O árbitro de vídeo foi usado pela primeira vez em uma partida de Copa do Mundo. A França venceu a Austrália por 2 a 1, abrindo o placar com um gol de pênalti cobrado e sofrido por Antoine Griezmann. O apitador Andrés Cunha, do Uruguai, não havia identificado a falta de Joshua Risdon no jogador do Atlético de Madrid. Quando a bola saiu pela lateral, Cunha interrompeu a partida para revisar o lance. Checou o replay e apontou à cal. 

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Antes de tudo, vamos rapidamente revisar o protocolo do árbitro de vídeo. Ele pode ser utilizado em apenas quatro situações: gols, pênaltis, cartões vermelhos e para identificar os jogadores. O apitador recorre ao auxílio recebendo informações da central de revisão, que fica no centro de imprensa, em Moscou, ou retirando-se para a lateral do gramado para olhar o vídeo com os próprios olhos. A orientação da Fifa é que, na Copa do Mundo, ele vá ao monitor apenas em lances interpretativos. Nos factuais (tocou ou não a mão na bola? estava impedido? a falta foi do camisa 5 ou do 8?), o dever é confiar nas informações que lhe são passadas pelo comunicador. 

O que melhor funcionou na utilização do árbitro de vídeo na partida entre França e Austrália foi a transparência. Quando o árbitro de vídeo do centro do VAR pressiona um botão em seu tablete, acionando a revisão oficial, a tela é dividida em três. O principal quadrado mostra a repetição do lance. O pequeno superior fica no árbitro de campo o tempo inteiro, para que nenhum sinal seja perdido. O outro mostra técnicos e jogadores, mas muda para o centro de revisão, quando o árbitro sinalizar oficialmente que pediu para dar uma outra olhada no lance. Quando o árbitro se deslocar para a lateral do gramado, esta última tela mostrará exatamente a mesma coisa que ele estiver vendo. Um gráfico aparece na parte inferior esquerda da tela informando qual o lance em questão.

O pessoal do estádio não fica negligenciado nessa brincadeira. Quando a revisão é iniciada, o telão do estádio fica dividido em duas pequenas telas, com o campo de jogo e o centro de revisão. Assim que o árbitro toma a decisão final, ela é informada às arquibancadas. Em seguida, aparece o replay decisivo para que o público não tenha dúvida do que foi marcado. 

Esse protocolo funcionou muito bem neste sábado. Mas a situação gerou algumas polêmicas. O árbitro, por exemplo, aguardou a bola sair pela lateral para pedir a revisão, muitos segundos depois do lance crucial. E se tivesse rolado um gol da Austrália ou mesmo da França, nesse intervalo? Além disso, usou o vídeo para um lance muito interpretativo, que muita gente ainda acha que ele errou. São questões para serem calibradas. Afinal, esta foi apenas a primeira vez que o árbitro de vídeo pintou em Copas do Mundo.

Veja o vídeo da Fifa com o protocolo do árbitro de vídeo no YouTube.