Qualquer time que enfrentar o Manchester City, melhor time da Europa no momento, tende a se defender mais do que atacar. É uma mistura de respeito a uma equipe que derrotou quase todos os seus adversários nesta temporada com o estilo imposto por Guardiola, de controlar as ações e a bola. Mas recuar, fechar os espaços e esperar o jogo acabar do primeiro ao último minuto facilita demais as coisas para o líder da Premier League, como mostrou o Newcastle, na vitória do City por 1 a 0, nesta quarta-feira, em St. James Park, o seu 19º triunfo em 20 rodadas do Campeonato Inglês e o 18º seguido.

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No começo do jogo, o Newcastle praticamente abdicou de ter a bola. Os visitantes chegaram próximos dos 90% de posse de bola e pressionaram incessantemente durante os primeiros 30 minutos. Era um cenário tão claro que quando Vincent Kompany sentiu uma lesão, aos 11 minutos, Guardiola preferiu colocar mais um atacante em campo em vez de recompor a defesa. Sobrou apenas Otamendi de zagueiro de origem vestindo azul.

Por uma questão meramente de probabilidade, uma equipe talentosa, em excelente fase, que pode se concentrar apenas no ataque, eventualmente vai fazer um gol. É necessária muita sorte para um time aguentar dezenas de investidas sem respirar um pouco trocando alguns passes no ataque, preocupando minimamente o adversário. A concentração sempre cede. De Bruyne descolou mais uma assistência para Sterling, que marcou seu 13º gol nesta Premier League.

O placar poderia ter sido ampliado porque o Manchester City manteve seu nível de produção ofensiva, criando muitas chances. Agüero perdeu um par de oportunidades claríssimas e acertou a trave duas vezes. O goleiro Elliot precisou fazer cinco defesas. A única boa ação do Newcastle surgiu em um escorregão da defesa azul, e Otamendi precisou cortar em cima da linha. Mas o segundo gol não saía, e o Newcastle finalmente percebeu que poderia jogar um pouco mais. Guardiola também fez essa leitura e, aos 32 minutos da segunda etapa, tirou Agüero para colocar Mangala ao lado de Otamendi na defesa.

Sempre correndo riscos no contra-ataque, o Newcastle conseguiu algum controle nos minutos finais da partida. Atacou mais do que o Manchester City e, por muito pouco, não conseguiu o empate. Aos 44, uma jogada bem trabalhada levou a bola a Atsu, pela ponta esquerda. O cruzamento encontrou Gayle, que cabeceou a centímetros da trave esquerda de Ederson.

Claro que é necessário se defender contra o Manchester City, mas a aura de imbatível que o time conquistou com todos os méritos não pode inibir os adversários de atacarem um pouco. Quando o Newcastle percebeu isso, saiu para o jogo e quase impôs um tropeço ao líder da liga inglesa. Mas o City ganhou mais uma e, contra o Crystal Palace, no próximo domingo, tentará a 19ª vitória seguida, o que igualaria a sequência do Bayern de Munique, a maior da história das cinco grandes ligas europeias. Do Bayern de Munique também treinado por Pep Guardiola.