Dois a um para seu time e você tem a chance de um contra-ataque nos acréscimos. Você prende, corre para a linha de fundo, segura, amarra o jogo. Certo? Não se você for Moutaouali, do Raja Casablanca. Ele partiu para cima da defesa, invadiu a área, encheu o pé e mandou para muito, mas muuuuuito longe do gol. E, talvez o mais impressionante, saiu rindo!

Esse lance é exemplar do que foi a semifinal do Mundial de Clubes 2013. A vitória do Raja Casablanca foi a vitória da zoeira, do time que tem algum talento, mas ainda vê uma área nebulosa entre o jogo profissional e a pelada. Que às vezes esquece a lógica da competição para brincar, ou para agir irresponsavelmente.

É a vitória do time que, quando vencia por 1 a 0, pareceu esquecer a existência da regra do impedimento quando podia matar o jogo e desperdiçou oportunidades atrás de oportunidades, enquanto o Galo tentava pressionar. Do time que sofreu o empate num golaço de falta de Ronaldinho, ficou acuado, tinha tudo para perder os nervos, se descontrolar, mas não se abalou e, num contra-ataque, resolveu tentar cavar um pênalti de maneira ingênua, quase infantil. O juiz comprou o mergulho na área de Iajour e deu pênalti para o Raja. 2 a 1 para a galhofa. Do time de Moutaouali, que além de isolar a bola, também deu um passe de letra em outra chance de matar o jogo, nem aí pra nada, e saiu rindo, como você quando faz um lance Lukscolor na pelada do Playball ou no Fifa, largado no sofá da sua casa, mesmo.

O gol final, marcado por Mabidé, começou com uma caneta no zagueiro, passou por roubada de bola do companheiro do próprio time (!) e terminou em tentativa encobrir Victor, que atônito, viu a bola bater no travessão e voltar para o atacante que iniciou a jogada empurrar pro fundo das redes. Gol da zoeira em Marrakesh. 3 a 1 para o Raja Casablanca.

O maior símbolo desse espírito de galhofa do Raja veio no final do jogo. Os jogadores cercaram Ronaldinho como crianças que acabam de ver o ídolo. Beijaram, abraçaram, despiram, levaram todas as roupas. Parecia que levar uma lembrança do craque era tão importante quanto fazer um gol. Só parecia, porque, mesmo dentro do espírito livre da equipe marroquina, eles não deixaram de ter a seriedade suficiente para surpreender o Atlético.

É, amigos. Ela, a zueira, não tem limites.