O resultado é o de menos: Barça x Chape valeu por cenas que serão eternas

A Chapecoense visitou o Barcelona, no Camp Nou, e foi goleada por 5 a 0. Não importa. Poderia ter sido seis, ou quatro, ou oito que o vencedor da partida, válida pelo tradicional Troféu Joan Gamper seria o mesmo, e pedirei desculpas antecipadas pela pieguice a seguir: a vida. A vida de Jackson Folmann, de Neto, de Alan Ruschel, de Rafael Henzel, transmitindo das tribunas, e da própria Chapecoense. Pouco mais de seis meses depois da tragédia, todos estavam em um dos palcos mais conhecidos do futebol, suportados pelas próprias pernas, mesmo que uma delas infelizmente tenha que ser mecânica, e viveram uma noite para ser eternizada em suas memórias.

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O amistoso valeu por essas cenas. A primeira, antes de a bola começar a rolar, quando os jogadores sobreviventes da tragédia tiraram foto com Luis Suárez e Lionel Messi. Os dois que não disputariam a partida reuniram-se para dar o pontapé inicial: Folmann, em cima de sua perna metálica, tocou para Neto, que não conseguiu segurar as lágrimas ao entrar no Camp Nou e ainda luta para voltar aos gramados. Na escalação, o retorno de Alan Ruschel, 252 após a queda do avião da Chapecoense.

A diferença técnica e coletiva entre uma das melhores equipes do mundo contra outra que ainda se reconstrói e briga contra o rebaixamento no Brasil ficou clara imediatamente. O Barcelona chegava facilmente à área da Chapecoense, com toques de primeira e muita movimentação. Logo no começo, Elias fez uma linda defesa em chute à queima-roupa de Messi. Rakitic teve boa chance de cabeça, e Suárez parou no goleirão da Chape. Mas era claro que o primeiro gol sairia rapidamente.

Aos 5 minutos, Rakitic deu rolinho em Luiz Otávio e rolou para Deulofeu marcar. O Barça ampliou com um golaço de fora da área de Busquets. A Chapecoense começou a se soltar um pouco mais e levou perigo com Wellington Paulista, de longe. O ex-atacante do Alavés, que já fez um belo gol no Camp Nou, era um dos menos amistosos em campo e chegou até a dar um desarme duro em Messi. Elias, porém, foi o destaque. Aos 26, pegou outro chute de perto do argentino. Na terceira tentativa do craque, porém, não teve o que fazer, e o Barça marcou o terceiro.

Elias ainda fez duas grandes defesas para parar Suárez antes do intervalo, mas o grande momento do primeiro tempo foi aos 35 minutos, quando Alan Ruschel foi substituído por Penilla, depois de uma boa apresentação contra o Barcelona. Foi ovacionado pelo Camp Nou:

 

E no intervalo, trocou camisas com Messi, como queria fazer:

A partida adquiriu outra dinâmica no segundo tempo, com várias substituições e uma inclinação do Barcelona a não maltratar demais a Chapecoense, apesar de ter feito o quarto, com Suárez, e o quinto, com Denis Suárez, em lindo passe de Messi. Deu para se divertir um pouco mais, o que foi personificado por Apodi, que mandou dois chapéus em Jordi Alba. E Artur Moraes deixou sua marca defendendo um pênalti de Paco Alcácer nos minutos finais.

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O Barcelona ficou com mais um troféu Joan Gamper. E a Chapecoense, com uma noite para contar aos netos.