Allardyce não segurou o riso quando foi responder Mourinho (Foto: AP)

O técnico do West Ham respondeu à incoerência de Mourinho da melhor forma possível: rindo

José Mourinho sequer corou ao criticar a retranca do West Ham em Stamford Bridge após o empate por 0 a 0 na última quarta-feira. O português criticou o “futebol do século 19″ do adversário e disse que rival do leste de Londres tinha “cinco defensores que pareciam mais goleiros”. Vamos deixar para lá que o problema foi mais a falta de pontaria do que a atuação defensiva dos visitantes e nos concentrar na incoerência do treinador, que nunca hesitou em adotar uma postura mais conservadora com a Inter de Milão, o Real Madrid e com o próprio Chelsea.

Porque o técnico do West Ham, Sam Allardyce, respondeu ao colega do melhor jeito possível: rindo. “Ele não consegue aceitar, consegue?”, disse, sem esconder o sorriso. “Ele não aceita porque eu fui melhor que ele taticamente. Não consegue lidar com isso. Ele pode me dizer o que quiser. Para ser honesto, eu não me importo nem um pouco (ele usou outro termo, mas só podemos escrevê-lo depois das 22h). Eu amo ver os jogadores do Chelsea choramingando com o árbitro, tentando intimidá-los, e José pulando para cima e para baixo na área técnica. É lindo de se ver”.

Contra o Barcelona, quando era técnico do Real Madrid, Mourinho não teve vergonha de se defender. Escalou até Pepe de volante, na semifinal da Liga dos Campeões de 2011, para marcar Messi – o que obviamente não funcionou. Buscou mais o gol do que o West Ham, mas tudo é uma questão de nível. Talvez se Sam Allardyce tivesse Cristiano Ronaldo, Di María e Ozil, também daria seis chutes a gol, ao invés de apenas um.

Antes do Natal, o português enfrentou o Arsenal no Emirates jogando bem fechado. Ouviu da torcida que o “Chelsea era chato”. Respondeu que “chato é um time que joga em casa e não consegue fazer um único gol”. Verdade. Exatamente que nem o Chelsea contra o West Ham, que era o último colocado do Campeonato Inglês.

Se um time é inferior ao adversário, qual o problema de se defender? Fazer isso com qualidade e eficiência é muito difícil. Exige concentração, inteligência, posicionamento. Há méritos em uma equipe com James Collins e James Tomkins na zaga enfrentar Oscar, Eto’o e Hazard, fora de casa, e não sofrer nenhum gol. Talvez a motivação de Mourinho fosse apenas desviar atenção do tropeço que impediu o Chelsea de igualar os pontos do segundo colocado Arsenal ou desabafar porque o time dele chutou 39 vezes a gol e não conseguiu marcar nenhum.

“Sam estava rindo quando conversamos. O objetivo dele era vir aqui e roubar um ponto. Não era jogar um bom futebol e fazer parte da qualidade da Premier League”, acrescentou Mourinho, que, enfim, achou uma boa ideia suavizar um pouco o seu ataque. “Eu não posso criticar muito porque, se eu estivesse na posição dele, não sei se faria a mesma coisa”. Ainda bem que ele percebeu.