O Real Madrid entrou em campo no Estádio Santiago Bernabéu precisando lidar com seus vários desfalques. Cristiano Ronaldo e Sergio Ramos, suspensos, eram duas ausências sentidas, enquanto a lesão de Raphaël Varane levou Zinedine Zidane a escalar Casemiro como zagueiro. Não é apenas isso, porém, que explica o empate diante do Valencia pela segunda rodada do Campeonato Espanhol. A precisão que sobrou aos Ches para aproveitar as suas chances faltou – e muito – à linha de frente merengue. Neto realizou grandes defesas, mas a falta de pontaria, especialmente de Karim Benzema, também frustou os torcedores presentes. Ao final, os madridistas acabaram contando com aquele que tem sido o melhor jogador do time neste início de temporada. Mais uma vez titular, Marco Asensio anotou os dois gols e buscou o empate por 2 a 2 nos minutos finais.

A torcida do Real Madrid pode até ter se enganado com a vantagem precoce, aos 10 minutos de jogo. Asensio avançou pelo meio e acertou chute com efeito de fora da área, balançando as redes logo na primeira finalização do time. O Valencia, contudo, mostrou que não será a equipe errante dos últimos tempos. Marcelino Toral é um ótimo treinador e seu trabalho no Mestalla repercute. Os Ches contam com uma equipe firme, bastante compacta, que foi ao Bernabéu para desafiar os merengues. E conseguiu ao empatar oito minutos depois. Estreante da noite, Geoffrey Kondongbia ganhou no meio e lançou José Gayá na ponta. O camisa 14 deu um lindo giro e Toni Lato passou em velocidade, cruzando para Carlos Soler completar às redes. Todos jovens e três deles canteranos, dando a cara deste novo Valencia.

O Real Madrid tentava pressionar, enquanto o Valencia resistia. E a insistência merengue pelo segundo gol contrastava com a ineficiência dos merengues nos arremates. Era um festival de finalizações para fora, sobretudo de Benzema, que não conseguia aproveitar os espaços. Quando finalmente parecia pronto a marcar, o francês foi barrado por uma linda defesa de Neto, buscando no cantinho. O resultado parcial já era valioso aos Ches, especialmente pela maneira como continham as características de jogo merengues.

Para o segundo tempo, Zidane veio com Mateo Kovacic no lugar de Isco, substituído por problemas físicos. O Real Madrid conseguia ameaçar apenas nos chutes de média distância, mas sem vencer Neto. Faltava mais criatividade para abrir a defesa, o que não podia se exigir de Gareth Bale, em atuação apagada até sair para a entrada de Lucas Vázquez. Neste momento, o Valencia também crescia. A partir dos 25 minutos, os Ches encontravam mais espaços no ataque e quase marcaram duas vezes, inclusive com uma defesaça de Keylor Navas. Mas aos 31 a virada se consumou, em bom lance de Rodrigo Moreno, passando para Kondogbia fuzilar.

A situação era difícil e o Real Madrid precisava ir ao ataque. Asensio veio ao resgate novamente. Aos 37, em uma falta na entrada da área, o prodígio aproveitou o erro de Neto e bateu no contrapé do goleiro, que se tentou antecipar o chute por cima da barreira. Os merengues poderiam ter vencido, não fosse Benzema. O francês perderia mais dois gols e pararia em uma ótima defesa de Neto aos 43, espalmando bola que ainda triscou na trave antes de ser afastada. Já nos acréscimos, o Valencia daria sua resposta. Casemiro desarmou Simone Zaza e salvou o ataque que por pouco não definiu o placar. O camisa 14, aliás, foi competente em sua improvisação.

O Valencia merece elogios por sua postura no Bernabéu. Mesmo se resguardando, tentou fazer o seu jogo e aproveitar momentos específicos para marcar. O empate acaba como um prêmio. Mas também precisa ter consciência que o Real Madrid não viveu a melhor de suas jornadas. A construção das jogadas bem trabalhadas pelos merengues, como de praxe, não aconteceu e os erros de finalização tiveram o seu preço. Ao menos a qualidade individual de Asensio pesou o suficiente para salvar um pontinho, deixando o Real Madrid com quatro pontos na tabela de La Liga.