Todas as visitas do Bayern de Munique à Red Bull Arena, para enfrentar o RB Leipzig, renderam jogos emocionantes. Na penúltima rodada da temporada passada, os campeões buscaram uma insana virada por 5 a 4, com três gols nos minutos finais. Em outubro, pela Copa da Alemanha, os dois times empataram e a classificação dos bávaros aconteceu apenas nos pênaltis, graças a cobrança desperdiçada por Timo Werner. Já neste domingo, enfim, os Touros Vermelhos conseguiram sua vingança. Liderada justamente por Werner, ao lado de Naby Keita, a equipe da casa arrancou uma inesquecível virada por 2 a 1, na qual deram grandes mostras de seu futebol ofensivo e depois seguraram a diferença com toda a vontade. Foi a primeira derrota do time de Jupp Heynckes desde novembro, a segunda desde a volta do treinador, encerrando uma sequência de 19 jogos de invencibilidade – sendo 18 vitórias e um empate.

Heynckes realizou sua já costumeira rotação no Bayern. Algo que poderia soar estranho, dada a importância do compromisso. Sandro Wagner comandou o ataque, com Robert Lewandowski relegado ao banco de reservas. Já outra opção foi a escalação de Juan Bernat na ponta esquerda. Do outro lado, todavia, o Leipzig também fazia suas mudanças. O cansaço sobre o elenco era até maior, diante da classificação sobre o Zenit na Liga Europa durante a última quinta. Por isso mesmo, alguns dos principais talentos apareceram no banco – incluindo Werner, Emil Forsberg e Jean-Kevin Augustin.

Por um infortúnio, Werner precisou entrar em campo logo cedo, aos dez minutos, depois que Marcel Sabitzer se lesionou. E o Bayern abriu o placar logo em seguida. Aos 12, James Rodríguez fez boa jogada e cruzou para Sandro Wagner escorar de cabeça. O Leipzig, contudo, não sentiu o peso da desvantagem. Pelo contrário, o time cresceu em busca do empate. O jogo foi de um time só até o intervalo, com 12 finalizações dos Touros Vermelhos e nenhuma dos bávaros. Em meio à blitz, Sven Ulreich se agigantou com cinco defesas, muitas delas milagrosas. Além disso, Niklas Süle também o ajudaria, salvando em cima da linha a sequência de uma dessas jogadas.

Aos 37, finalmente, o bombardeio do Leipzig deu resultado. Após passe de Konrad Laimer, Naby Keita tentou acionar Werner e, na sobra, conseguiu estufar as redes. Era um prêmio à intensidade dos anfitriões, que daria mais frutos ainda no início do segundo tempo. Werner incomodava bastante e anotou seu gol aos 11. Keita desta vez serviu de garçom e deu passe em profundidade ao atacante, que arrancou. Ele deixou Mats Hummels no chão e, de frente para Ulreich, bateu cruzado antes de correr para o abraço. Os Touros Vermelhos poderiam ter matado o jogo pouco depois, com dois ótimos contra-ataques desperdiçados.

Naturalmente, o Leipzig se retraiu para segurar o placar. Então, começou a pressão do Bayern. Primeiro, Peter Gulácsi realizou grande defesa em tentativa de Hummels. Depois, Arturo Vidal lamentou muito uma chance claríssima desperdiçada sob o travessão, cabeceando a bola por cima do gol. Enquanto isso, Heynckes acionou o banco de reservas. Franck Ribéry e Rafinha entraram, assim como Lewandowski, este no lugar de James Rodríguez. Com mais presença de área, os bávaros passaram a insistir nos cruzamentos. Mas faltava criatividade e pontaria, diante de toda a entrega dos anfitriões. Nos instantes finais, as maiores esperanças dos líderes ficaram em um pênalti por toque no braço, negado após o árbitro conferir o lance pelo VAR. O empate não viria.

A comemoração da torcida do RB Leipzig era digna de um título. E não apenas pelo feito, mas também pela frustração vivida ao final da temporada passada. Ao buscar a virada por 5 a 4, o Bayern estragou a festa preparada pelos anfitriões para celebrar a inédita classificação à Liga dos Campeões. Um balde de água fria que não se repetiu desta vez. O triunfo, aliás, ajuda as próprias pretensões dos Touros Vermelhos em integrar o G-4. A equipe é a sexta colocada, com 43 pontos, a dois de entrar na zona da Liga dos Campeões. Já o Bayern não sofre grandes consequências, ainda líder absoluto, com 17 pontos à frente do Schalke 04. O problema está nas debilidades demonstradas, algo que preocupa antes dos grandes jogos que o time pode ter pela frente na Liga dos Campeões – o principal objetivo neste momento.