A novela se alongou por toda a janela de transferências, sem desfecho. E, nem um mês depois, o resultado não traz qualquer surpresa: Diego Costa vai mesmo retornar ao Atlético de Madrid. Nesta quinta, os colchoneros anunciaram o princípio do acordo com o Chelsea pela transferência do centroavante. O sergipano ainda passará por exames médicos e deverá fechar seu contrato pessoal com os espanhóis. Independentemente disso, os dois clubes já estão alinhados. Segundo o jornal inglês The Guardian, o negócio é estimado em £57 milhões.

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Diego Costa não poderia se juntar ao Atleti neste início de temporada, de qualquer forma. Se existisse algum acordo, o centroavante provavelmente seria repassado a outra equipe, diante da punição imposta pela Fifa aos colchoneros – a exemplo do que aconteceu com Vitolo, que permanecerá até janeiro com o Las Palmas, o que vem gerando um imbróglio enorme com o Sevilla. Neste possível cenário, Diego ao menos poderia manter o seu ritmo de jogo, algo que certamente nos próximos seis meses.

A inscrição de Diego Costa na Premier League não passou de um alarme falso. Por mais que alguns companheiros tenham aberto as portas ao companheiro, o mesmo não foi feito por Antonio Conte. A queda de braço entre o atacante e o treinador é irreversível, pendendo ao italiano. Assim, não restou outra alternativa para o sergipano a não ser encontrar novos rumos. O Chelsea perde um jogador que foi importantíssimo em seus últimos dois títulos nacionais, mas também deixa de ter uma dor de cabeça frequente. Ainda há dúvidas se Álvaro Morata manterá totalmente o nível na linha de frente. Mesmo assim, os Blues optaram por encostar seu artilheiro.

Analisando bem a situação, o Chelsea não perde tanto quanto se imaginava com a saída de Diego Costa, financeiramente falando. Obviamente, passará seis meses pagando um salário alto para alguém que não vai jogar. Mas o valor do negócio é razoável. Em condições “normais” (e normal não é uma palavra que se encaixa bem no atual mercado), talvez pagassem mais por um dos melhores centroavantes da Premier League. No entanto, os £57 milhões estão bem acima dos £35 milhões pagos pelos Blues em 2014, e ainda superam o atual valor de mercado do sergipano – apontado em £45 milhões, pelo site Transfermarkt.

Por outro lado, o Atlético de Madrid se sugere como o ambiente ideal para Diego Costa retornar ao futebol. Um clube ao qual já está aclimatado e no qual desfruta de confiança total do treinador. Pode muito bem se encaixar com Antoine Griezmann na linha de frente e potencializar os predicados da equipe de Diego Simeone. Resta saber o impacto que os meses parado terão para o seu rendimento a curto prazo, justamente em um momento no qual a temporada exige ritmo forte. Ao menos, terá as pernas descansadas para ajudar os colchoneros no segundo turno do Espanhol e (possivelmente) nos mata-matas das competições continentais.

A preocupação do Atleti, neste momento, é recuperar as condições físicas de Diego Costa. Foram três meses parado, longe da preparação do Chelsea à pré-temporada, passando a maior parte do tempo em Lagarto. Os exames dos colchoneros se preocupam principalmente em traçar um plano de trabalho que possa fazer o centroavante perder peso e recuperar a sua força. Deverá permanecer sob a tutela do ex-volante Tiago, amigo pessoal do brasileiro, que passou a integrar a comissão técnica de Simeone após pendurar as chuteiras na temporada passada.

A maior responsabilidade, de qualquer forma, recai sobre o próprio Diego Costa. Às vésperas de completar 29 anos, o centroavante possui um bom tempo de carreira pela frente, por mais que seu estilo exija bastante da capacidade física. Mas, acima de tudo, o sergipano precisa estar em sintonia com seu trabalho. Teve duas quedas no Chelsea, especialmente pelos atritos que acumulou. O Atlético de Madrid, mais do que uma volta por cima, oferece uma chance de disputar a Copa do Mundo de 2018 pela seleção espanhola. Diego terá que demonstrar toda essa disposição a arrumar confusão também para recuperar seu moral sob as ordens de Simeone.