O Liverpool está a seis vitórias do título inglês (Foto: AP)

O vencedor da rodada é o Liverpool, que só depende das suas forças para ser campeão

Todas as vezes que a câmera mostrou Brendan Rodgers nas linhas laterais de Anfield Road, os espectadores do Campeonato Inglês viram um sorriso. A expressão do norte-irlandês não era de deboche ao rival Tottenham, mas de satisfação. O alívio e a alegria de ter tido uma ideia, persistir nela e perceber que tão rapidamente ela pode dar até mais frutos que ele previa. Porque a seis rodadas do fim da Premier League, o Liverpool depende das suas próprias forças para ser campeão pela primeira vez desde 1990.

Rodgers preferiu os jovens talentosos aos jogadores estabelecidos, caros e de qualidade meio duvidosa. E esses garotos golearam o Tottenham, neste domingo, por 4 a 0, o ato final de uma rodada perfeita para o clube vermelho. O Chelsea foi derrotado pelo Crystal Palace e está dois pontos atrás. O Arsenal empatou com o Manchester City e já dista sete pontos. A liderança do Liverpool só pode ser ameaçada pelo City, que está a quatro pontos, mas tem dois jogos a menos. Até o fim do torneio, porém, há um confronto direto, em Anfield Road.

A missão continua sendo difícil, pois Rodgers, para não depender de ninguém, precisaria que seus garotos vencessem mais seis jogos consecutivos, que também incluem o Chelsea, em casa. Se isso acontecer, o Liverpool terminaria a temporada com apenas uma derrota nas últimas 22 partidas e 12 vitórias em sequência. Duas coisas que não acontecem todos os dias nas principais ligas do mundo.

A favor, a tabela. Os dois confrontos diretos são em Anfield, assim como o duelo com o Newcastle, 9° colocado. As partidas fora de casa são contra equipes da metade inferior da tabela: West Ham (11°), Norwich (15°) e Crystal Palace (16°). Além disso, fora de competições europeias e eliminado precocemente nas Copas, o Liverpool fez apenas 37 partidas na temporada, o que compensa um elenco muito menos profundo que os dos rivais que vestem azul.

Brendan Rodgers não conseguiu esconder o sorriso durante a goleada sobre o Tottenham (Foto: AP)

Brendan Rodgers não conseguiu esconder o sorriso durante a goleada sobre o Tottenham (Foto: AP)

Isso permite que o capitão Steven Gerrard, mesmo com idade avançada, jogue todas as partidas em alto nível físico. A condição atlética excepcional do Liverpool, por exemplo, também contribuiu bastante para a goleada sobre o Tottenham – Kaboul, com dois erros fatais, mais ainda. Os jogadores entraram ligados no 220vv e, em 1min45s, abriram o placar com gol contra do infeliz zagueiro dos Spurs. A movimentação constante do quarteto ofensivo deixou os londrinos malucos. Os lançamentos e as viradas de jogo sempre encontravam um colega livre nas costas da defesa.

A pressão na saída de bola não diminuiu no decorrer do primeiro tempo. Luis Suárez estava ligado e aproveitou outra falha de Kaboul, que errou o domínio de uma bola na intermediária. O uruguaio recolheu, avançou pela ponta esquerda e chutou cruzado. Chegou a 29 gols na Premier League e está próximo do recorde de artilharia desse torneio com 20 equipes. Cristiano Ronaldo e Alan Shearer fizeram 31. Em toda a história, o alvo é o próprio Shearer e Andy Cole, com 34.

No segundo tempo, o interino efetivado Tim Sherwood avançou o time para especular qualquer coisa, e Philippe Coutinho matou o jogo no contra-ataque. Nem foi tão rápido assim, nem tão fulminante. Perseguido por dois homens de azul-escuro e branco que trotavam, esgotados, o jogador brasileiro precisou engatar apenas a terceira marcha para ficar à frente e chutou cruzado da entrada da área. Jordan Henderson fechou a goleada.

A missão da temporada era vaga na Liga dos Campeões. Encerrar um período de cinco anos afastado da competição que conquistou cinco vezes. A 11 pontos do quinto colocado Everton (tem um jogo a menos), o Liverpool está muito próximo desse objetivo. Agora, luta é pelo retorno a um lugar onde esteve tantas vezes e que apenas o Manchester United tem frequência mais assídua: a lista de vencedores do Campeonato Inglês.