Steven Gerrard se dedicou por 14 anos à seleção inglesa. Desde os 20 anos defendendo os Three Lions, o volante somou 114 partidas, o terceiro com mais jogos na história da equipe nacional, atrás apenas de Peter Shilton e David Beckham. Para colocar um ponto final em sua passagem após a terceira Copa do Mundo, a primeira como capitão. E, por mais que trajetória da Inglaterra neste século acumule fracassos, o meio-campista merece ser lembrado como um dos principais nomes da história da seleção.

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As decepções com a Inglaterra foram constantes nos últimos anos. E o próprio Gerrard era um dos principais motivos de tantas expectativas, um dos astros do meio-campo ao lado de David Beckham e Frank Lampard. O problema é que, coletivamente, a “geração de ouro” nunca funcionou. Por mais que o ídolo do Liverpool tenha feito algumas boas apresentações individualmente, a promessa sempre foi maior do que aquilo que, de fato, aconteceu. Faltou uma campanha marcante que engrandecesse a passagem do camisa 4 pela seleção.

Gerrard foi uma dos protagonistas na histórica goleada por 5 a 1 sobre a Alemanha, em Munique, pelas Eliminatórias da Copa de 2002. O garoto era um dos nomes em ascensão na seleção para o Mundial da Coreia e do Japão, mas uma lesão o impediu de ser convocado para o torneio. Fez falta na equipe. Na sequência, se tornou ainda mais importante nos Three Lions, que acabaram sem se impor nos momentos mais decisivos. Caiu contra Portugal, duas vezes, e contra a Alemanha em 2010. Faltou ir além quando estava no ápice de sua forma, quando o talento era ainda mais inquestionável.

Fixo como capitão a partir de 2012 (embora tenha ficado com a braçadeira já na Copa de 2010, por causa dos problemas extracampo de John Terry), Gerrard foi eleito para a seleção da Eurocopa daquele ano, mas os ingleses caíram nas quartas. Já na Copa de 2014, em um time no qual não se acreditava tanto, um pequeno erro do camisa 4 acabou sendo essencial para a queda precoce. A bola que resvalou no veterano acabou parando nos pés de Luis Suárez, no gol da vitória do Uruguai. Tentou fazer o que precisava para Cavani não dominar o lançamento de Muslera. Um lance que, independente da intenção, acabou sendo fatal por centímetros.

“Foi uma decisão muito difícil, uma das mais duras da minha carreira. Eu sofri sobre isso desde que voltei do Brasil e conversei com meus familiares, meus amigos e pessoas do futebol próximas a mim antes de chegar a esta decisão”, declarou Gerrard. “Mais importante, Brendan Rodgers tem sido fantástico e, obviamente, eu tenho que olhar para o meu corpo para assegurar meu máximo dentro de campo. Para garantir que eu posso continuar seguindo em alto nível e dando tudo pelo Liverpool, eu acredito que esta seja a decisão certa. E voltar à Liga dos Campeões foi outro grande fator na minha decisão”.

A torcida do Liverpool, a partir de agora, conta com a dedicação total de seu capitão. Essencial em uma temporada de virada para os Reds, com o retorno à Liga dos Campeões e a venda de Luis Suárez. Sem o uruguaio ao lado, o capitão será ainda mais fundamental na liderança técnica do time de Brendan Rodgers. Para o resto dos torcedores ingleses, resta admirá-lo de longe. Respeitando o mito de Anfield, mas sem ter tantos feitos assim para comemorar.