Duas falhas da defesa que custaram dois pontos. E que podem ser cobrados de maneira muito cara depois. O Flamengo desperdiçou aquela que talvez fosse sua vitória mais esperada na fase de grupos da Libertadores. Empatou por 2 a 2 contra o Bolívar no Maracanã cheio, quando nem a inspiração de Everton e a ótima participação de Paulinho no segundo tempo (e que poderia ter entrado antes) ajudaram – a pesar, também, a falta de efetividade do resto do time, especialmente na primeira etapa. Os rubro-negros fecham a primeira metade desta etapa da competição com quatro pontos e na zona de classificação, é verdade, dois pontos atrás do líder Emelec. Mas com dois jogos difíceis fora de casa pela frente, em Guayaquil e La Paz, nos quais terá que se superar.

E o resultado contra o Bolívar, dolorido pelo desempenho ruim em si, fica ainda mais dolorido ao se analisar o retrospecto dos bolivianos no Brasil. Time de seu país com mais participações na Libertadores, os celestes visitaram equipes brasileiras em 12 partidas. E esta foi apenas a segunda vez que não saíram derrotados. Nos 11 duelos anteriores, foram 37 gols sofridos e apenas seis marcados – incluindo goleadas por 5×0, 6×0 e 8×0 nos últimos três confrontos, contra Santos e São Paulo. O único a perder pontos para o Bolívar em casa até então era o Atlético Paranaense, que foi derrotado por 2 a 1 na Arena da Baixada em 2002.

Em compensação, as perspectivas para a visita a La Paz não são nada boas. Se o Bolívar é presa fácil por aqui, é um leão na altitude. Só uma vez o clube foi derrotado em casa para um brasileiro, e justamente no primeiro confronto: 2 a 1 para o Grêmio em 1983, ano em que o Tricolor se encaminhou para o título continental. A partir de então, são três empates e sete vitórias, incluindo uma sequência de quatro triunfos nas visitas de Santos (duas vezes), Grêmio e São Paulo.

É bom ao Flamengo se agarrar à experiência acumulada às últimas visitas à cidade de Potosí, onde esteve duas vezes em suas últimas quatro participações no torneio. E também aos exemplos de Unión Española e Alianza Lima, que conseguiram se impor ao Bolívar em La Paz e ajudaram a fazer o retrospecto dos celestes cair em casa – inclusive, com uma série de invencibilidade inferior à do Emelec no George Capwell (oito jogos contra cinco), o caldeirão que os rubro-negros também terão que encarar e que lhes trazem péssimas lembranças.