Não faz nem dois anos que Atlético de Madrid e Chelsea se cruzaram dentro de campo. Não havia ambiente intimidador do Vicente Calderón ou de Stamford Bridge que pudesse ajudar na Supercopa Europeia, mas os dois gigantes europeus puderam medir suas forças em Monaco, no dia 31 de agosto de 2012. Vitória irrefutável do time de Diego Simeone sobre a equipe que ainda era treinada por Roberto Di Matteo. E que serve de pano de fundo para o reencontro da dupla a partir desta terça-feira, pelas semifinais da Liga dos Campeões.

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O que dá para tirar daquele duelo? O que mudou nos dois times? Questões que respondemos nas próximas linhas, pensando como aquele massacre dos espanhóis pode influenciar a classificação de um dos times à Lisboa, para a final da Champions 2013/14. Nesta quarta, faremos análise parecida para Bayern de Munique e Real Madrid, que se pegaram também há menos de um ano, nas semifinais da Liga dos Campeões 2011/12.

A noite em que Falcao encantou Monaco

Chelsea e Atlético de Madrid foram os campeões europeus em 2011/12. Ganharam o direito, então, de disputarem a Supercopa Europeia na abertura das competições continentais da temporada seguinte. E o cenário era bem diferente para as equipes que triunfaram meses antes. Os Blues continuavam com a faixa da Liga dos Campeões no peito, mas sem alguns de seus craques na campanha vitoriosa, incluindo o principal deles, Didier Drogba. Até haviam se reforçado, especialmente com Eden Hazard e Oscar, mas Roberto Di Matteo ainda tentava dar uma nova cara à equipe. Já o Atleti manteve a forte base que atropelou na Liga Europa, com grande destaque para Radamel Falcao García.

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Como foi aquela partida

Um passeio do Atlético de Madrid. Falcao García marcou três gols só no primeiro tempo, algo que não acontecia em uma final europeia desde 1961/62, feito do mítico Ferenc Puskás. Seguro de si, o time rojiblanco mantinha a situação sob controle na defesa, com linhas bastante compactas. O suficiente para parar o ataque do Chelsea, que começava a se entrosar. E para se tornarem pesadelos a Petr Cech, os espanhóis eram perfeitos nos contra-ataques, esbanjando velocidade e precisão. No segundo tempo, Miranda ainda mostrou o cartão de visitas do Atleti também nas bolas paradas, enquanto Gary Cahill descontou após um escanteio. Goleada irrepreensível por 4 a 1 no Estádio Louis II, que se tornaria a nova casa de Falcao menos de um ano depois, com a investida bilionária do Monaco.

O que mudou no Atlético desde então

A principal transformação do Atleti foi a perda de Falcao García. Mas não dá para dizer que o time está mais fraco sem seu craque. Afinal, Diego Costa passou a ser a referência no ataque e se encaixou ainda melhor ao estilo de jogo dos colchoneros. As virtudes da equipe de Diego Simeone seguem as mesmas, com contra-ataque forte, solidez defensiva e força no jogo aéreo. Potencializada com quase dois anos a mais de entrosamento, além de mais opções para rotacionar o elenco. Mesmo Thibaut Courtois, que já era o goleiro naquela ocasião, ganhou uma dimensão tremenda diante da ótima fase – tanto é que, em 2012, sequer foi mencionada a chance de barrá-lo para o jogo.

O que mudou no Chelsea desde então

Roberto Di Matteo não durou muito, Rafa Benítez só ficou por uma temporada e José Mourinho voltou a sua casa tempos depois. A forma de pensar dos Blues é diferente sob as ordens de Mourinho, uma equipe bem mais encaixada taticamente e menos dependente dos lampejos de seus senadores. A defesa continua praticamente a mesma, embora tenha ganhado mais segurança com o acerto do meio-campo, que trabalhava menos sem a bola. Já a verticalidade do time foi potencializada com Oscar, Willian, Schürrle e Hazard. O ataque, por sua vez, conta com uma presença de área bem maior, especialmente com a entrada de Demba Ba no lugar do lesionado Samuel Eto’o. Além disso, o próprio fato de Mourinho conhecer muito bem o Atleti, desde os seus tempos de Real Madrid, é uma ajuda e tanto.

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O que as duas equipes aprenderam daquela vez e podem usar agora

O Atlético de Madrid terá pela frente desta vez uma defesa menos vulnerável, principalmente nos contragolpes. A velocidade não deve ser tão eficaz, mas as jogadas pelos lados de campo devem continuar sendo úteis, especialmente para tentar se explorar as bolas altas. Além disso, o Chelsea costuma ter um problema nas sobras de bola, o que é sempre um perigo quando se conta com Koke e Gabi à espreita. Sem Falcao, caberá a Diego Costa tentar romper a defesa e abrir espaços aos homens que vêm de trás. A batalha nas trincheiras da cabeça de área será fundamental no campo de defesa do Chelsea.

Enquanto isso, o Chelsea já sabe a dificuldade que é para romper as linhas defensivas do Atlético. Os chutes de longe costumam ajudar bastante neste ponto, e é algo que os londrinos precisarão fazer com mais precisão do que na Supercopa – neste ponto, as chegadas de Willian e Oscar ajudam bastante, ainda que Matic não esteja disponível para a LC. A movimentação dos meias também será importante para romper essas barreiras. Algo que Mourinho deverá explorar, especialmente em lançamentos longos.