Italy Soccer Italian Cup

O título do Napoli acabou encoberto pela submissão do futebol ao poder dos ultras

Era para ser um jogo de enorme festa. Napoli e Fiorentina são dois clubes tradicionalíssimos na Itália. O Estádio Olímpico de Roma estava lotado para a decisão. E a taça da Copa da Itália teria grande significado para qualquer um que a levantasse. Ainda é assim para os napolitanos, que se sagraram campeões com uma vitória imponente, ratificaram o bom trabalho feito por Rafa Benítez e ainda vão à desforra por levarem o título mais uma vez ao sul do país – do qual sentem tanto orgulho e pelo qual são tão discriminados. Independentemente disso, o jogo acabou sendo secundário diante de tudo o que se desdobrou na capital.

A violência entre torcedores é um problema tão arraigado na América do Sul quanto na Europa. E os confrontos envolvendo ultras dos clubes tomaram as ruas de Roma. Três ficaram feridos horas antes do jogo, baleados, um deles internado em estado grave. Situação para que a partida não acontecesse. Aconteceu. E só depois de 45 minutos de interrupção, quando os ultras finalmente deram a “bênção” para que a bola começasse a rolar.

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Revoltados com o ocorrido com seu companheiro, os napolitanos começaram a atirar objetos no gramado. Marek Hamsik tentou contornar a situação, mas foi recebido por uma chuva de sinalizadores. As autoridades, esportivas e políticas (incluindo o presidente do senado italiano), se reuniram para decidir se o jogo deveria ter segmento ou não. Contudo, a palavra final foi mesmo dos organizados, que prometeram se comportar e manter a ordem no estádio, repleto de torcedores comuns.

A tensão era evidente em todos, incluindo os jogadores. De qualquer forma, a partir do apito inicial, os times conseguiram se soltar. E o Napoli se impôs rapidamente, contra uma Fiorentina que sentia demais os desfalques de jogadores importantes, em especial Juan Cuadrado. Depois de uma bola salva por Neto e de outra afastada por Borja Valero em cima da linha, os celestes abriram dois gols de vantagem. Xodó da torcida, Lorenzo Insigne fez por merecer o carinho. Foram dois gols do jovem atacante, o primeiro em uma belíssima finalização. Dava folga para que o time de Rafa Benítez se tranquilizasse um pouco mais em campo.

O Napoli, no entanto, relaxou até demais. Josip Ilicic deu grande passe e Juan Manuel Vargas diminui a diferença minutos depois. O susto fez os celestes tentarem o terceiro gol até o final do segundo tempo, enquanto passaram a amarrar o jogo a partir da etapa final, se defendendo muito bem. A entrada de Giuseppe Rossi, após quase quatro meses longe do time, assim como a expulsão infantil de Gökhan Inler, motivaram a Fiorentina. O empate até poderia ter saído com Branko Ilicic, mas o gol perdido já nos minutos finais custou caro à Viola, que ainda viu Dries Mertens concluir o placar de 3 a 1 nos acréscimos e garantir a festa dos napolitanos.

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O Napoli conquista seu quinto título na Copa da Itália, o segundo nas últimas três temporadas. Ratifica o investimento de Aurelio De Laurentiis e a montagem do time por Rafa Benítez, que também se classificou à próxima Liga dos Campeões. Assistido por Cesare Prandelli, Insigne deve ter garantido seu lugar na Copa do Mundo. E todos esses assuntos meramente esportivos serão o de menos diante do que aconteceu do lado de fora do campo.

A submissão das autoridades aos ultras foi patética. Em um estádio cheio de figuras importantes, a decisão coube aos líderes das organizadas. Um sinal claro da falta de controle diante da situação. O Napoli merece todos os louros depois da conquista. Mas a questão com os ultras não pode ser encoberta por isso e, ao contrário, precisa ser ainda mais combatida depois de um episódio no qual ficou tão exposta. Parabéns aos napolitanos pela façanha, pêsames a todos os torcedores italianos pelo medo.