A legião de brasileiros do Shakhtar Donetsk conseguiu de novo. O clube mais rico da Ucrânia conquistou o título nacional pela quinta vez seguida, com vitória por 3 a 1 sobre o Zorya Luhansk. Mas a população da cidade está mais preocupada com outra coisa: neste domingo, as urnas foram abertas para um referendo que pode terminar com a independência da região e um alinhamento ainda maior com a Rússia.

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Donetsk, principal cidade do leste ucraniano, segue os passos da Crimeia, que também se separou da Ucrânia e posteriormente foi anexada pelo país vizinho, em março. Consequência de um conflito político grave entre simpatizantes da Rússia e do Ocidente, que causou centenas de mortes em Kiev e derrubou o presidente Viktor Yanukovitch do poder. Novas eleições nacionais serão realizadas em 25 de maio.

A princípio, nada garante que Donetsk e Luhansk, as duas regiões que realizam referendo neste domingo, também vão ser absorvidas pela nação do presidente Vladimir Putin, como a Crimeia. A população desses locais está em busca de uma “república popular de Donetsk”, que seria a capital. Quer mais autonomia.

E isso pode refletir no futebol. Houve conversas em relação a um campeonato que uniria os clubes da Ucrânia e da Rússia. O dono do Shakhtar, Rinat Akhmetov, era um grande entusiasta dessa ideia. Se a votação de fato terminar com a independência de Donetsk – e segundo os primeiros relatos, praticamente todos os votos são a favor -, Akhmetov teria o clima perfeito para filiar o seu clube à Federação Russa. Esse pode ser o último título ucraniano da equipe.

A eleição está sendo realizada depois de semanas de conflitos entre pró-russos e pró-ocidentes. A violência foi tamanha que as partidas de futebol do país passaram a ser realizadas sem torcida. Os jogos marcados para o leste foram transferidos para outras cidades, tanto que o Shakhtar foi campeão em Cherkasy, na região central do país. A emblemática final da Copa da Ucrânia, entre o Dínamo Kiev, da capital, pró-ocidente, e o principal clube de Donetsk também não terá torcida. O retorno do Campeonato Ucraniano, depois da parada de inverno, foi adiado por causa dos conflitos de fevereiro e março.

O futebol, como todos os aspectos do país, também foi afetado pela efervescência política da Ucrânia, mas, em meio a pessoas morrendo e se machucando, a população tem coisas muito mais importantes para se preocupar.

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