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O que Bayern e Real aprenderam de seus últimos duelos, na Champions de 2011/12

Bayern de Munique e Real Madrid estão mais do que acostumados em se enfrentar nas semifinais da Liga dos Campeões. O confronto desta temporada é o sexto entre os dois clubes, que em 1975/76 decidiram pela primeira vez quem iria à decisão do torneio continental. A vantagem é ampla dos bávaros, que se deram melhor em quatro desses duelos. Inclusive nos últimos, em abril de 2012 – quando, apesar disso, acabaram derrotados pelo Chelsea na final da Champions.

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Ainda assim, algumas lições ficaram daqueles dois jogos. O Real Madrid mudou um pouco mais do que o Bayern e, por isso mesmo, acredita ser possível escrever um final diferente. Talvez fazendo partidas tão equilibradas quanto aquelas, mas tendo um poder de decisão maior para confirmar um lugar na decisão em Lisboa.

Neuer desequilibrou para colocar o Bayern na final

O Real Madrid chegava a sua segunda semifinal consecutiva de Liga dos Campeões, sob as ordens de José Mourinho. Menos pressionado por não fazer novamente um clássico contra o Barcelona, como tinha sido em 2010/11. Mas contra um Bayern que vinha embalado pelo primeiro ano de trabalho de Jupp Heynckes. A igualdade entre os times foi notável, com mostras do poder de decisão dos dois lados. Pesou a calma dos alemães na disputa de pênaltis, assim como a estrela de Manuel Neuer, que pegou muito com a bola rolando e ainda foi o herói na marca da cal.

Bayern Munich goalkeeper Manuel Neuer saves a penalty kick by Cristiano Ronaldo on his way to winning a semi final second leg Champions League soccer match against Real Madrid's at the Santiago Bernabeu stadium, in Madrid, Wednesday, April 25, 2012. (AP Photo/Daniel Ochoa de Olza)

Como foram aquelas partidas

A partida de ida, em Munique, foi ligeiramente equilibrada. O Bayern tinha o controle maior do confronto e pressionava mais no ataque. Contudo, também se expunha demais aos contragolpes do Real Madrid, a principal característica do time. Depois de um bom início dos merengues, Franck Ribéry abriu o placar. A velocidade do ataque merengue funcionou na etapa complementar e, em um rebote, Mesut Özil deixou tudo igual. Entretanto, os bávaros partiram para o abafa e arrancaram a vitória por 2 a 1 aos 43 minutos do segundo tempo, em cruzamento de Phillip Lahm que Mario Gómez emendou para as redes.

Já no reencontro, a pressão toda estava em cima do Real Madrid. E, na medida do possível, a equipe de José Mourinho soube lidar muito bem com ela. Começou o jogo com tudo e deu até a impressão da goleada, com Cristiano Ronaldo marcando dois gols nos primeiros 15 minutos. Só que o baque serviu para os bávaros acertarem a marcação e diminuírem o prejuízo pouco depois, em pênalti convertido por Arjen Robben. No segundo tempo e na prorrogação, quando se esperava uma agressividade maior do Real, os anfitriões decepcionaram. Cristiano Ronaldo e Özil murcharam, enquanto Kaká, que saiu do banco, foi inútil. Decisão levada para os pênaltis, nos quais Manuel Neuer brilhou. Defendeu os chutes de Ronaldo e Kaká, enquanto Sergio Ramos isolou. Coube a Bastian Schweinsteiger converter sua cobrança e colocar o Bayern na decisão daquela Liga dos Campeões.


O que mudou no Bayern desde então

O elenco dos bávaros é ainda mais forte do que naquelas semifinais. Mario Gómez e Luiz Gustavo se foram, mas os ganhos são inegáveis com as adições de Dante, Mario Götze, Javi Martínez e Mario Mandzukic. A agressividade dos tempos de Jupp Heynckes persiste no DNA do time, ainda que o toque de bola sob as ordens de Pep Guardiola preguem mais cautela. A defesa costuma jogar mais adiantada, mas está menos vulnerável aos contra-ataques. E o mais importante é a confiança que esses jogadores incorporaram. Ribéry e Robben, que viviam às turras, hoje se aturam e são os grandes diferenciais do jogo dos bávaros. Schweinsteiger e Lahm perderam a pecha de azarados que carregavam, enquanto Alaba e Kroos evoluíram bastante. Perda mesmo, talvez só no potencial dentro da área, com Mario Gómez. Ainda assim, Mandzukic varia mais o jogo e mantém uma boa opção para as bolas aéreas.

O que mudou no Real Madrid desde então

José Mourinho deixou o Bernabéu para a chegada de Carlo Ancelotti. Os merengues seguem contando com uma equipe taticamente muito bem montada, mas que controla um pouco mais a posse da bola. Entretanto, quando se tem Cristiano Ronaldo à disposição, não se pode negar a explosão do ataque para as subidas verticais, algo que se potencializou com a vinda de Bale. Özil não está mais para pensar o jogo, mas não faz tanta falta assim, já que Luka Modric e Ángel Di María têm sido excelentes na distribuição no meio-campo, ao lado de Xabi Alonso. E, na defesa, Pepe e Sergio Ramos estão mais entrosados e mais seguros com o auxílio de Marcelo e Carvajal nas laterais, não de Arbeloa e Fábio Coentrão, como Mourinho insistiu na época. O prejuízo maior está no banco, quando se tinha Higuaín e Kaká para fazerem sombra. Desta vez, as lesões dão menos opções de variação a Ancelotti.

O que as equipes aprenderam daquela vez e podem usar agora

Bayern Munich' Arjen Robben from The Netherlands celebrates after scoring during a semi final second leg Champions League soccer match against Real Madrid's at the Santiago Bernabeu stadium, in Madrid, Wednesday, April 25, 2012. (AP Photo/Daniel Ochoa de Olza)

A maioria dos jogadores do Bayern sabe que o Bernabéu pode ser menos intimidador do que parece, especialmente depois do que conseguiram em 2012. Tranquilidade é essencial no jogo que farão em Madri, sabendo deixar a bola o mínimo possível com o Real e permanecendo sempre atentos aos ataques rápidos puxados por Cristiano Ronaldo. Com os lados do campo sendo um problema do encaixe defensivo dos merengues, Robben e Ribéry tentarão ser protagonistas outra vez. Além disso, acelerar um pouco mais o jogo contra um miolo de zaga lento é um caminho para o gol, como o Dortmund fez nas quartas de final.

Do outro lado, Cristiano Ronaldo também sabe como vencer o Bayern. Contra um adversário que costuma liberar os laterais ao ataque, tentar aproveitar as brechas nas costas é sempre uma boa. A questão maior é sobre como estarão as condições físicas do camisa 7 para isso, ainda mais porque não deve contar com Bale dividindo as atenções do outro lado do campo – e, se Phillip Lahm jogar na lateral, com um marcador que também já conseguiu anular o craque. Quem deverá ser mesmo o cara no duelo é Ángel Di María. O jogador com mais assistências entre as grandes ligas europeias tem nos passes longos a sua grande arma, especialmente contra uma zaga que marca por pressão. Se Özil (como de costume) desapareceu quando deveria decidir naquela vez, a esperança é que o argentino mude essa história.