A história sempre depende do ponto de vista pelo qual você olhada. E, em um jogo de futebol, com dois times se enfrentando, esse dualismo é natural. Na visão de uma pequena parcela dos presentes no Estádio José Amalfitani nesta terça-feira, foi uma noite histórica. Para a grande maioria, uma enorme vergonha, mais uma. O Vélez foi o melhor time da fase de grupos da Copa Libertadores. Acabou eliminado pelo Nacional, o pior, na primeira vez que disputa os mata-matas da competição. Um empate heroico do clube paraguaio, em uma atuação impotente dos argentinos. Difícil dizer qual tem mais peso.

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O Nacional foi muito superior no jogo de ida, em Assunção. A vitória por 1 a 0 ficou até barata pelas ocasiões que o Trico criou. De qualquer forma, a vantagem estava estabelecida e os paraguaios seguiriam para a pressão em Liniers com uma estratégia bem definida: defender-se a todo custo e tentar aproveitar os contra-ataques. Não à toa, os visitantes foram chamados de “o Chelsea paraguaio” pelo comentarista da Fox Sports latina. Mesmo o qualificado ataque formado por Lucas Pratto e Mauro Zárate era incapaz contra o cerco do Nacional. Somente aos 30 minutos do segundo tempo é que Correa conseguiu furar o bloqueio e abrir o placar.

Entretanto, a fúria nacionalófila tinha fome de história. Quatro minutos depois, Romero cometeu um pênalti, foi expulso e permitiu o empate dos tricolores, com Torales. O Vélez precisava de dois gols para se classificar e partiu para a pressão. Correa voltou a balançar as redes em um belo gol. Mas, ao mesmo tempo em que os argentinos avançavam, também se abriam. E Derlis Orué matou o jogo nos acréscimos, decretando o empate por 2 a 2.

Ao lado do San Lorenzo, o Vélez se sugeria o mais credenciado a desafiar a hegemonia dos brasileiros na Libertadores. Apesar do elenco curto, o time treinado por Turu Flores tinha ótimas peças para ir longe. Mais do que se enrolar na própria maldição, se complicou na sua ineficiência em abrir a defesa do Nacional. Terá que refazer seus planos, tentar o sonho mais uma vez no próximo ano, amargando já 20 anos de seu único título continental.

Mas a decepção do Vélez já é passado nesta Libertadores. O que fica é a classificação inédita do Nacional, para a festa dos três ônibus de torcedores que saíram de Assunção para acompanhar o clube. O NACIONAL QUERIDO, portal mais místico e mais sensacional de uma torcida na internet, poderá expressar todo o seu furor em Front Page – ainda que o excesso de acessos após a classificação o tenha feito sair do ar.

A competição que tinha Lanús, Bolívar e Defensor como primeiros classificados, ganha uma surpresa ainda maior com o Trico. Uma edição com cara de Copa Sul-Americana, um deleite para quem gosta de futebol alternativo. A competitividade e o nível técnico podem não ser os maiores, mas La Copa está cheia daquelas pequenas histórias que formam o folclore do futebol.