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O sonho de Trezeguet e o espírito do Nacional mostram bem o que é a Libertadores

Quem esperava por grandes jogos no Grupo 6 da Libertadores certamente não se decepcionou com o que viu até agora. Atlético Nacional, Grêmio, Nacional e Newell’s Old Boys estão fazendo jus ao rótulo de ‘grupo da morte’ e a maioria dos confrontos da chave até agora foram jogaços. Nesta quarta, abrindo a quinta rodada, mais um grande duelo. Em um palco digno, o Estádio Centenario de Montevidéu, Nacional e Newell’s disputaram uma partida cheia de gols, bolas na trave e chances desperdiçadas. A vitória dos argentinos por 4 a 2 só exalta a ocasião.

O Nacional pode estar aquém de sua tradição. Os tricolores não contam com grande qualidade técnica e isso ficou evidente nos resultados do time, que só conquistou um empate em cinco jogos e possui a defesa mais vazada da competição. Entretanto, não se pode diminuir o espírito de luta dos uruguaios, especialmente para quem já estava eliminado. Os anfitriões cresceram para cima dos visitantes desde o início, especialmente depois do golaço de Juan Mascia, que abriu o placar. Já a postura no fim do jogo contra o Newell’s foi exemplar, mesmo depois de tomar a virada. A equipe já tinha Rafael García expulso quando o goleiro Bava infantilmente tocou a bola com a mão fora da área, aos 36 do segundo tempo. Também recebeu o vermelho e mandou o veterano Andrés Scotti para o gol. Perdendo por 3 a 2, o Bolso seguiu pressionando em busca do empate, ameaçando demais a meta dos visitantes. Só tomou o quarto tento em um contra-ataque.

Já do outro lado, a estrela foi David Trezeguet. O atacante francês, filho de argentinos e criado no país sul-americano, nunca escondeu seu sonho de disputar a Libertadores. “Era um de meus objetivos jogar uma competição que nunca conheci. Quero ter a possibilidade de me medir contra as melhores equipes do continente. É algo novo para mim e espero estar à altura”, afirmou, assim que chegou ao Newell’s. O camisa 17 já havia entrado em campo nas quatro primeiras partidas, titular apenas na estreia. Mas não foi tão decisivo quanto no Centenario. A partida estava empatada em 2 a 2 quando Trezeguet aproveitou passe açucarado de Casco, aos 30 do segundo tempo. E matou o jogo nos acréscimos, provando que faro de gol não se perde.

O Newell’s assume a liderança do Grupo 6, mas sua situação não é tão tranquila assim. Se o Atlético Nacional ganhar na visita do Grêmio a Medellín, os argentinos serão obrigados a vencer os colombianos em Rosário – considerando que os gremistas farão sua parte contra o eliminado Nacional em Porto Alegre. Já uma vitória ou empate do Tricolor na Colômbia dá a vantagem do empate ao Newell’s na rodada final, embora não garanta a liderança. E, considerando a superioridade dos verdolagas no primeiro encontro dos times, dá para esperar mais um jogaço. Talvez a decisão definitiva de um dos melhores grupos da história da Libertadores.