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O que os técnicos estrangeiros ensinaram ao futebol brasileiro

Os técnicos estrangeiros estão em alta no Brasil. Ou, ao menos, o debate sobre a necessidade de importar conhecimento para treinar os clubes do país. O sebastianismo dos clubes, com velhos comandantes voltando ao antigo posto, e os problemas táticos da Seleção na Copa de 2014 são mais alguns argumentos para quem defende a abertura do mercado. E a chegada de Ricardo Gareca ao Palmeiras, depois de seu grande trabalho pelo Vélez, é a primeira forte aposta neste contexto de abertura ao que vem de fora.

Nas últimas décadas, os estrangeiros fizeram trabalhos não mais do que fugazes nos clubes brasileiros. A impaciência com os forasteiros é tão grande quanto a com os técnicos brasileiros, e os desempenhos não mais do que medianos também não os sustentaram. Fossati e Passarella foram queimados rapidamente no Internacional e no Corinthians; Rojas não ganhou a oportunidade de seguir à frente do São Paulo; Figueroa, De León, Dario Pereyra e tantos outros nunca conseguiram emplacar grande sequência. Trazer um treinador de fora, por anos, não estava na fórmula de sucesso dos clubes do país. Bastante diferente do que foi corriqueiro até a década de 1960.

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O pioneiro a ser trazido com pompas ao Brasil foi Charlie Williams. O primeiro goleiro do Arsenal e o primeiro de sua posição a marcar um gol em uma liga nacional, o inglês comandou a Dinamarca na conquista da medalha de prata dos Jogos Olímpicos de 1908. Três anos depois, foi contratado pelo Fluminense, tornando-se o primeiro treinador do Rio de Janeiro a suprir sozinho os “Ground Committee” (comissão técnica formada pelos próprios jogadores em campo). E, no comando do Tricolor, Williams conquistou o Campeonato Carioca de 1911.

Depois dele, outros grandes técnicos estrangeiros deixaram as suas marcas no Brasil. Como Ramón Platero, à frente do revolucionário time do Vasco de 1923, o primeiro campeão estadual do país a admitir negros em sua escalação. Ou Dori Kürschner, o húngaro que foi trazido ao esquadrão do Flamengo na década de 1930 e é considerado o principal responsável pela valorização da parte tática no futebol brasileiro.

Pelas conquistas ou pelas contribuições que deixaram, selecionamos cinco técnicos estrangeiros que marcaram o futebol brasileiro. E poderiam ser até mais, diante do passado cheio de capítulos marcantes – e outros grandes personagens serão lembrados ao longo da semana, como Platero, Kürschner, Volante, Felix Magno e José Poy. Os cinco escolhidos, no entanto, são emblemáticos para reavivar uma história que parece esquecida nos dias atuais. Que serve para mostrar que a nacionalidade não é um empecilho para grandes feitos no futebol do país.

Segunda-feira: Béla Guttmann

Um dos maiores treinadores da história teve breve passagem pelo futebol brasileiro, seguindo a tradição de comandantes húngaros no país. O suficiente para ser campeão paulista e deixar sua influência na conquista da Copa de 1958.

Terça-feira: Ondino Viera

Campeão nacional no Uruguai e no Paraguai, treinador da seleção uruguaia na Copa de 1966. Viera fez história no futebol sul-americano e consolidou sua carreira durante a década de 1940 no Rio de Janeiro, treinando grandes times do Fluminense e do Vasco.

Quarta-feira: Ricardo Díez

O uruguaio pouco fez no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas deixou grandes contribuições em outros estados do Brasil. Foi um dos responsáveis pelo Rolo Compressor do Inter na década de 1940, fez o Sport ser temido nacionalmente e é um dos grandes vencedores do Atlético Mineiro.

Quinta-feira: Filpo Núñez

O argentino sempre é lembrado como o único técnico estrangeiro da história da seleção brasileira. Sua passagem no país, no entanto, é bem mais marcante. Ele foi um dos mentores da Academia do Palmeiras e rodou por diversos clubes do país com histórias folclóricas.

Sexta-feira: Manuel Fleitas Solich

El Brujo poderia ter sido o técnico da seleção brasileira na Copa de 1958. Era um dos favoritos a assumir o time, mas permaneceu no Flamengo, de onde partiu para o Real Madrid de Di Stéfano. Voltaria ao Brasil para ser campeão em São Paulo, em Minas Gerais e na Bahia.