Com a experiência de Mourinho, David Luiz, Lampard e outros, o Chelsea passou de fase (Foto: AP)

O PSG foi valente, mas no fim pesou a experiência do Chelsea

Toda a preparação que José Mourinho deve ter feito para enfrentar o Paris Saint-Germain, nas quartas de final da Liga dos Campeões, foi jogada para o alto no segundo tempo. Nada de variação tática, jogadas ensaiadas ou trabalhadas. Com três centroavantes, dois pontas, e nenhum meia armador, foram minutos e minutos de lançamentos para dentro da área até que a oportunidade de fazer 2 a 0 aparecesse. E saiu dos pés de Demba Ba o gol de uma classificação conquistada na base da raça e da experiência, em uma partida cujo final teve aquele clima tenso de Copa Libertadores.

Porque, na teoria, PSG e Chelsea equivalem-se. Talvez os franceses tenham até um pouco mais de talento, principalmente com Edinson Cavani e Zlatan Ibrahimovic. Mas sem o sueco em campo – afastado por lesão -, os outros jogadores perdem a referência e até um pouco da confiança. E nenhum deles está tão acostumado a jogos decisivos quanto alguns dos adversários desta noite de terça-feira.

Com tantas participações em Liga dos Campeões seguidas e livre da pressão de ter que conquistar o título, o Chelsea teve a calma necessária para controlar a partida e permitiu um único chute do PSG no primeiro tempo, por cima da trave de Petr Cech. Risco zero. A primeira taquicardia da torcida inglesa veio aos 18 minutos. Porque se os visitantes estavam sem o melhor jogador deles, o destino tratou de igualar as condições. Eden Hazard sentiu e foi substituído por Andre Schürrle.

Sem a sua principal fonte de criatividade, o perigo do Chelsea vinha com as bolas paradas. Digamos que não foi exatamente de uma falta ou de um escanteio, mas a jogada do gol que abriu o placar começou em uma cobrança de lateral. David Luiz escorou de cabeça e, ironias do destino, Schürrle pegou a sobra e estufou as redes. Em partida de volta de quartas de final de Liga dos Campeões, uma defesa não pode conceder um gol de cobrança de lateral. Experiência.

Muita experiência continental entre Terry e Petr Cech (Foto: AP)

Muita experiência continental entre Terry e Petr Cech (Foto: AP)

Nada disso adiantaria se o Chelsea não marcasse ao menos mais uma vez. Foi à frente, abriu o jogo e os dois times tiveram as suas chances na etapa final. Primeiro, Willian rolou para Schürrle, frustrado pelo travessão. Pouco depois, Oscar, em cobrança de falta, chegou perto, mas sofreu a mesma decepção que seu companheiro alemão. O PSG respondeu em duas investidas nas costas de Ivanovic. Bolas longas, que Cavani dominou e chutou cruzado. E errou.

Mourinho fez as suas substituições. Tirou Lampard e Oscar e povoou a grande área com Demba Ba e Fernando Torres ao lado de Samuel Eto’o. Não havia material humano para trabalhar a bola. Claramente a estratégia seria jogar a bola na área o máximo de vezes possíveis. Em uma dessas tentativas, a redondinha sobrou na entrada da área para Azpilicueta chutar cruzado. Alex tentou desviar, falhou e Ba foi esperto para vencer Maxwell e fazer o segundo do Chelsea, já nos últimos minutos.

E então a Liga dos Campeões virou Libertadores. Mourinho saiu correndo do banco de reservas na hora do gol do senegalês e imediatamente passou instruções aos seus jogadores. Quando o PSG reiniciou a partida, estava todo mundo atrás da linha da bola. Chutões, bolas para o alto que o jogo é de campeonato, atleta caído no chão com câimbras e gandula atrasando a reposição. Teve de tudo, até o goleiro Sirigu tentando a cabeçada e o zagueiro Marquinhos, em jogada trabalhada com frieza inacreditável para tal contexto, exigindo uma defesa espetacular de Petr Cech.

Não foi suficiente. O PSG lutou bravamente, mas faltou alguma coisa. O poder de decisão de Ibrahimovic, que não costuma aparecer muito na Liga dos Campeões, poderia ter ajudado, mas o que os franceses mais precisaram foi da experiência de disputar jogos tensos e decisivos. A fase de grupos e as oitavas de final da Champions League foram tranquilas, e o duelo com o Monaco, pelo Campeonato Francês, está definido há muito tempo. Esses calos são a diferença entre fazer uma grande eliminatória e de fato se classificar. Isso não pode ser comprado, como o Chelsea bem descobriu. É conquistado com o tempo, e o PSG ainda tem muito o que percorrer para chegar ao patamar do seu rival desta noite de terça-feira.

Formações iniciais

campinho PSG x Chelsea 03

Destaque do jogo

Há males que vêm para o bem. A torcida do Chelsea ficou preocupada quando Eden Hazard sentiu uma lesão e foi substituído por Andre Schürrle, mas o alemão fez questão de acalmá-la. Fez o gol da vitória, colocou uma bola no travessão e foi certamente o mais perigoso jogador ofensivo dos ingleses.

Momento chave

Naquela loucura que foi o final do jogo, o Paris Saint-Germain teve notável frieza de trabalhar uma jogada pela lateral. Maxwell tocou para Marquinhos dentro da área. O zagueiro brasileiro olhou, mirou e carregou o chute, também com calma. Mas Petr Cech estava esperto e espalmou para fora. Seria o lance da classificação francesa.

Os gols

32′/1T – GOL DO CHELSEA! A cobrança de lateral chegou à área, David Luiz escorou de cabeça e a bola sobrou aos pés de Andre Schürrle, que não desperdiçou e abriu o placar.

42′/2T – GOL DO CHELSEA! Azpilicueta pegou rebote na entrada da área e chutou cruzado, Alex tentou cortar, mas a bola chegou para Demba Ba, que superou Maxwell e empurrou às redes

Curiosidade

Frank Lampard chegou a 50 partidas eliminatórias de Liga dos Campeões. Igualou a marca de Xavi e está a uma de Victor Valdés, recordista histórico nesse quesito.

Ficha Técnica

Chelsea 2 x 0 Paris Saint-Germain

Chelsea_escudo Chelsea
Petr Cech; Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e Cesar Azpilicueta; David Luiz, Frank Lampard (Demba Ba, 20′/2T), Willian, Oscar (Fernando Torres, 35′/2T) e Hazard (Andre Schürrle, 18′/1T); Samuel Eto’o. Técnico: José Mourinho

paris saint-germain escudo 2013 Paris Saint-Germain
Salvatore Sirigu; Christophe Jallet, Alex, Thiago Silva e Maxwell; Thiago Motta, Blaise Matuidi e Marco Verratti (Yohan Cabaye, 9′/2T); Lucas (Marquinhos, 39′/2T), Edinson Cavani e Ezequiel Lavezzi (Javier Pastore, 28′/2T). Técnico: Laurent Blanc

Local: Estádio Stamford Bridge, em Londres (ING)
Árbitro: Pedro Proença (POR)
Gols: Andre Schürrle (32′/1T) e Demba Ba (42′/2T)
Cartões amarelos: Willian, Lampard, Ivanovic e David Luiz (Chelsea); Verratti, Cavani, Lucas e Maxwell (PSG)
Cartões vermelhos: Nenhum