Felipão tem problemas para definir o seu camisa 9

O processo seletivo está aberto, mas os candidatos à camisa 9 não são muito promissores

Nesta terça-feira, Luiz Felipe Scolari convocou 16 jogadores que atuam fora do Brasil para enfrentar a África do Sul, em 5 de março, e disse que, idealmente, pretende levar dois centroavantes para a Copa do Mundo de 2014. Não vai inventar um “falso 9″, a não ser que seja obrigado, com uma arma apontada à cabeça. Ele quer jogar com um atacante de referência. O problema é o mais básico de todos: quem?

Em uma data mais próxima ao jogo no Soccer City, de Joanesburgo, Felipão vai chamar mais três atletas, dois deles atacantes. Os jogadores de ataque “estrangeiros” convocados são Neymar, Hulk e Bernard, portanto, é seguro concluir que os centroavantes que ele têm em mente jogam em terras brasileiras.

Um deles é Fred, o titular, que machucou a coxa semana passada, e Felipão não deve querer nem pensar no que vai fazer se o jogador do Fluminense não estiver em boas condições físicas em junho. Porque, se você começar a puxar pela memória e analisar os camisas 9 do futebol brasileiro, conclui rapidinho que é muito difícil ganhar uma Copa do Mundo com eles.

Exceto por Alexandre Pato, em processo de decisão se pretende continuar sendo jogador de futebol ou se contentar com a profissão de celebridade, o que mais joga bola nessa posição no Brasil é Walter. Ele finaliza bem e tem ótima técnica quando sai da área, mas, piadas e carisma à parte, ano passado, no Goiás, ficou claro como o físico o atrapalhou nas últimas metades da partida. O nível de exigência da Copa do Mundo é bem maior que o do Campeonato Brasileiro.

As outras opções são aqueles centroavantes que por aqui marcam muitos gols, mas têm dificuldades na hora de fazer duas dezenas de embaixadinhas. Os de força física, oportunismo e finalização, mas sem velocidade, improvisação e técnica apurada. Alan Kardec, do Palmeiras, Hernane, do Flamengo, e Jô, do Atlético Mineiro, que sai na frente de todos porque é o que vem sendo constantemente convocado e aproveitando bem as chances. Outro que poderia ser citado é Ederson, em ótima fase no Atlético Paranaense, mas que, mesmo sendo um homem de área, não possui o biótipo do jogador pretendido para a Seleção, sem tanta altura ou presença física.

Nem Felipão sabe qual é a melhor alternativa. Tanto que vai esperar mais alguns dias, mais alguns jogos dos Estaduais, para definir qual será testado contra a África do Sul. Está aberto, no Brasil, o processo seletivo para ser o centroavante reserva – talvez até titular -, da seleção brasileira na Copa do Mundo, mas os candidatos não são muito promissores, e não há garantias de que um deles vai passar. Pensando bem, não precisa nem apontar uma arma para que Felipão considere joga sem um homem de referência. Basta Fred sentir a coxa mais uma vez.