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O que o seu clube fez durante a Ditadura

Hoje, quase todo mundo é contra a ditadura. Mas, nos anos mais pesados do regime, pouquíssimas pessoas se levantaram contra ele. No futebol não foi diferente. Foram 21 anos sob as ordens dos militares. A população brasileira passou mais de duas décadas permeada pela supressão dos direitos, pela censura, pela repressão – obviamente, em intensidades nem sempre constantes. No entanto, não foi ao longo dos 21 anos que o futebol, um dos principais símbolos culturais do Brasil, levantou sua voz contra a ditadura. Os exemplos são raros, passíveis de se contar nos dedos. E, mesmo assim, a maioria delas saindo da garganta de indivíduos, jogadores.

ESPECIAL FUTEBOL E DITADURA
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Na maior parte do tempo, os clubes se mantiveram alheios ao regime que imperava no país. Não interessava muito para eles misturar futebol e discussão política. Mas isso até a segunda página, claro. Afinal, a organização dos clubes sempre esteve inserida em jogos de interesse, trocas de favores, clientelismos e dependência financeira. Principalmente em tempos de autoritarismo, quando a liberdade para a tomada de decisões era mínima.

Ainda assim, não dá para ser categórico ao classificar a postura de um time durante a ditadura militar. O Corinthians teve sua Democracia, mas também um presidente ligado à repressão – Wadih Helu, que colaborou com o golpe de 1964 e que, ao lado de José Maria Marin, pediu investigações contra os subversivos jornalistas da TV Cultura. A escalada de investigações acabou terminando na prisão e, depois, na tortura e morte do jornalista Vladimir Herzog – justamente da TV Cultura.

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Da mesma forma, o Fluminense. Enquanto Francisco Horta denunciou os desmandos do Almirante Heleno Nunes na CBD, em 1977, jogadores apoiaram o ex-arenista Paulo Maluf sete anos depois. “ Os clubes envolvem torcidas de diferentes posições políticas e sociais”, analisa Laércio Becker, pesquisador e autor do artigo ‘A Futebolização da Política’. Para ele, a oscilação dos dirigentes é normal. Afinal, uma torcida só tem algo em comum – paixão pelo clube. Quando o assunto é política, diz Becker, “não existe algo uniforme”. 

O dinheiro dos clubes vinha do governo

Para discutir a omissão dos clubes em relação à ditadura, especialmente até meados da década de 1970, é essencial pensar que o contexto econômico da época era totalmente diferente. Não existiam acordos milionários de marketing, fortunas sendo pagas na transferência de jogadores ou torneiras jorrando com direitos de transmissão de TV. A renda dos jogos era essencial, assim como as mensalidades daqueles que frequentavam o clube social. O problema é que nem sempre a conta fechava. E, nesse contexto, os dirigentes se acostumaram a abusar do dinheiro doado por seus ‘superiores’: os governos e as federações. Uma relação de dependência que ainda pode ser notada atualmente, mas que era muito mais intensa naqueles anos do regime.

A dependência também significava subserviência, inclusive no distanciamento político. “Não é diferente do que fez a CBD em relação à ditadura. É preciso pensar que o orçamento dos clubes era menor que o atual. Era uma relação de obediência, aceitando como se aquela situação política fosse normal. Era uma consequência direta da postura das entidades, que também dependiam do governo”, analisa o jornalista Roberto Assaf, autor de, entre outros livros, História Completa do Brasileirão.

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Não eram raros os mecanismos criados pelo governo para satisfazer a sede de dinheiro dos clubes. A própria loteria esportiva pode ser citada como um exemplo disso, algo promovido pela ditadura a partir de 1969 e que seria fundamental à evolução do futebol brasileiro nos anos seguintes, com seu dinheiro revertido para as competições. Da mesma forma, o Campeonato Brasileiro só foi viabilizado em 1971 depois que o Ministério da Educação e Cultura concordou em bancar viagens e estadias das equipes.

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Inclusive, alguns dirigentes tornavam públicos pedidos de dinheiro ao governo, bem como a amortização de dívidas. Segundo o jornalista Marcos Guterman, autor do livro ‘O futebol explica o Brasil’, o Santos chegou a solicitar ao Presidente Médici uma doação para que pudesse controlar os seus gastos – e isso nos tempos de Pelé, quando os alvinegros tinham exposição mundial e a chance de fazer um bom dinheiro com excursões. Já a Revista Placar de abril de 1970 relata que o Londrina pediu ao presidente para perdoar uma dívida com o INPS. Apenas dois exemplos bem divulgados de uma prática que, no geral, era bastante comum.

As grandes obras

Os maiores emblemas dessas benesses financeiras aos clubes eram mesmo os estádios de futebol. Embora a maioria das obras fosse pública, os grandes beneficiados eram os clubes, que poderiam incrementar seus balanços com as rendas dos jogos, sem precisar tirar um tostão do bolso. Era um subsídio aos clubes, no final das contas. Assim, muitos times do interior do país, bem como de capitais do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, acabavam sustentando as bases do regime para serem agraciados com estádios a custo zero. Pelo menos 50 estádios com capacidade para 20 mil torcedores ou mais foram levantados fora das capitais de Sul e Sudeste entre 1964 e 1985.

Até os estádios particulares levantam suspeitas. Afinal, era favorável à ditadura fomentar a construção de obras que demonstrassem a grandeza do país em meio ao milagre econômico. Inaugurado em 1972, o Arruda é do Santa Cruz, mas foi bancado por um empréstimo do Bandepe, o antigo banco público de Pernambuco. O nome oficial do estádio, aliás, é José do Rego Maciel – um político da Arena, o partido do regime militar. O Sport seguiria no mesmo caminho, com o projeto megalomaníaco do Estádio Presidente Médici. Ele teria capacidade para 140 mil pessoas e foi planejado por Oscar Niemayer. Por falta de dinheiro, não saiu do papel.

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Já no sul do país, os dois principais estádios particulares erguidos na época do regime foram o Beira-Rio e o Morumbi – este inaugurado em 1960 e ampliado depois, contando com a participação de Médici na reabertura, em 1970. Enquanto entre os colorados prevalece a ideia do mutirão para a construção de sua casa, os registros dos tricolores mostram que nenhum dinheiro público foi liberado para as obras durante a ditadura. “Costumam relacionar a ampliação do Morumbi a Laudo Natel. Mas o dirigente não era mais governador na época das obras, entre 1968 e 1970”, conta Michael Serra, historiador do São Paulo. O que não pode ser medido, por não estar em registros oficiais, é o quanto de relação política foi usada nos bastidores para facilitar quaisquer construções. Afinal, construtoras, no Brasil, vivem de obras públicas. E sempre é conveniente agradar a quem está no poder. Uma  discussão que, ressalte-se, também é muitíssimo contemporânea – por exemplo, diante das relações que podem ser feitas entre o ex-presidente Lula e o Itaquerão. Não há provas, apenas indícios.

Tramas que envolviam clubes que nem mesmo ergueram estádios no período da ditadura. O Flamengo talvez seja o maior símbolo, sistematicamente chamado para as inaugurações desses campos. Em um dos casos, os rubro-negros estrearam o Verdão, em Cuiabá, com direito à presença do presidente Ernesto Geisel nas arquibancadas e à exibição da faixa ‘Brasil, 12 anos de paz e segurança’ . “As coisas no Flamengo passam muito rápido. A cobrança é tanta que um amistoso vira jogo de Copa do Mundo. Essa alienação não nos permitiu perceber que, naquela ocasião, não eram cartolas nas arquibancadas, eram militares”, narra Zé Roberto, ex-jogador de Flamengo e Fluminense, autor do artigo ‘Desculpe-nos, família Herzog’, que fala sobre esse episódio no Mato Grosso.

O jogo político também pesava

A  gente pode ter um pé atrás com eles, mas é inegável que os cartolas dos principais clubes do Brasil estão entre as pessoas mais influentes do país. Afinal de contas, eles comandam entidades que mobilizam milhões de pessoas. Na  ditadura, a situação era a mesma.

Naquela época, muitos dos dirigentes estavam alinhados ideologicamente com o regime e colocaram os clubes a serviço do regime. Segundo o historiador René Armand Dreifuss, representantes de Corinthians, Palmeiras, Portuguesa e São Paulo apoiavam a realização do golpe de 1964, membros de organizações populares que eram consideradas importantes pelos militares. Se muitos dos presidentes de federações eram oficiais ou políticos, o mesmo acontecia, ainda que em menores proporções, entre os dirigentes dos clubes.

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Wadih Helu, deputado estadual pela Arena, era presidente do Corinthians. Já Laudo Natel chegou a conciliar o governo de São Paulo com a presidência do São Paulo. “Inclusive quando era governador, Natel costumava ficar à beira do campo nos jogos do clube. Mas não sei até que ponto a presença fazia diferença para os jogadores. Em geral, eles eram alienados. As declarações da época não deixam a impressão de haver esse terror. O que poderia acontecer era o medo por ser uma autoridade, considerando a origem simples da maioria dos jogadores”, afirma Alexandre Giesbrecht, pesquisador da história do São Paulo e autor de livros sobre o clube.

E esses laços fortes não eram exclusividades dos grandes clubes do país. Na inclusão de times no Campeonato Brasileiro durante a gestão de Heleno Nunes na CBD, o famoso ‘onde a Arena vai mal, um time no nacional’, esse clientelismo era bastante claro. Em 1978, por exemplo, o Itabuna entrou na competição graças a um mutirão organizado pelos produtores de cacau da região, assim como por intervenção do governador baiano Roberto Santos, que queria tirar o prefeito do MDB do comando do município. Já em 1976, duas ações no Vale do Paraíba. Os arenistas obrigaram a união de clubes para formar o Volta Redonda, um representante forte da cidade da Companhia Siderúrgica Nacional. Já o prefeito biônico de São José dos Campos comprou o estádio do São José, salvou o clube das dívidas e provocou uma mudança nos símbolos da equipe. Não à toa, clubes de ‘áreas de segurança nacional’.

Mesmo que um clube não tivesse necessidades financeiras, interesses extracampo ou laços políticos, era impossível que ele cortasse o cordão umbilical do regime. Afinal, a legislação vigente fazia com que ele se mantivesse atrelado às decisões centrais. Durante o regime, ainda prevalecia o Conselho Nacional de Desportos (CND), criado por Getúlio Vargas em 1941, em bases de um Estado totalitário. Durante este período, quando houve mudanças, especialmente em 1975, foram para privilegiar as federações em detrimento aos clubes. “É preciso olhar o histórico do CND, com muitos pontos absurdos, um texto que se assemelhava às políticas de esporte da Alemanha nazista de Hitler e da Itália fascista de Mussolini. Até a mudança da legislação, os clubes eram obrigados a respeitar as normas do governo”, pontua Roberto Assaf.

Durante os ‘Anos de Chumbo’, de 1968 a 1974, a grande exceção entre a postura obediente dos clubes foi de Grêmio e Internacional. Em 1972, o governo preparava uma grande festa pela comemoração dos 150 anos da Independência do Brasil, usada também como propaganda política. E, entre as festividades, estava a Taça Independência, uma ‘Mini Copa do Mundo’ disputada pela Seleção. Contudo, a ausência de Everaldo na convocação do técnico Zagallo, o único jogador do Rio Grande do Sul a se sagrar campeão em no Mundial 1970, causou uma comoção popular entre os gaúchos. A ausência do lateral foi considerada um desaforo, e resultou em um amistoso disputado entre o Brasil e a Seleção Gaúcha, composta por jogadores de Grêmio e Inter – mesmo estrangeiros ou nascidos em outros estados. “O Beira-Rio estava enfurecido. Foram 110 mil pessoas, que  vaiaram o Brasil do primeiro ao último minuto. Era como se estivesse em uma situação de guerra, uma manifestação de resistência à ditadura. Uma inevitável referência à Revolução Farroupilha. Também foi a única vez que os rivais se uniram”, afirma o historiador Cesar Guazzelli, professor da UFRGS. A partida terminou empatada em 3 a 3.

A relação entre clubes e jogadores

Se durante a época mais repressiva da ditadura os clubes se mantinham alinhados com o regime, também eram raríssimos os casos de jogadores que transgrediam ao sistema. Afonsinho foi um grande símbolo desse momento, tanto por seu envolvimento com o movimento estudantil, quanto por sua imagem rebelde, com barbas e cabelos compridos. E sua briga pelo direito ao passe livre gerou ecos, tanto pelo exemplo em uma sociedade censurada quanto por desdobrar outras lutas, como a de Raul Plassmann, que se desligou do Cruzeiro e depois negociou seus direitos com o próprio clube.

O momento mais marcante de Afonsinho aconteceu em seu retorno ao Botafogo, em 1971, pouco antes de iniciar efetivamente sua briga pelo desligamento do clube. ”Quando me apresentei ao time, tive problemas com o Zagallo. Diziam no clube que por causa da minha barba, do meu cabelo, eu estava parecendo músico do ‘Iê-iê-iê’, como o rock era chamado naquela época”, afirma o próprio jogador. Da mesma forma, outro nome importante era o de Paulo César Caju. O craque representava outra quebra de paradigmas por seu envolvimento com o movimento afro, visto com preconceito por muitos. Embora fosse apolítico, passava longe do comportamento considerado como ideal.

Ainda assim, as retaliações contra Afonsinho e Caju se concentravam em suas imagens, não em relação ao debate político. Um silêncio que não tinha tanta relação a uma possível repressão dos clubes. Ele era mais ligado ao distanciamento do debate político dos técnicos e da alienação da maioria dos jogadores. “Os cartolas eram como hoje, omissos em relação aos atletas. Já os profissionais da comissão técnica que emergiram naquele momento, saídos da Escola de Educação Física do Exército, eram muito competentes, mas não discutiam política. Estávamos em uma bolha, éramos alienados. Eu só percebi isso depois que fui cortado das Olimpíadas de 1972, quando fiquei desiludido e me matriculei na faculdade de direito. Ali eu vi como os atletas poderiam dar voz contra a ditadura e não faziam”, coloca Zé Roberto. “Posso dizer de coração que ninguém discutia política, era pura alienação. Meus professores na faculdade falavam de política, mas os professores nos clubes só falavam de tática”.

A reabertura política, a abertura do futebol

Sociedade e política costumam andar lado a lado. E isso ficou evidente a partir da metade final da década de 1970, quando as manifestações de jogadores e as liberdades dentro dos próprios clubes se tornaram maiores. A própria organização do futebol brasileiro mudava. A CBD dava lugar à CBF, que passaria a cuidar dos interesses dos clubes. Era uma maneira de tentar tornar o Campeonato Brasileiro rentável e realmente interessante. Em tempos de crise do petróleo, com as fontes de dinheiro do governo secando, os paulistas preferiram desistir da disputa do torneio nacional em 1979 para se dedicarem ao estadual, mais rentável. Corinthians, Santos e São Paulo não entraram no certame.

Com o dinheiro desaparecendo, os dirigentes começavam a se afastar do regime para buscar outros meios de se viabilizar financeiramente. “Houve uma grande briga quando o Nuzman tentou colocar patrocínios nas camisas do vôlei a partir da metade final dos anos 1970, o que teria consequências também no futebol. Ele teve que derrubar vetos do CND. Não dá para imaginar que ele e o Havelange lutavam apenas por amor ao esporte. Mas a partir disso, os clubes ganharam uma nova renda, puderam fazer parcerias com empresas”, relata Roberto Assaf. Outro momento marcante é encabeçado pelo Flamengo. Márcio Braga chegou à presidência do clube em 1977, em uma época na qual as transmissões dos jogos se expandiam. E os rubro-negros foram os pioneiros a exigir o pagamento dos diretos de TV.

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Ao mesmo tempo, os próprios jogadores começaram a mudar aquela realidade. Zé Mario no Vasco e Zico no Flamengo faziam uma dobradinha para criar o sindicato dos atletas no Rio de Janeiro, enquanto a organização dos atletas também tomava forma em outros estados. Já Sócrates e Reinaldo apareciam com um discurso político bem mais contundente. “Até chegar a figura do Sócrates, não havia luta política, os jogadores lutavam mais pela classe. Quando eu estava na universidade, levava para a concentração textos para discutir política. Tanto que passei a ser conhecido como ‘Pasquim’ pelos meus companheiros. Mas não havia esse posicionamento dos jogadores”, analisa Zé Roberto. O próprio Reinaldo afirma que não temia sofrer retaliações internas no Atlético Mineiro, por ser o principal jogador do clube e também o mais popular entre os torcedores. E um bom exemplo disso é que o presidente do Galo, Valmir Pereira, veio a público defender a convocação de seu craque, diante das acusações de que ele só estava ausente da seleção por motivos políticos.

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Nesse processo de distensão, as torcidas também contribuíam para deixar para trás as omissões dos clubes nos tempos mais duros, tornando rotineiras as manifestações que eram pontuais nos Anos de Chumbo. Em 1976, os colorados vaiaram a polícia militar, que impediu que se respeitasse um minuto de silêncio a João Goulart, seu ex-jogador da base e presidente deposto pelo golpe. Os corintianos levaram faixas apoiando a anistia em 1979. Em 1984, meses depois que torcedores de Vasco e Fluminense abafaram o hino nacional com os gritos de ‘Diretas Já’ na final do Brasileirão, tricolores e flamenguistas apontavam que Tancredo Neves era a solução, durante a decisão da Taça Guanabara. Já atleticanos e cruzeirenses gritaram em uníssono o nome de Tancredo em um clássico, às vésperas do dia da posse do primeiro presidente civil em 21 anos, que estava internado em estado grave.

Não havia motivo para os clubes reprimirem essas manifestações populares. A dependência financeira do governo já era bem menor, assim como os laços políticos. E embarcar na onda de otimismo pelo novo país que se desenhava era benéfico. Em uma perspectiva histórica, até fica a impressão de que, em alguns casos, os dirigentes combateram a ditadura durante os 21 anos. Entretanto, cabe lembrar que todos tem sua parcela de culpa. A omissão podia evitar a repressão, mas não trazia perspectivas de um Brasil livre.