

Trinidad & Tobago

– Um empate por dois gols no confronto de líderes manteve inalterada a parte de cima da tabela da TT Pro League, com o W Connection no topo, com 46 pontos em 22 partidas, um acima do atual campeão Defence Force. Vice-lanterna, o San Juan Jabloteh soma apenas 12 pontos;

Nicarágua

– Com do colombiano José Luis Rodríguez, “El Puma”, o Diriangén venceu o duelo da volta e eliminou o Walter Ferretti, garantindo vaga na decisão do Clausura da Liga Nacional. O adversário será o Real Estelí, atual hexacampeão, que superou o Managuá com duas goleadas e um placar agregado de 10×2. Maior campeão nacional, o Cacique tenta pôr fim a uma fila de 8 anos (e 12 campeonatos);

Cuba

– Mesmo derrotado pelo Guatánamo em partida adiada da nona rodada, o Ciego de Ávila manteve a liderança do Campeonato Nacional com 29 pontos em 13 partidas, com boa margem de quatro pontos para o atual tricampeão Villa Clara, enquanto o Pinar del Río segue na lanterna, com apenas 7 pontos. Sem condições de garantir o transporte das equipes em virtude dos atos do Dia do Trabalho, a Associação de Futebol de Cuba (AFC) adiou a próxima rodada para o fim de semana;

Haiti

– Com uma impiedosa goleada sobre o Racine, o America dês Cayes ampliou a folga na ponta da Digicel Première Division, com 19 pontos em 8 rodadas. Vice-líder, o Petit-Goâve tem 14, após triunfo sobre o atual campeão Mirebalais, que segue em nono lugar, com 8;

– A Federação Haitiana de Futebol (FHF) confirmou a exclusão de RC Haitien (maior campeão nacional) e FICA (terceiro maior vencedor), bem como de Capoise, Valencia e Victory, que se recusaram a entrar em campo nas primeiras rodadas protestando contra a inclusão sem méritos esportivos de Cavaly, Racing FC, América e Violette na edição atual. Assim, a Liga Haitiana será disputada por 11 (e não 12 ou 16) clubes…