Todo mundo fala da parada da Copa do Mundo. Afinal, é o momento que todo mundo espera melhorar. Sabemos que na maior parte dos casos, será só uma desculpa que será desperdiçada e que nem todos os times conseguirão melhorar – alguns por falta de recursos, outros por falta de competência e outros por azar mesmo. Com a situação como está e o que os times mostraram até agora, o que cada um precisa fazer? Não é uma pergunta simples e não há respostas certas, há apenas o que cada um considera mais adequado. Analisamos a situação dos 20 clubes e o que cada um poderia fazer para tentar melhorar, seja mantendo como está, seja saindo dos problemas que tem. Então vamos a eles:

Cruzeiro: a missão é manter a força do elenco

Com a parada da Copa vem também a janela de transferências da Europa. Éverton Ribeiro é o principal jogador e possivelmente será alvo de alguns clubes europeus. Em janeiro, as especulações o ligavam ao Manchester United, mas, segundo o jogador, nenhuma proposta efetivamente chegou. Se chegar, o Cruzeiro é capaz de recusar? O time tem outras peças e seria injusto dizer que é dependente do meia. Ao mesmo tempo, seria ingênuo afirmar que ele não faria falta. Outros jogadores como Borges e Júlio Baptista podem sair e também fariam falta, mas nada comparado ao melhor jogador do Brasileirão de 2013.

Fluminense: Defesa, defesa, defesa

O que não falta é ataque ao Flu. Fred é o principal centroavante do Brasil e ainda tem Walter na reserva, Rafael Sóbis é um atacante de muita qualidade, Conta e Wagner são jogadores com muita capacidade técnica e Cícero está chegando para aumentar mais ainda a qualidade por ali (embora ele possa jogar também como volante, como vinha fazendo no Santos, aliás). O problema do Flu é defesa. Diguinho é um volante que não é exatamente confiável e os zagueiros do time também não. Gum, Leandro Eusébio e Fabrício estão longe de trazerem a segurança que o time precisa. Elivélton ainda é jovem. Seria importante para o time trazer alguém para a posição.

Corinthians: precisa-se de gols

O time do Corinthians não está tão mal quanto o futebol do time dá a entender muitas vezes, mas de fato precisa melhorar. O aspecto mais importante é que o time precisa aprender a fazer mais gols, sem comprometer a parte defensiva. É o desafio que Mano Menezes terá durante a parada. Até aqui, são 11 gols em 9 jogos, mas apenas cinco gols sofridos – melhor defesa do campeonato ao lado do Santos. Os jogos do time em geral têm uma certa dominância alvinegra, mas sem que isso significa pressão necessariamente. Será preciso melhorar nesse quesito. Como Lodeiro já foi contratado, a criação de jogadas tende a melhorar. E embora o time tenha a melhor defesa do campeonato, é preciso ter uma opção a Cléber – e por isso que Anderson Martins seria útil, se não tivesse pedido um salário de craque que não é. Mas seria importante para o time ter outro zagueiro, nem que seja para o banco.

São Paulo: salve-se quem puder (a defesa, no caso)

Há dois aspectos a se destacar no São Paulo: o ataque, o segundo melhor do campeonato com 16 gols, e a defesa, uma das piores da liga, com 12 gols sofridos. O time joga de forma bastante ofensiva: os dois volantes são Souza e Maicon, jogadores de boa capacidade técnica, com uma linha ofensiva formada por Pato, Ganso, Osvaldo e Luís Fabiano. O número de gols tem compensado, mas se o time não acertar a marcação, tende a ter problemas ao longo da competição. O time está em quarto e a campanha é até melhor que o previsto. É preciso ir atrás de ao menos um zagueiro e um volante, além de treinar o posicionamento para evitar tomar tantos gols.

Internacional: equilíbrio

O Inter não tem o elenco estelar de outras temporadas, mas tem um grupo equilibrado. Alguns jogadores claramente fazem diferença para o time, como é o caso de D’Alessandro, especialmente, que tem se mostrado o melhor jogador do time há tempos. Outra peça fundamental é Charles Aránguiz, que, ao que parece, será mantido na equipe. Ele dá equilíbrio e leveza ao meio-campo que tem Willians, um marcador forte, que desarma muito, mas que é pesado. Alguns coadjuvantes tem se mostrado eficientes, como Alex e Alan Patrick. Rafael Moura, de carreira tão instável, tem sido muito útil e Juan, um veterano de quem se duvidava fisicamente quando chegou ao Inter, é ainda bastante técnico e pode ajudar o time. Outros, como Valdívia e Otávio, são jogadores jovens que podem ser úteis ao time. Um lateral esquerdo, ao menos para a reserva, seria útil ao time. No mais, é ajeitar para que o time saiba decidir os jogos, sem perder tantos pontos. Para isso, precisa manter mais a regularidade, porque o time faz bons e maus jogos e até dentro do jogo alterna demais.

Grêmio: onde estão os gols?

Barcos, o homem contratado para ser o artilheiro, não tem correspondido. O Grêmio tem mais jogos que gols, o que o 0 a 0 com o Palmeiras só evidenciou. A defesa vai bem, obrigado, só cinco gols sofridos em nove jogos, mas marcar um golzinho tem sido artigo raro. São cinco jogos sem marcar gols – sendo três deles 0 a 0. O time precisa melhorar o rendimento ofensivo se quiser brigar em cima na tabela. Barcos, parece, não é a solução. Kléber, na reserva, também não parece ser, e ambos custam uma pequena fortuna ao time. Talvez a solução seja se livrar de ambos e trazer alguém que possa ajudar nesse aspecto. Mas é preciso criar mais também. Wendell, lateral esquerdo, ao que tudo indica, irá deixar o time e fará falta. É preciso buscar um jogador para a posição também.

Goiás: estão faltando gols em Goiânia também

Araújo é um dos maiores ídolos da história do Goiás, mas não tem conseguido ser tão útil atualmente ao time. É reserva no ataque, que tem Assuério e Danilo, que não estão correspondendo. Os destaques do time estão sendo na parte defensiva. O zagueiro Jackson tem ido bem, assim como os volantes Amaral, Thiago Mendes e Davi. Ramón é o melhor dos jogadores de frente. Um dos grandes problemas do time é que o esmeraldino não chuta. Entre os 20 times, o Goiás é o que tem média menor de chutes, 9,6 por partida. Aí fica difícil marcar gols mesmo. O time precisa chutar bem mais e esse será um dos trabalhos de Ricardo Drubscky.

Atlético Mineiro: tá na hora de virar um time

Quem é o Atlético Mineiro de 2014? Aparentemente, o time será outro no segundo semestre. Levir Culpi começou a promover mudanças e Ronaldinho, por exemplo, não parece fazer parte dos planos – ou ao menos foi isso que ficou indicado nesses nove primeiros jogos. O técnico precisa ter, primeiro, liberdade total de promover as mudanças que o elenco parece tanto precisar. E, segundo, ter a coragem de fazer o que achar necessário, como negociar os medalhões que acha que não rendem mais.

A base do time é a mesma, com jogadores como Leonardo Silva, Pierre e Diego Tardelli. Precisa de mais um atacante para o lugar de Fernandinho, um meia para o lugar de Ronaldinho (se ele não ficar). Os laterais continuam sendo um problema no Atlético, mas Emerson e Alex estão cumprindo as funções razoavelmente. No meio, Dátolo tem se destacado, o que pode servir para amenizar as carências do time no meio.

Santos: falta experiência do meio para frente

Gabriel tem se mostrado um jogador muito promissor e que não pode sair desse time de jeito nenhum. Nos oito jogos que fez, marcou três gols e tem mostrado capacidade de ser um goleador. Outros jogadores já mostraram talento na frente, como Geuvânio e Diego Cardoso. Thiago Ribeiro é mais experiente e tem se mostrado confiável, ainda que tenha se machucado recentemente.  Leandro Damião não correspondeu às expectativas e, com a saída de Cícero, o time perde uma referência ofensiva que tenha experiência. Com a saída do meia, seria importante trazer um outro jogador capaz de fazer esse papel de criação, que possa dar cadência ao time quando necessário, ou acelerar e deixar os rápidos atacantes correrem. Essa é a principal carência do time, mas seria bom também ter um zagueiro para o elenco que tem jogadores jovens demais para a posição.

Palmeiras: defesa, defesa, defesa

O Palmeiras tem carências especialmente no setor defensivo. Falta um zagueiro ao time depois da saída de Henrique, tanto que não raro Marcelo Oliveira joga ali improvisado. Tiago Alves e Wellington são opções que ainda não se firmaram e o único titular mesmo do setor é Lúcio, que já é um veterano. Seria importante ao menos um zagueiro com qualidade para dar mais qualidade por ali. Outro setor que será importante reforçar é o meio-campo, com um volante que possa fazer o papel de primeiro homem de marcação. Renato tem feito bem o papel, mas faltam opções no elenco. Josimar, cá entre nós, não é uma grande opção. É preciso mais do que isso. Com isso, talvez o Palmeiras fique um pouco mais forte para vencer mais jogos que tem boa atuação.

Atlético Paranaense: feche a defesa, professor

Um dos pontos positivos do Atlético Paranaense em 2013 era Manoel. Foi um dos melhores zagueiros do Brasil em 2013 e ajudou muito o time a fazer uma campanha excelente no Brasileiro e Copa do Brasil. Sem o zagueiro, quem tem jogado é Cléberson e Léo Pereira. O primeiro, especialmente, não é nada confiável. Dráuzio pode ajudar a melhorar um pouco a situação, mas faltam jogadores para essa posição. O Atlético é o time que mais permite chutes do adversário, 15,2 por partida, em média. O ataque do time parece bem resolvido com boas opções. Faltam mesmo opções para a marcação, como um volante a mais para o time.

Sport: precisa-se de desarmes

O Sport tem um dado curioso: é o time que mais vezes vence as bolas aéreas, com 20, em média, por partida. O time pode ser bom no quesito bolas aéreas, mas não é tão bom em outras, como desarmes. É o terceiro pior nesse item, com 17,5 em média por jogo. O time tem dificuldades em desarmar, um quesito importante para um time que, muitas vezes, tem menos a bola que os adversários. Entre as contratações, um volante seria importante para aumentar o poder de recuperação de bolas. O time tem capacidade para ficar na primeira divisão e já teve momentos no campeonato que teve boas atuações. Só que mesmo assim, perde mais jogos do que deveria e isso pode ser um problema.

Criciúma: zagueiros, por favor

Ao que parece, zagueiros não estão em alta, porque no caso do Criciúma também está faltando. A dupla de zaga é de impor medo. Não aos adversários, mas na própria torcida. Escudeiro e Fábio Ferreira não são os jogadores que mais passam tranquilidade à equipe. Em compensação, se a zaga não é tão confiável, o meio-campo é o que mais faz desarmes, em média, no campeonato: 22,3 por partida, empatado com o Cruzeiro. Precisa de zagueiros, mas precisa também de alguém que faça gols, que o time tá precisando – foram só quatro até agora. E sem gols, não há milagre.

Botafogo: armação limitada, marcação solta

O Botafogo tem um camisa 10 que não é exatamente criativo. Jorge Wagner é um jogador útil, mas como principal armador do time, como protagonista, é difícil. Tanto que perdeu a posição recentemente no time. A principal deficiência do time é a criação de jogadas, algo que Emerson Sheik ajudou a amenizar, embora seja atacante. Isso porque ele se movimenta muito e dá mais opções. Desde a saída de Seedorf o time tem sofrido com a falta de um armador. Essa é a principal carência do time, que não vem bem defensivamente também. Mas aí é um problema de acertar a marcação no meio-campo, que tem Aírton e Bolatti. É uma missão que o técnico Vagner Mancini terá na parada.

Bahia: ligar o alerta

O Bahia não tem um time tão ruim assim para estar lá embaixo na tabela, mas também não é um time com qualidade sobrando para escapar com sobras. Os primeiros nove jogos do time não foram bons, as atuações foram inconsistentes e, não por acaso, o time perdeu quatro jogos, empatou dois e venceu outros dois. Falta ao time mais força ofensiva. Nem tanto pela ausência de um centroavante de ofício – o time começou com Anderson Talisca como falso 9 e Henrique jogou as últimas partidas, um jogador da posição. Falta é o time criar mais chances e também acertar mais os chutes. O time tem média de 14 chutes por partida, o que é bom – o quarto melhor índice do torneio. Falta mesmo é precisão, ou chutes no momento e situações mais adequados. Esse é um bom trabalho para o técnico Marquinhos Santos trabalhar.

Chapecoense: Sorte

A Chapecoense se preparou para a primeira divisão como pode, sem loucuras, mas contratando jogadores dentro do que podia. É claro que poderia ter jogadores melhores e a campanha do time até agora é instável, com altos e baixos. Mas até que o time tem rendido bem, complicado os jogos contra times mais fortes. Falta um pouco de sorte para vencer alguns jogos – conseguiu isso nesta nona rodada – e fazer os pontos que possam livrar do rebaixamento. Mas será difícil. Bem difícil. Como contratar jogadores de alto nível não é opção, o time precisa melhorar seu desempenho fora de casa. Em casa, o time tem complicado os adversários. Precisa ter um pouco mais de sorte.

Coritiba: Reforços, muitos reforços

Ao contrário de alguns dos seus concorrentes, o Coritiba tem força para conseguir contratar jogadores importantes no mercado brasileiro. Não são poucos os setores que o time precisa de reforços. O time precisa de um bom substituto para Alex, que não irá jogar todas as partidas. Um atacante mais confiável também seria recomendável. O time precisa mesmo é conseguir manter regularidade, algo que não mostrou até aqui. O time não é tão ruim a ponto de estar só com uma vitória no campeonato, mas as atuações precisam melhorar, e não é pouco.

Vitória: organização

O Vitória é um bom time. Não é cheio de talentos, mas tem alguns bons jogadores, que podem render mais do que estão rendendo. O time, porém, é uma bagunça. Foi capaz de uma vitória contra o Fluminense que mostrou um time rápido no contra-ataque e com finalizações perigosas, mas que cede espaços demais aos adversários, que foi o que se viu em outros jogos. Aquela vitória foi a única do time no Brasileiro. Se o time quiser ter alguma remota chance de sucesso, precisa começar a se organizar melhor em campo. Bagunçado como está, o Vitória tem sido presa fácil. Se recompor defensivamente e aproveitar melhor as oportunidades é uma boa. Mas se fechar é o principal. O time deixa jogar demais e todos os adversários gostam disso. O rubro-negro é o segundo time que mais permite que os adversários chutem a gol (13,9 por jogo). Assim, é bom ligar o alerta, antes que seja tarde.

Flamengo: mais do que tudo, paz

O time atual do Flamengo está longe de agradar aos torcedores e distante demais dos grandes times da história do clube. E perdeu Elias em relação a 2013, o que significa uma perda considerável de qualidade. Mas dá para ser melhor do que está sendo. Ney Franco não conseguiu arrumar o time defensivamente, que é muito vulnerável, como os jogos recentes tem mostrado. É preciso ter um volante mais marcador e talvez nem precise contratar: Caceres pode ser esse nome. Precisa, sim de laterais, especialmente esquerdo, onde André Santos é tão confiável quanto andar em um lago congelado. Precisa de um meia também que seja capaz de ajudar na criação de jogadas – algo que Elano hoje não é. E precisa de paz. O time tem um ambiente conturbado. Inevitável por ser do tamanho que é, mas é preciso que seja feita a limpa no elenco para acabar com essas rusgas. Se para isso o importante for mandar embora Felipe, André Santos e Elano, por exemplo, que seja feito, e rápido.

Figueirense: é bom rezar

O Figueirense tem sido o pior time do campeonato. Só não foi mesmo contra o Corinthians, na inauguração da Arena Corinthians em Itaquera. O time faz partidas muito ruins, não cria quase nada durante os jogos e é um adversário vulnerável mesmo jogando em casa. Não parece capaz de ficar na primeira divisão, mesmo só com nove rodadas disputadas. Então, é bom rezar. E rezar bastante.