Peter Odemwingie nunca foi daqueles jogadores bons de grupo. Não são poucos os casos em que o meio-campista arrumou confusão. É bom jogador, sim, mas uma bomba relógio. Quando estava no West Brom, por exemplo, tentou forçar a sua transferência para o Queens Park Rangers. Queimou o seu filme no clube. E a seleção nigeriana também manteve Odemwingie fora de suas convocações por um bom tempo, por mais que ele fosse uma das melhores opções ofensivas para as Super Águias.

O chilique de Odemwingie aconteceu após a convocação de Stephen Keshi para a Copa Africana de Nações. O treinador preferiu deixar o meia de fora de sua lista. O suficiente para que o comandante fosse xingado muito no twitter. “Se eu não figuro nos seus planos, por favor, seja direto. Por dez anos eu dei meu máximo por meu país dentro de campo, jogando pela nação e pelos torcedores, não por prêmios individuais”, reclamou o jogador.

“Ele é profissional e precisa aceitar que ele não foi escolhido. A Nigéria foi agraciada com muitos bons jogadores e não precisa chamar a todos”, respondeu Keshi. A situação, porém, mudou. Por mais que as Super Águias tivessem conquistado aquela CAN, Odemwingie fazia falta. A defesa contava com boas opções, mais do que o ataque, onde a fase de alguns também atrapalhava. Era um jogador talentoso, experiente, e que poderia jogar em diferentes funções. Depois de muita conversa, os dois resolveram deixar as rusgas para trás.

Em abril, em cima da hora para a Copa, Odemwingie voltou a ser integrado na seleção nigeriana, falando sobre um recomeço. Diante da escassez, logo para se tornar titular no Mundial. E para resolver. O meia não foi o melhor em campo contra a Bósnia, nem mesmo em seu setor, onde Emmanuel Emenike brilhou mais. Mas estava no lugar certo para vencer Asmir Begovic, que parecia intransponível, e garantir a vitória à Nigéria. Não correu para Keshi, ainda que certamente tenha recebido os parabéns nos vestiários. Com gols, não há problemas que resistam.