O abatimento era evidente no rosto de Radamel Falcao García. Após cinco meses lutando para se recuperar de uma grave lesão no joelho e disputar sua primeira Copa do Mundo, o atacante foi mesmo cortado da competição. José Pekerman havia incluído El Tigre na pré-lista, mas as condições médicas não permitiram que o artilheiro seguisse na lista final. Tanto quanto ele, os colombianos e também os apaixonados pelo futebol de uma maneira geral lamentam bastante a ausência do camisa 9.

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“É um momento difícil. Tinha muitas esperanças de participar da Copa, o apoio das pessoas que me ajudavam para dar o melhor de mim. Porém, não queria tirar o lugar de um companheiro que estivesse 100% e ser irresponsável com a minha saúde. Fomos sensatos e prudentes para saber que ainda falta para poder jogar”, declarou Falcao. “Temos uma grande seleção que devemos apoiar. Estão capacitados e têm que repetir o que fizeram nos últimos anos”.

É possível contar nos dedos de uma mão os centroavantes tão bons quanto Falcao na atualidade. Por isso mesmo, a ausência de uma estrela deste quilate, que ainda fez campanha tão espetacular nas eliminatórias, é sentida de maneira profunda. De qualquer forma, não é o fim do mundo para a Colômbia – longe disso, aliás, mesmo se somadas as perdas de Luis Perea e Luis Muriel, outros dois nomes importantes no grupo. Há alguns ônus com os quais os cafeteros terão que lidar, mas nem tudo é choro sem Falcao. O quanto sua falta deve ser sentida pela seleção colombiana? Esmiuçamos nas próximas linhas:

As chances de avançar às oitavas permanecem intactas

É lógico que Falcao melhoraria o nível da seleção. Porém, a ausência do craque não significa que a Colômbia naufragará na primeira fase. Mesmo sem o centroavante, as chances de classificação dos cafeteros seguem as mesmas em um grupo equilibrado como o C, ante Costa do Marfim, Grécia e Japão. A equipe de José Pekerman segue favorita à primeira posição da chave, muito mais por aquilo que seu conjunto demonstrou nas Eliminatórias do que por qualquer um de seus talentos individuais.

O ataque da Colômbia segue bem servido

Mesmo sem um substituto tão talentoso quanto Falcao, Pekerman está bem servido de atacantes. Teófilo Gutiérrez já era o companheiro do camisa 9 e segue firme no elenco. Seu novo companheiro pode ser Carlos Bacca, em ótima fase pelo Sevilla e testado no último amistoso da Colômbia, ou Jackson Martínez, estrela do Porto e mais tarimbado em alto nível. Ainda corre por fora Adrián Ramos, que fez temporada consistente pelo Hertha Berlim.

O equilíbrio do time não se perde

Durante seu período áureo na década de 1990, a Colômbia se consagrou pelos talentos ofensivos. Já durante as vacas magras, nos anos 2000, o time se caracterizou pela sólida defesa. A classificação para a Copa de 2014 veio a partir do momento em que Pekerman conseguiu conciliar essas duas características. E, mesmo que o ataque não esteja 100% sem Falcao e a defesa perca experiência sem Perea, a tendência é que o treinador mantenha esse equilíbrio entre o ímpeto no ataque e as tarefas na defesa. Além disso, o argentino já deu mostras suficientes que é um ótimo comandante e pode conduzir o time mesmo sem El Tigre.

A responsabilidade sobre James aumenta

James é um dos condutores da excelente fase dos Cafeteros

James é um dos condutores da excelente fase dos Cafeteros

Sem Falcao, o fardo de ser o principal talento individual dos colombianos passa a James Rodríguez. Ao menos o garoto tem bola para cumprir as expectativas, como já mostrou por Porto e Monaco. Questão maior será como ele lidará com tamanha responsabilidade, ainda aos 22 anos. Ao seu lado, quem surge como candidato a promessa é Juan Fernando Quintero, meia habilidoso do Porto, que foi destaque no Mundial Sub-20 de 2013 e ganha cada vez mais espaço no time de Pekerman.

É um baque no moral, mas também pode ser uma motivação extra

Depois de tanta luta na recuperação, o corte de Falcao também terá efeitos psicológicos no restante do grupo da Colômbia, tão próximo ao atacante. Será importante notar como os jogadores lidarão com a situação. O camisa 9 prometeu estar junto com o elenco no Brasil. Se eles souberem ver o companheiro que merece uma grande campanha, ao invés do craque insubstituível, poderão tirar forças disso para as maiores dificuldades no torneio.

Faltará a estrela para fazer a diferença em grandes jogos

Não que a Colômbia esperasse ser campeã do mundo com Falcao. Mas a presença do camisa 9 certamente ajudaria nos mata-matas, nos quais os cruzamentos são duros desde o início – se classificando, os colombianos possivelmente pegam Uruguai, Inglaterra ou Itália nas oitavas – e a tendência é só piorar. Em jogos nos quais a inferioridade dos cafeteros ficasse mais evidente, um jogador de primeira linha poderia ser um diferencial para surpreender. Terão que se virar sem ele ou descobrir um, seja com James Rodríguez, Juan Cuadrado ou qualquer outro se candidate.

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