O San Siro se encheu nesta segunda-feira, mas não foi para assistir a algum partida decisiva ou qualquer jogo oficial. As arquibancadas do mítico estádio estavam repletas de gente para uma ode ao craque que soube aproveitar cada milímetro daquele campo. Ao maestro que pisava no gramado não apenas para jogar futebol, mas para conduzir orquestras. Andrea Pirlo se despediu do futebol ante aqueles que o idolatravam e ao lado de grandes amigos. Uma noite especial ao veterano, digna de sua história e de seu talento, que serviu como última lembrança de quão magnífica foi a lenda.

As meras escalações das equipes para o jogo festivo já serviam para exaltar Pirlo. Afinal, que o San Siro tenha recebido grandes duelos desde sua inauguração, é difícil imaginar uma ocasião onde tantos mitos desfilaram pelo gramado. Nada menos que 62 jogadores foram convidados para o amistoso, entre companheiros e adversários do meio-campista. Lista extensa que incluía Dida e Buffon entre os goleiros; Maldini, Nesta, Zanetti, Cafu, Ferrara, Zambrotta, Costacurta, Materazzi, Bonucci, Chiellini e Barzagli entre os defensores; Ronaldinho, Seedorf, De Rossi, Albertini, Rui Costa, Vidal, Lampard, Gattuso, Camoranesi, Leonardo, Marchisio e Verratti entre os meio-campistas; e (tome fôlego) Ronaldo, Baggio, Del Piero, Totti, Vieri, Shevchenko, Tevez, Toni, Inzaghi, Cassano e Di Natale entre os atacantes. No banco, os técnicos eram Ancelotti, Conte, Allegri, Donadoni e Tassotti.

A enxurrada de 14 gols no San Siro pouco importou. Os olhos não desgrudavam mesmo de Pirlo. E ele deu o seu show. Em uma cobrança de falta perigosa, quando todos esperavam que o craque pudesse mandar a bola na gaveta, ele fez diferente. Deu um passe açucarado a Vieri, que o transformou em assistência, balançando as redes. O regista, como sempre, estava ali para servir. Mas também foi servido pela multidão presente, quando saiu de campo emocionado, para que o filho Niccolò entrasse em seu lugar. Torcedores e companheiros se levantaram para ovacionar a lenda. Todos eles eternos fãs de um futebol refinado e único. Da maestria do camisa 21.

A partir de agora, definitivamente, a imagem de Pirlo como jogador é apenas lembranças. O veterano ainda não definiu o seu futuro, embora tenha sido convidado para integrar a nova comissão técnica da seleção italiana. Sem dúvidas, terá muito a ensinar. Mais um motivo para o futebol agradecer o craque, considerando tudo o que já ofereceu a quem teve o prazer de vê-lo ou a honra de compartilhar o campo com o maestro.