O protesto dos jogadores do Racing de Santander foi marcante. O gesto ganhou as manchetes do mundo todo em jornais, sites e TVs pelo mundo, com toda justiça. O protesto contra a diretoria liderada por Ángel Lavín, que tantos problemas causa ao clube, deu resultado. O conselho decidiu destituir todos os membros da diretoria e uma nova será escolhida, sob o comando de Juan Antonio ‘Tuto’ Sañudo, ex-jogador com história no clube.

Lavín, em uma medida desesperada, conseguiu desmarcar a reunião do conselho na quinta-feira, mas não conseguiu fazer o mesmo na sexta, graças a uma ação judicial, que garantiu a realização do encontro que colocou um fim a um pesadelo dos torcedores verdiblancos. Tentar impedir que a reunião acontecesse foi o último ato da diretoria.

O novo presidente já se reuniu com a comissão técnica e os jogadores. Sañudo disse que encontrou um grupo “esperançoso” e que “confiam muito” no novo Conselho de Administração. Afirmou ainda que “espera não decepcioná-los”. O capitão do time, o goleiro Mario Fernández, disse à agência EFE que estava “chorando como criança de alegria”. É inevitável que os torcedores também se encham de esperança. No clube, foram muitos os torcedores que acompanharam a reunião, pediam a saída de Lavín e sua trupe e que comemoraram o resultado, emocionados. A paixão, por ora, venceu o mercantilismo de uma diretoria que endividou e jogou o clube na terceira divisão.

Em um país onde a crise é tão intensa e as pessoas sentem na pele as suas consequências, e em um clube com tamanhos problemas administrativos nos últimos anos, não é difícil entender porque o estádio apoiou a renúncia dos jogadores ao jogo. As consequências estão aí, com uma mudança radical em pouco tempo. Há quem ache que protestos de jogadores não têm força. Espero que os jogadores, seja na Espanha, seja no Brasil, continuem acreditando na sua capacidade de mudar o futebol.