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O único clube onipresente em 51 anos de Bundesliga está à beira do abismo

A Bundesliga completa 51 temporadas em 2013/14. E apenas um clube pode se gabar de ter se mantido todos os anos na elite, talvez não por muito tempo. O Hamburgo é dono de sete títulos nacionais, um dos únicos três clubes alemães a terem conquistado a Liga dos Campeões e, até o ano passado, detinha o recorde de invencibilidade do país. Castelos de areia diante da crise profunda que aflige o Dinosaurier – apelido que indica justamente a longevidade do clube. Penúltimo colocado na Bundesliga e que parece só ver abismo pela frente.

O último vexame do Hamburgo aconteceu nesta quarta. O clube foi massacrado em casa pelo Bayern de Munique, 5 a 0 pelas quartas de final da Copa da Alemanha. Ainda assim, a eliminação no torneio nem é a maior preocupação. Os hamburgueses vêm de seis derrotas consecutivas na Bundesliga e o último triunfo aconteceu apenas em novembro. Mau momento agravado pelas cenas de terror do último sábado, após a derrota para o Hertha Berlim.

A torcida, que parecia pronta para apoiar em todos os momentos, se revoltou. Cerca de 300 indignados fecharam a saída da Imtech Arena, a casa do HSV. Além de xingarem os jogadores e a comissão técnica pela falta de resultados, também vandalizaram. Arremessaram ovos e outros objetos contra o elenco. Danificaram alguns veículos, incluindo o do técnico Bert van Marwijk. Entre as reações mais extremas, a do atacante Jacques Zoua, que começou chorar de medo que algo pior acontecesse.

hamburgo

Uma realidade sombria, bastante diferente do passado recente vivido em Hamburgo. É certo que o time foi especialista em ficar aquém do potencial de seu elenco, que teve astros do porte de Ruud van Nistelrooy e Vincent Kompany. Apesar disso, no final da última década, os alemães eram frequentadores assíduos da Liga Europa e chegaram a se classificar para a Liga dos Campeões em 2006/07. Relevância que mantinha o poderio do clube, sempre presente entre os 20 clubes mais ricos do mundo, segundo o relatório Football Money League. Algo que se perdeu com a falta de resultados dos últimos anos.

Mesmo olhando para o elenco atual, o Hamburgo não deveria estar em condições tão ruins na Bundesliga. O grupo possui vários jogadores de valor, como Rene Adler, Heiko Westermann, Rafael van der Vaart e Petr Jiracek. Para dar liga com os mais experientes, também são notáveis as boas promessas do Dinosaurier, como Ola John, Hakan Calhanoglu e Pierre-Michel Lasogga – que, em meados do campeonato, chegou a liderar a renomada pontuação da revista Kicker na escolha do melhor jogador da Bundesliga na temporada. Então qual o problema?

Um dos problemas mais notáveis é a falta de consistência em casa. O time tem pior aproveitamento na Imtech Arena do que longe dela. Foram apenas sete pontos conquistados: vitórias contra Hannover 96 e Eintracht Braunschweig, além de um empate ante o Stuttgart. Resultados ruins proporcionados principalmente pela falta de efetividade do ataque, que consegue ser o sétimo melhor da Bundesliga, mesmo com tamanha draga. Ainda assim, a dor de cabeça maior é a defesa, que não funciona como mandante ou como visitante. É a pior da Bundesliga, com 47 gols sofridos, média de 2,35 a cada partida.

Mais do que o excesso de exposição ou a falta de força em casa, há também um problema crônico de brio. Ao invés de ser aquele time limitado que acredita sempre na vitória, o Hamburgo é o acomodado que joga a toalha cedo. Basta um gol sofrido para a equipe ruir em campo. Mesmo com a necessidade enorme de somar pontos.

Para piorar, a crise nos bastidores também atrapalha. A comissão supervisora do clube estaria pronta para articular a queda do poder executivo, descontente com o apoio incondicional a Van Marwijk. Segundo a imprensa alemã, o nome mais forte para substituir o técnico é o de Felix Magath. Uma última aposta que tem lá suas coerências. Magath é um dos maiores ídolos da história do HSV, tendo anotado o gol do título contra a Juventus na Champions de 1983. Mais do que isso, é um técnico linha dura, que certamente cobraria a vontade do time. E que possui no currículo trabalhos em que aprumou times com boas opções ofensivas, mas sem segurança atrás.

Mudando de técnico ou não, o fato é que o Hamburgo precisa de uma reação imediata. De seus próximos sete adversários, seis estão da 12ª colocação para baixo, nenhum com mais de cinco pontos à frente do Dinosaurier. Sequência vital de confrontos diretos que começa neste sábado, visitando o lanterna Eintracht Frankfurt. Apesar da tabela favorável, alguns adversários têm camisas pesadas, como o Werder Bremen, o Stuttgart e o Eintracht Frankfurt. Sinal de que algum grande pode cair na Alemanha neste ano. E o Hamburgo é o mais tradicional de todos eles.