Por mais que a fase não seja boa, fica difícil de questionar a qualidade de Wayne Rooney. O camisa 10 do Manchester United é um jogador único. Alia técnica e ferocidade como poucos, capaz de dar um lançamento milimétrico pouco tempo depois de ganhar de três adversários no corpo. Inteligência ímpar, se adaptando como armador sem o menor problema. Por isso é tão útil aos Red Devils. E, confiando nesse brio que pode garantir um lance de genialidade e resolver a partida, o clube abrirá seu cofre para segurar seu craque. O United renovou o contrato do jogador até 2019, pagando £ 300 mil libras por semana de salário. Se Rooney permanecer em Old Trafford até o término do vínculo, às vésperas de completar 34 anos, terá recebido £ 85 milhões – ou, na atual cotação, cerca de R$ 270 milhões.

Um contrato estratosférico, o maior da história do United, para encerrar de vez as constantes insatisfações do inglês. Ao longo de sua passagem pelo time, foram pelo menos três os momentos em que existiram fortes rumores de que Rooney queria deixar Manchester. O último deles, no início da temporada, quando uma rusga com David Moyes seria o possível motivo. Com um holerite deste calibre, é difícil imaginar que alguém faça uma proposta equivalente e leve-o para outro lugar. Ainda mais porque os Red Devils têm um plano de carreira para o astro. O veterano se tornará capitão na próxima temporada, mirando também o recorde de gols do clube.

“Eu estou disposto a ficar no United. Em agosto completo 10 anos de clube e, durante esse tempo, joguei com companheiros fantásticos e conquistei tudo o que esperava quando assinei. Agora eu tenho a chance de ser um dos jogadores experientes para ajudar os mais jovens e ser parte de outro grande time do United”, disse Rooney, ao comentar o novo acerto. Tanto quanto um craque, o Manchester United quer uma liderança para se reconstruir após a saída de Alex Ferguson. Por sua personalidade, o camisa 10 é o escolhido para esse papel.

O discurso de Rooney é paciente. Questionado sobre a provável ausência da Liga dos Campeões, ele diz que não se preocupa. Confia no trabalho feito pela direção para que o time volte mais forte no próximo ano. Por trás da postura protocolar, mostra-se alinhado com as ações da diretoria, jogando panos quentes contra as críticas. Calma é o que os Red Devils precisam neste momento, tempo para se recuperar. Com os bolsos cheios, o inglês terá que esquecer as rusgas para assumir a linha de frente em defesa do United.

E aí é que fica a maior interrogação. Rooney é tão genioso quanto genial. O ‘peleguismo’ não condiz muito com seu histórico explosivo, questionador. Não à toa, teve vontade de sair do clube mais de uma vez. Para honrar o contrato assinado, o atacante precisará amadurecer nesse sentido. Talvez aí um dos jogadores mais espontâneos dentro de campo na atualidade se perca. Em troca, o United tentará canalizar esses traços para ganhar um líder. Se tudo acontecer conforme o planejado, terá sido um bom investimento, ainda que o valor desembolsado ao final desses cinco anos e meio permaneça absurdo.