Marco Reus foi o protagonista do Borussia Dortmund, mas o time não conseguiu a classificação (AP Photo/Martin Meissner)

O Real Madrid avançou, mas o Dortmund é quem merece os aplausos nesta noite

“Eu não sei quantos milagres foram proclamados antes de serem realizados. Não temos nenhum direito de falar sobre isso, mas temos de dar tudo no campo e jogar com força. Se conseguirmos um bom resultado que nos classifique, será grandioso; se não, queremos dar adeus para a Liga dos Campeões com uma grande atuação. Como sempre, daremos tudo para vencer, porque devemos isso aos nossos torcedores. Colocaremos toda a paixão do mundo”. A declaração de Jürgen Klopp na véspera do jogo decisivo ecoou no Borussia Dortmund. E uma partida que parecia resolvida a favor do Real Madrid se tornou um duelo memorável. Um dos melhores confrontos da Liga dos Campeões dos últimos anos.

O Dortmund não ficou com a classificação. Porém, até fez por merecer, tamanha força de vontade que demonstrou. Com uma equipe ainda depenada pelas lesões, os aurinegros só não levaram o confronto para a prorrogação por um gol. Da derrota por 3 a 0 no jogo de ida, bateram o Real Madrid por 2 a 0, em uma senhora atuação de Marco Reus. Ainda assim, a vaga nas semifinais ficou com os merengues, que suaram sangue para segurar o placar, e devem idolatrar um pouco mais Iker Casillas pelas defesas imprescindíveis.  Um resultado para os espanhóis recobrarem que um título da Champions nunca é feito só de goleadas e, especialmente, para corrigirem suas falhas defensivas antes que seja tarde demais.

A situação parecia tranquila para o Real Madrid. Depois da boa vantagem construída no jogo de ida, Carlo Ancelotti preferiu não arriscar a entrada de Cristiano Ronaldo, com problemas físicos. Escalou Asier Illarramendi no meio-campo, com Ángel Di María deslocado para a ponta. Enquanto isso, o 11 inicial do Borussia Dortmund não inspirava tanta confiança assim, com Manuel Friedrich, Erik Durm, Oliver Kirch e Milos Jojic. Podia não inspirar tanto olhando no papel, mas a diferença não foi tão sentida assim dentro de campo.

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O começo de jogo foi amarrado. Os aurinegros tinham iniciativa, mas erravam demais os passes no ataque. Enquanto isso, o Real Madrid tentava controlar o jogo, trabalhando o toque de bola, ainda que majoritariamente em seu campo de defesa. Aos 17 minutos, a primeira grande chance. O árbitro marcou um toque de mão de Lukasz Piszczek dentro da área. Pênalti, que Weidenfeller salvou. Era a motivação que o Dortmund precisava.

O lance fez os anfitriões crescerem, começarem a sufocar. A equipe de Jürgen Klopp atacava com intensidade e também cercava a saída de bola do Real Madrid com muita vontade, a pressão que tanto caracterizou os aurinegros nos últimos tempos. E forçar o Real Madrid ao erro foi fundamental para que os alemães fossem para o intervalo com dois gols de vantagem. Marco Reus marcou o primeiro a partir de uma falha de Pepe, enquanto um passe errado de Illarramendi terminou com mais um tento do alemão, após Lewandowski carimbar a trave.

Ancelotti viu que a mudança em seu time era inevitável. Illarramendi saiu para a entrada de Isco, com Di María voltando para o meio-campo. Deu certo, ao menos nos primeiros 15 minutos da etapa final. Weidenfeller foi obrigado a fazer mais uma defesa, enquanto Bale teve uma grande chance de diminuir, em chute cruzado que passou a centímetros da trave. Mesmo assim, os merengues estavam longe da sede de gols que costumam demonstrar com Cristiano Ronaldo em campo.

Do outro lado, a chave de ignição era Marco Reus. Uma senhora partida do camisa 11, aquele que botava fogo em seu time. Foi dele a jogada que possibilitou a grande chance para o Dortmund na segunda etapa. O atacante arrancou desde o meio-campo, se desvencilhou dos volantes e deu um passe açucarado para Henrikh Mkhitaryan. O armênio driblou Iker Casillas e, com o gol vazio, acertou a trave. Era a grande chance dos 3 a 0, o gol que os aurinegros tanto precisavam.

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O Borussia Dortmund ainda viu Casillas fazer duas defesas milagrosas, negando o tento. E ao mesmo tempo em que perdia o gás, via o Real Madrid se acertar no meio-campo. Muito mal na partida, Di María deu lugar a Casemiro. Mais fixo na marcação, o brasileiro deu a proteção extra que os merengues precisavam, ainda que o Dortmund seguisse na pressão. No fim do jogo, com o campo aberto, as melhores chances de marcar foram dos espanhóis em contra-ataques, mas Weidenfeller seguia impecável. Apenas sacramentou a sensação de que, por um mero gol, os alemães levariam o duelo para a prorrogação.

O Real Madrid passa para as semifinais da Liga dos Campeões pela quarta temporada seguida. Desta vez, espantando justamente o último fantasma que os impediu de chegar à sonhada decisão. Mais suado do que o esperado, com muito mais erros do que deveriam cometer. E agora esperando o retorno de Cristiano Ronaldo para ir rumo à tão sonhada ‘La Décima’.

Formações iniciais

Dortmund x Real Madrid

Destaque do jogo

Marco Reus. Em seis partidas que o atacante atuou desde que voltou de lesão, marcou sete gols. E sempre o Dortmund venceu. Desta vez, o craque do time teve uma noite ainda mais impressionante, carregando o time nas jogadas em velocidade, finalizando nos lances mais perigosas e também criando oportunidades para os seus companheiros. Pena que, em sua melhor jogada, Mkhitaryan parou na trave.

Momento chave

O pênalti perdido por Ángel Di María. Era a grande chance do Real Madrid abrir o placar e obrigar o Dortmund a marcar cinco gols. Mas Weidenfeller, que já tinha feito defesas fantásticas na visita ao Bernabéu, pegou a cobrança e renovou as esperanças dos aurinegros. Difícil imaginar que o jogaço se desenrolaria da mesma forma se a bola tivesse entrado. Além disso, também cabe citar o gol perdido por Mkhitaryan, que ainda podia levar o duelo para a prorrogação.

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Os gols

24’/1T – GOL DO BORUSSIA DORTMUND! Lançamento do campo de defesa e Pepe recua errado de cabeça. Reus domina, passa por Casillas e toca para as redes vazias.

37’/1T – GOL DO BORUSSIA DORTMUND! Erro de Illarramendi na saída de bola. Reus arranca em velocidade e passa para Lewandowski, que chuta na trave. Na sobra, Reus enche o pé e faz.

Curiosidade

É a terceira vez na história que o Real Madrid chega a quatro semifinais seguidas da Liga dos Campeões. Desta vez, porém, os merengues não passaram à decisão nos últimos três anos. Entre 2000 e 2003, foram campeões duas vezes. Entre 1956 e 1960, ficaram com a taça nas cinco ocasiões.

Ficha técnica

BORUSSIA DORTMUND 2×0 REAL MADRID

Borussia Dortmund
Roman Weidenfeller, Lukasz Piszczek (Pierre Emerick Aubameyang, 35’/2T), Manuel Friedrich, Mats Hummels e Erik Durm; Oliver Kirch e Milos Jojic; Kevin Grosskreutz, Henrikh Mkhitaryan e Marco Reus; Robert Lewandowski. Técnico: Jürgen Klopp.

Real Madrid
Iker Casillas, Daniel Carvajal, Pepe, Sergio Ramos e Fabio Coentrão; Xabi Alonso, Asier Illarramendi (Isco, intervalo) e Luka Modric; Ángel Di María (Casemiro, 28’/2T), Karim Benzema (Raphael Väräne, 46’/2T) e Gareth Bale. Técnico: Carlo Ancelotti.

Local: Signal Iduna Park, em Dortmund (ALE)
Árbitro: Damir Skomina (ESL)
Gols: Marco Reus, 24’/1T, 37’/1T.
Cartões amarelos: Marco Reus, Pierre-Emerick Aubameyang (Borussia Dortmund); Sergio Ramos, Xabi Alonso, Dani Carvajal, Casemiro e Karim Benzema (Real Madrid).
Cartões vermelhos: Nenhum